domingo, 29 de março de 2015

Poema ao Leão

Admiro tanto a sua timidez
Passaria horas com o foco em você
Te ouvindo cantar mais de uma vez.

Talvez antes de dormir eu vá rezar
Pr'eu te esquecer e parar de te atazanar
Invés de enlouquecer e te beijar.

Na alma e no nome, um leão
Repetindo a melhor canção
Pra mim, nos lábios um "não".

E parece até loucura minha
Tão precoce e rotineira essa sina
Me apaixonar por quem não me dá a mínima.

Então é grande a ironia do destino
Me levar até você, me conduzindo
Sem ao menos saber onde estou indo.

Impossível não ver meu ciúme despontando
Lembrar e rir do que tu diz, quase chorando
E pior, assumir que me pego fantasiando.

Eu me derreto quando vejo ele sorrindo
Os olhos verdes, meu Deus, como são lindos
Até mais que os meus, não tô mentindo.

Já escrevi versinhos de quatro linhas
Falei algumas bobageiras em rimas
É mais ou menos o que sinto, com draminhas.

Ainda que eu não tenha noção
Não vou negar profunda aversão
Se te notar na minha contra-mão.

Não recebe as mensagens no celular
Se algo acontece eu não posso avisar
Tipo, se a Linha Amarela parar.

E eu fico louca quando ele fala inglês
Me mostra uma porção de coisas que não sei
Eu vivo uma paixão a la Stone Age.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Homens

Meu pior pesadelo se baseia em todos os homens pelo qual me apaixonei, me obrigando a assistir uns aos outros, com outras mulheres pra no final, o meu primeiro, me violentar.
Sinto um certo tipo de adoração, percebida só agora, com certo amadurecimento. Claro, dezoito anos, serviriam pra no mínimo, se resolver em alguma coisa e, eu me resolvi comigo mesma. Chega de canção ao ódio, chega de frescura, de tortura... Que seja pra sentir dor com um tapão na cara ou um aperto de mal jeito, de propósito. Algo que facilita muito e, secretamente todo mundo faz, essa de omitir coisas: ao invés de julgar meus próprios defeitos, prefiro enaltecer a qualidade de terceiros. Os homens... Ah, os homens.
Estamos numa era arriscada onde, falar qualquer coisa vinculada á um sexo, ou até mesmo ao próprio sexo como ato sexual, é como cuspir na cara de Jesus Cristo. Hoje, todo mundo se dói por nada. Acredito piamente que seja falta de arranhões, chupões e metidas bem dadas. Pode pensar o que você quiser, falar o que quiser... Mas o vitimismo é moda, é doentio e sim, é muito chato.
E nessa linha tênue onde "eu posso falar o que eu quiser" versus "eu vou falar o que você quer ouvir", decidi dissertar sobre algumas observações, muito próximas que ficaram guardadas há alguma tempo.
Só de pensar, é algo que me dá arrepios: os jeitos específicos. Cada um tão peculiar, porém tão singular da masculinidade. Sabe? As veias pulsantes dos braços e pescoço. Curvas bem mais singelas, uma rodovia de fins para o prazer. Os pelos, os olhos, o próprio olhar... A BARBA. Ah, não, como posso citar a melhor de todas as qualidades, tão cedo... Pois é, eu não resisto. Eu não resisto á barbas, e nem á homens.
Ainda mais difícil quando a lembrança, do hálito quente contornando seu pescoço com desobediência te quebra as pernas... Falando baixinho "eu não vou calar a boca" pra debochar das tuas ordens, contra as besteiras engraçadas que dizem. Essas infantilidades, essas bobagens, tão divertidas... Nem precisa ser muito elaborado. Inventa na hora e me faz rir com uma facilidade absurda, do tipo que enrola pra me beijar por vergonha, ainda quando já se tem tudo de bandeja: minha boca, meu corpo, minha atenção, mas não. Vai teimar de inventar distração, vem me falar dos guardas da marrom que atrapalham os beijos. E me beija... E me aperta, mal posicionado no banco de uma praça que eu nunca vi, só descobri ali, no dia, antes de vê-lo e já planejei: é aqui.
E quando me lembro do carro? Dos carros... Sim. Dentro, fora, dentro e fora, não me interessa. Levando os mais novos a pecaminar na rua e os mais velhos a correrem riscos. Mete a mina pra dentro do seu carro, mete a cara na janela pra ver se não tem ninguém e o resto a gente já sabe. Os nomes que a gente não esquece, situações que afloram imaginação e pele, algumas noites antes de dormir. Me incomoda, as malditas alianças, que eu nunca vi, nenhum deles, tirar, pra me beijar.
Eu é quem cansei disso. Um disse que, não poderia encontrar mulher mais louca que eu. Outro, não disse nada, só chama meu nome, pro vácuo, sem porquê. Deve ser pra ver se eu ainda existo, se eu ainda me importo. Pois bem, se você tá lendo, eu não sei te responder mas, te juro que não é mais nada do jeito que era, uns dois meses atrás.
E é ótimo que esse tempo passe. Tantos homens, tantos ônibus, tantas viagens, tantos lugares, salas, de aula e de espera, tantos olhares... Nenhum telefone, nenhum sorriso. Somente o apreciar, mais-que silencioso. Das veias, os pelos, as mãos, os dedos, longos... Os comportamentos. Isso que eu acho mais interessante. Dos que correspondem, dos que nem sabem que eu existo e pior, dos que nem suspeitam o quanto eu os como com os olhos.
Talvez o problema fosse esse: botar a culpa em coisas, ficar choramingando, dando desculpas, sobre tudo isso. O fato é, que nessa resolução comigo mesma, eu aboli as culpas, parei de chorar e de dar desculpas. Primeiro que o que é feito por mim, só diz respeito a mim mesma. Outra que, se eu tô fazendo, ainda que eu não saiba a consequência daquilo, eu tenho que assumir a bronca, seja lá o que porra acontecer. E os outros? Meus terceiros? Eles fazem o que quiser.
Aprendi como se joga, o que ouvi todo mundo falar que era um jogo. Onde regras eram ditadas e seguidas á risca mas, eu como sempre, fazia questão de mandar tudo pelos ares. Sei lá, nunca achei que isso podia ser tratado dessa maneira. A atração não é posse, a paixão também não e o amor, menos ainda. E todos diziam "dá gelo", "ignora", "não se importe demais", "pisa, que ele gosta". Pois bem, nunca fui adepta disso. Quando eu ignoro, é porquê não há motivos pra olhar na cara do sujeito. Assim como eu dou gelo por estar farta de receber a mesma falta de atenção, assim como finalmente eu não me importo com determinado tipinho de pessoa que nunca, sequer jamais, notou a minha existência além de uma vagina descartável, que nunca notou um pingo que fosse, dos meus sentimentos. Artificialismo, é do que são feita as máscaras, e elas se diluem, em todo e qualquer apelo líquido, de preferência em ácido sulfúrico.
Aprendi como se joga. E ainda não jogo, pois pra mim não é um jogo. Sabe quando você tem que entreter uma criança e ela vem um monte de pecinhas, algo sem nexo, mas bate o pé te dizendo que é um jogo? É isso: infantilidade e falta verdade. Um conto de fadas muito forçado pra mim, que sempre bati no peito pra falar "eu sou a rainha da sinceridade", ainda que não quisesse por um tempo ser assim. Mas hoje aceitei, aceito, aliás. E faço qualquer um aceitar também. É ótimo ver meus amigos pois, os que são, realmente, já sabem como sou.
Pior é dar as deixas, o responder muito pra pouca pergunta, tipo quando me perguntam se gosto de homens mais velhos. Ah, logo ele de vinte veio falar desse tipo de coisa comigo? Nem parece, os vinte, nem parece aquela voz, aquela barba, a tatuagem, não parece nada. Essas conclusões precipitadas me fodem, e arriscam o "deixar de me foder". Foda-se a vulgaridade, o meu falar demais me irrita. E se há propaganda enganosa? Por quê você mesmo não confere?
Seria ótimo, classificar, o seu jeito de apoiar os joelhos nas minhas coxas, pra mantes minhas pernas abertas sob seu peso, ou o modo que faz peripécias de jogar pernas pro ar, segurar ali e aqui. O modo que me abraça, que amarra seu cheiro em mim e rouba, beijos, gemidos, aromas e afetos instantâneos, involuntários, logo que sinto que há uma ligeira entrega, poderia ousar até em dizer "comprometimento". Palavra forte, não é?
 Outra coisa que também aprendi ou compreendi, ou aceitei recentemente, foi sobre rótulos. Não é um título que te dá as qualidades de tal coisa, são suas ações. Parece óbvio, mas eu não posso me culpar por ser amante, se nunca consumei tais atos. E claro, eu posso muito bem me arrepender. Não gosto do que fiz, de pensar no que fiz e em novas possibilidades de repetição. O segundo lugar não me cabe, porquê eu não quero. Não é um pódio. Não é a merda de um jogo. Mas eu te pego, criança, pelos punhos, te levo pra sala e te coloco sentada no sofá: Vamos jogar.
Se não é um jogo, eu posso muito bem chamar do que eu bem entender. Eu não crio relacionamentos, mas crio vínculos. Eu viro o que você quer na sua mão, me transformo naquilo que trás a tona, sem tampões e filtros, o pior que há em mim: de mais sujo, de mais impetuoso e de mais demoníaco.
E o humano é isso, basicamente. A junção animal e divina, num só. O demoníaco, um vício em excesso, o prazer no caso, em excesso. E o homem, minha suposta adoração, ou pecado de gula mesmo... E eu, um demônio em flor, de espinhos crescidos de dentro pra fora, de alguma semente que plantaram, que misturaram com as minhas plantas e adubaram como puderam.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Seis Páginas de Análise Depois...


  • Reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo.
  • Apontar defeitos demais em si mesmo é falta de maturidade.
  • Saia dos padrões, se ele não te convém.
  • Pratique o desapego de quem não agrega nada ou agrega coisas ruins na sua vida.
  • Amar quem te fez mal não é pecado e nem humilhação.
  • Não reprima seus sentimentos bons, ou seja, aqueles que não farão mal á terceiros.
  • O sofrimento existe, e a felicidade também.
  • Falta de razão também não é pecado, afinal, tudo é ciclo: precisamos do erro para acertar, assim como a noite precisa do dia.
  • Lembre-se... Todos podem estar na filosofia, só que em níveis diferentes.
  • Não existe gosto ou preferência, quando todas as evidências apontam pra quem te faz bem (pra algo que de fato faz bem).
  • Permita-se sonhar acordada.
  • Pare de procurar a pessoa perfeita pra você. Se nem os gêmeos que são parecidos, não são iguais, imagine um outro desconhecido no mundo?
  • Desde que seus hábitos não interfiram/ tragam o mal á alguém, nenhum deles é um problema.
  • Olhe a sua volta: É fácil notar algo, uma qualidade em você, que ninguém tenha.
  • Reveja sempre seus conceitos: Se você tem um ponto fraco, estude-o.
  • Nunca generalize. Se você pensa bem, nada é 100% bom e nem 100% ruim.
  • Buscar auxílio é necessário, mas nunca se esqueça que tudo em relação á você, depende somente de você.

Após três folhas em dois dias de conversa comigo mesma, reconheci aspectos que precisava, desde muito tempo, enxergar. Com a ajuda de amigas e tendo como incentivo, a melhor delas, fora outros gatilhos, dores acumuladas e pensamentos mil, eu finalmente consegui concretizar o mínimo de respeito á mim mesma. Assim como, muito sensato um professor meu nos pediu em sala de aula, peço á você, meu leitor, que não se apoie em mim. Jamais serei a dona da verdade ou conhecedora da razão. Pode ser que você encontre algo contraditório, ou simplesmente discorde de mais da metade dos itens citados acima. E isso é bom, na verdade, ótimo.
Fiz perguntas á mim mesma, em folhas de caderno velho, com caneta roxa, porquê a preta acabou. Sabe, perdeu o sentido aquele dizer de "consigo aconselhar os outros e menos á mim". Consegue! Se bem direcionado, com as ferramentas certas, dá pra olhar pra dentro de si e, mais do que se consertar, mas se compreender. A gente tá tão acostumado á ser pra agradar, ser para chamar a atenção, ser para nos acomodar, ser para encaixar-se, que perdemos a noção total de parar um segundo pra perguntar, "quem sou eu?"
Eu ainda não sei responder. Não diria somente "sou Beatriz Bianca, tenho 18 anos e sou estudante de música e filosofia", não! Tá batido esse discurso. Ser eu. Dazein! Ou, Ser aí.
Foda é aprender termos interessantíssimos da filosofia antiga e detestar o Heidegger. Sabe, até alguns dias atrás eu usava do meu estudo, da minha escolha, pra me sentir um pouco superior. Bobagem. Curso superior em qualquer coisa, qualquer um pode ter. Aí me aparece esse cara, falando que todos estamos na filosofia de alguma forma. O quê?! É, interpreta: Em níveis diferentes. Foi o que eu citei ali em cima.
Mas aí me vem outro professor, esse mesmo que disse pra não se apoiar em qualquer coisa... Vem ele e diz "não acredite em mim ou em qualquer coisa que eu falo" (citação de alguém, não dele, que eu esqueci o nome) pois "a filosofia daqui ensina a questionar, a duvidar, e não a crer" - Palavras dele.
Me diz, se filosofia não é coisa pra maluco? Não... É simplesmente a bola de destruição, que leva tudo a baixo, pra gente construir de novo. Linkin Park me ensinou isso e eu só tive cabeça pra entender, agora.
Olhar pra mim mesma com uma trégua, sem olhos de indiferença, reprovação ou "eu te odeio" ligado no automático, foi incrível. Conversar comigo mesma é fantástico! Sabe... Esquece Deus. Eu também converso com ele mas, e eu? Porra, eu quero me ouvir. Quero saber, o que é que tá bom pra você, Beatriz? Eu tive a minha forma de fazer isso. Assim como eu rezava fumando, trocando uma ideia com Deus diretamente, sem formalidades, com lágrimas nos olhos e muitas vezes, deboche nos lábios. Eu peguei o caderno, folheei tudo o que vi no meu primeiro ano de Acrópole, com pensamentos ligados á universidade, que arregaçou as minhas expectativas. Deu nisso. Muita tinta roxa, muita palavra engasgada aqui dentro, muita unha do encravo tirada, o respirar sem aparelhos que eu tanto cansei de falar nas paredes cinzas de letras brancas.
O gatilho. Eu estou apaixonada. Por mim, pelo carinha, mas, mais por mim, e pelo o que eu descobri de mim mesma, e do mundo, que vai ser meu... Que já me pertence. Esse poder, libertador de deitar e rolar em linhas azuis de fundo branco, e escrever, no balanço incessável do ônibus que não chega nunca em casa... Escrever, de boca aberta, maravilhada, no ápice do foco e numa transe quase como um coma.
Eu finalmente aceitei tudo... Me vi sorrindo ao carrasco que, há dois anos atrás se atreveu a usar da crueldade. Eu aceitei, finalmente, aceitei. Aceitei que eu sou diferente porquê ninguém é igual a ninguém! E que lindo isso é! As diferenças, as discordâncias... Feio, é a falta de respeito para com essas discordâncias. Discorda, sim! Fala porquê e faz valer, cada palavra sua. O poder das palavras... São incríveis.
Mas o silêncio também é necessário. Pra fazer música, é preciso silêncio. Pensei até em mandar um recado ao carrasco, em prolongar o assunto com o enamorado... Mas deixa, fica quieta. Deixa ele dormir, deixa o carrasco pra lá, e deixa também o "chove e não molha" de lado. Que ele fique aí nas beiradas pois, do prato todo ele não come mais. Agora quem vai jantar, com sobremesa, entrada e saída, sou eu!
E o silêncio? Encerro por aqui. Pelo menos, esse artigo.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Primeiras Vezes

*Escrito em meados do halloween de 2014.

"Pra tudo se tem a sua primeira vez". - Era o que ele mais me disse em algumas horas, seguidas de elogios não muito pertinentes de colocar aqui. Mas vamos começar do início. Uma sexta-feira como todas as outras, ressalva que nessa, eu iria sair! E pra um lugar diferente.
O metrô era o mesmo da faculdade, a chuva também típica da cidade e o bar, lotado. Bar? É, essa chuva vai estragar meu cabelo, por quê não começar um esquenta básico? Desce uma skol pra mim, por favor.
Quantos homens... Meu Deus. Quantos olhares horrivelmente avançados pra mim... Quanta falsa gentileza, o garçom me servindo, olhando minhas pernas com cuidado pra não derramar cerveja pra fora da taça. Os caras do balcão, os caras das mesinhas lá fora e também os que estavam de pé. Cumprimentos sem nem mesmo saber quem era, ué, vou responder porque sou educada. Um deles se ofereceu a me levar até parte do caminho. Acabei a cerveja, deu um medinho por eu ter aceitado... Ele tinha namorada e estava indo pra casa dela! Ufa.
Cheguei na rua e meti um louco como de costume com o celular. É patético mas eu faço, sabe, pegar o celular e ficar conversando com o nada, com alguém da sua cabeça, aquele melhor amigo perfeito que sempre fura com você, fala que vai e nunca vem, exatamente porque não existe.
Entrei na fila, já levemente alegre, deixo de ser tímida e fico sociável... Converso com algumas pessoas, digo o meu nome e elogio o que tiver pra elogiar. Sei lá, gosto de falar bem e principalmente de ter o que falar. Falamos sobre meu cabelo, sobre meus olhos, sobre a cartola que eu comprei, sobre a marca da tinta que eu uso, sobre política, sobre homens cabeludos (que eu não gosto) e barbados (que eu amo). Entramos, não pediram meu RG e ainda o ofereci. Tudo certo... Até ganhei um brinde, um mini-caldeirão de plástico preto, tão fofo e cheio de chicletes plutonita com aquele ácido sulfúrico que borbulha na língua, uma delícia. Masquei os chicletes, sequei uma caipirinha e fui pegar meu Jägermeister, que nem o nome eu sei dizer, nem sóbria ou bêbada. Bebi, adorei, quase morri só de pôr em meus lábios. Eita.
Fiquei meia hora enrolando com a mina que queria beber e não tinha grana... Eu ia beber cerveja, ela não queria, então problema dela. Não queria fazer barriga porque ia á academia... Minha barriga tá aqui, ela não sai mesmo, então deixa. Até parece que eu ia largar minha breja por causa do corpo, que se foda o corpo. Finalmente um doido lá apareceu e ela pediu um drink gay... Não me lembro o nome mas tinha suco, vodka e campari. Tava muito gostoso, isso não podíamos negar. Ela ficou meio bravinha pois eu matei o jegamaista e não lhe dei o ultimo gole. Vai se foder, né?
Pra que o estresse? Vamos pra pista. Oomph! Dancei freneticamente "Der Neue Gott" como se não houvesse nada e nem ninguém me observando. A carteira na mão incomodava um pouco mas era o de menos. Eu não me lembro exatamente da sequência dos fatos exatamente, mas eu fui e voltei pra lá umas três vezes entre idas ao banheiro e ao bar. Até que trombei sem querer um cara bem, bem, bem cheiroso. E ainda mais a galerinha hesitou até demais quando nos olhamos e somente isso foi o bastante pra iniciar o que seria a melhor canseira do ano.
Fui pra perto dele e ele me envolveu em seus braços. Me vi logo ilhada, abraçada por um aroma amadeirado que transbordava masculinidade. Fazia tempo que não sentia esse tipo de cheiro peculiar. Os quadris se completavam, quando não pra frente, pra trás, pros lados, colados. A barba arrasava meu pescoço e não demorou muito pra que eu me entregasse... Barba, cheiro, os braços, ainda que finos, aconchegantes. A boca... Meus Deus, que boca. Maldita permissão que dera involuntariamente, dessa de correr do meu pescoço pra orelha, numa perversidade quase diabólica, sim! Ele sabia e muito bem o que estava fazendo.
E me encostando nas caixas de som, - detalhe que a bebedeira mínima já não deu a mínima se eu poderia ou não ficar surda, - levantou minha saia e tirou a meia calça do caminho. Dá-lhe mãos, dedos, gemidos como consequência. E quanto mais gemia, mais o desgraçado o fazia... Que inferno. Vamos pro carro! Mas espera, nem vi a sua cara direito... Espera aí. - E agarrei sua cabeça como se fosse uma bola de futebol, contemplada para a luz, observei. A barba, muitos traços no rosto, um olhar embriagado e um sorriso de achar graça na mina bêbada que não enxergava muita coisa. Quantos anos vocês tem? Trinta e cinco. Gozei.
Tentei estabelecer um diálogo rápido. Sempre brinquei com alguns amigos próximos e até mesmo com a minha mãe de que, eu nem pra prostituta serviria. Eu gosto de criar um pequeno vínculo... Saber um pouco daquele que daqui há alguns minutos vai tirar minha roupa e usar dos buracos do meu corpo, nada mais justo. Ele era taxista! Eu ri tanto quando vi o taxímetro e falei, pensando alto demais "um taxista gótico". Claro, super estranho. Gosta de Velvet Revolver, ou "guns sem o Axl" como ele mesmo definiu. "Você costuma trazer garotas pro seu carro?" - Perguntei, lesada. Ao dizer que não, eu retruquei que também não tinha o costume de entrar no carro de estranhos. E aquela resposta veio, bobo, me disse que "pra tudo tinha sua primeira vez".
Deixou a Kiss FM tocando no rádio do carro. Olhou pra mim depois de afrouxar o cinto das calças, como se esperasse que eu fizesse o mesmo. Desarmei o coturno (deu um trabalhão...), tirei a meia calça e o colete... O chapéu, cartola, seja lá que diabo eu comprei pra usar, depois de quase perdê-lo, deixei-o em cima do porta-luvas. Ele veio firmemente pra cima de mim, abaixou o banco e abriu minhas pernas. Que facilidade... Nunca vi alguém tão ágil, sim, pois eu gastava tempo só pra começar e ele não, mais direto ao ponto impossível. Não vi minhas unhas cravarem em suas costas, mas me dei conta de quanto eu pudia tê-lo machucado quando ele tomou minhas mãos e as posicionou atrás do encosto do banco.
Eu achava incrível a sua mobilidade... De como fazia acrobacias infinitas pra caber dentro do carro e dentro de mim. E nessas de me meter a acrobata, acabei fodendo o joelho... Banco de couro, carro quase de bacana, uma educação fora dos nossos estereótipos estabelecidos pra quem a gente conhece da zona leste de São Paulo. E lá se foram minhas energias. Gastei tudo o que tinha pra gastar, a bebedeira, suadeira, o prazer, ah, e sempre a adrenalina de correr riscos, de se entregar pra um estranho qualquer e estar á mercê de que, ele pode muito bem á qualquer instante parar num beco e te obrigar á descer... Acabou! Ele teve a educação de me deixar no metrô ás 3h40 da manhã, não sem antes estacionar (o quê? ele estacionou? que medo!) e nos deixar de frente pra um muro que escondia o matagal. Onde estávamos? Não sei, só sei que gastei a mandíbula mais uns dez minutos antes de sair e ainda recebi um "tchau, flor" de consolo. Porra, nem vai me dar seu telefone?
Aonde é que eu vou arrumar um taxista gótico, um homem experiente em número, gênero e grau, cheiroso e magricela, com vários centímetros? Digo, de altura, por favor... Aonde?
Pois bem, acredito que hajam primeiras vezes mas, coisas boas desse jeito, somente uma única vez. Assim como há primeiras pessoas, primeiros carros, primeiras fodas e primeiras boas fodas. Vulgar demais da minha parte ou não, também é a primeira vez que falo abertamente disso. Compartilho o que é bom, pra mim, e que pode ser entretenimento pra vocês. Inspirador até, quem sabe, você não busquem mais primeiras vezes?
Aquela parada de se perguntar "quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez" é real. Já se perguntou? Eu não paro pra fazer esse tipo de coisa não, digo, me perguntar. Vou lá e faço e já era. Já tentou isso. Pois tente! Pra tudo há uma primeira vez. E dessas, primeiras ações, primeiros conhecimentos, que geram outros primeiros casos, assim como não é a primeira vez que eu te enrolo tentando acabar um texto.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Ingratidão Mais-do-Mesmo Diferente

Eu sou aquele tipo de pessoa que se cansa muito fácil das coisa, enjoa muito rápido das pessoas e, nada tá bom pra mim. Nunca é o suficiente. E eu juro que tento lutar, todos os dias, pra reverter esse tipo de situação.
Sabe, crescer é um saco. Eu estou odiando cada vez mais, ter que segurar minhas broncas, ter minhas responsabilidades... Tô me odiando cada vez mais. Sim, pois sou algo politicamente correto, quase irritante de tão certinha. Sim! Eu sou. E as pessoas cada vez mais acham que eu estou ficando louca. De certa forma, isso me assusta... Tá ligado como funciona: algo que é dito muitas vezes deve ser verdade, e se não é, acaba se tornando.
Eu ando cansada. Na verdade, ando sofrendo por antecedência, só por imaginar que saco vai ser minha vida: trabalho, faculdade, casa, trabalho, faculdade, casa (repete por 6 vezes na semana), folgas para: curso de gestão, curso de filosofia, aulas de canto, aulas de boxe. E voltamos ao trabalho. Caralho!
Eu sinto que meu verdadeiro problema não é a ansiedade mas, sim o pessimismo. Sabe por quê eu fico estressada em pensar na minha rotina? Porque eu sei que vai dar tudo errado e não vai adiantar de nada. Vai dar errado eu não sei porquê, mas vai. Pelo menos é o que a minha cabeça me grita. E sabe além do mais, por quê eu não fico feliz com a presença de algumas pessoas? Porque já sei que vai dar errado em alguma hora, muito próxima. Eu não posso me apaixonar, não posso tê-lo como amigos, não posso criar expectativa alguma, até porquê tá tudo muito claro: sem compromisso, sem namoro, sem nada.
É cansativo, pensar. E eu estou exausta. Não tô afim de nada... Não quero me decepcionar, como inúmero vezes. Sinto que meu estoque de paciência ou afeto, possa ser comparado á uma loja de perfumes, em que muitas pessoas passaram pra saquear e quebrar tudo com tacos de beisebol. Sinto isso dentro de mim, uma bagunça eterna, pior do que meu quarto pois, não sei por onde começar para arrumá-los.
Eu penso muito no que iria dizer caso eu me matasse. Sim, se matar tem um porquê e eu gostaria muito que esse "porquê" fosse dito, lembrado e considerado. É um problema meu, se eu vou ou não queimar no inferno, se é que ele existe. Enfim... Sinto vontades estranhas, já tem uns tempos aí.
Queria mudar meu nome, queria ter uma vida dupla. Queria ter dois empregos, trabalhar de madrugada... Seria perfeito pra mim. Queria dormir de dia, não queria mais nem saber de que cor é o sol. Queria parar de fumar e de beber. Queria ter meus cabelos longos e vermelhos de volta... Queria emagrecer e queria parar de comer tanto. Quero fazer todos esses cursos, mas é só pra ter um currículo, pra ter trabalho e ter dinheiro. Mas que merda! Será que tudo vira em volta do dinheiro? do bom currículo, do status social que você exerce sendo um bom cidadão? Aparentemente sim.
Por um lado, até que esqueci deixar pra trás as desavenças e as pessoas, o que me fazia mal. Mas é só o começo. Tem muita gente ainda que, eu preciso deletar de uma vez, começar a ignorar, sei lá. Mas são muitas.
Me diz, como eu posso não sofrer por antecedência, com uma pessoa chamada "pai", me dizendo que vai infernizar minha vida a partir de segunda feira? Ele me disse isso numa sexta á noite! Porra! Pra quê? Ele estava bêbado... ok. Mas isso explica um pouco as lágrimas que saem involuntariamente e minha perna direita que não pára de balançar. Fora os longos suspiros que dou antes de começar um novo parágrafo de reclamações.
Eu cheguei a comentar com ele, meu pai, sobre o  evento que participei na minha escola de filosofia. Acho que nem cheguei a escrever disso. Não sobre as palestras incríveis mas, sobre a minha experiência pessoal no acampamento. Foi ruim, como sempre. Pois, como sempre, eu esperei algo bom e isso não veio. Como sempre criei expectativas e me decepcionei, como sempre. Achei que finalmente eu me sentiria em casa, com gente que gostasse de falar das coisas que eu conhecia, sobre papos cabeça, sobre coisas interessantes e emocionantes... Mas lá estava eu, comendo maçã em volta da piscina, cantarolando canções britânicas. Sozinha. Pensando em nada... Tendo uma paz triste e melancólica. Ou na cama, com uma lanterna enfiada no queixo, virada pras páginas do meu livro favorito, enquanto se preparavam pra uma caminhada noturna, a qual eu fui convidada mas, não quis ir. Não eram só os insetos... Eram as pessoas. O meu não contato com elas... Isso me incomoda demais. Incomoda ainda mais, não saber como parar com isso. Simplesmente ser, e aceitar ser, uma antissocial. O óleo da água. O joio do trigo.
Uma vez me peguei pensando em escrever uma tese ou fazer mesmo um estudo, uma pesquisa, algo assim, pra poder falar, dessa coisa da gente não aceitar mais nada das pessoas que "devem" pra nós. Um exemplo master: Minha mãe. Eu não quero mais o carinho dela... Eu simplesmente não consigo aceitar, é uma rejeição automática, para seus beijos e palavras doces. Eu penso "pára com isso, que saco!" - E é um tempo perdido. Agora, imagine de quantas pessoas eu sinto essa mesma rejeição, quase um nojo... Pois é.
Certa vez eu tive uma lâmpada na cabeça enquanto conversava com Marina. "E se a gente não fosse egoísta, como seriam as coisas?" pois, todos somos... Eu, ela, Thiago, Victor... Minha mãe. Meu pai... Sei lá, todo mundo. Eu tenho moral pra falar de egoísmo pois, eu sou sua personificação. Nunca me vi tão apaixonada por pessoas como sou hoje. Lógico, hoje eu não tenho mais saco pra fazer cartinhas de amor e declarações bonitas, fora que, macaco velho não mete a mão em cumbuca e, eu já sei aonde é o meu lugar: amante. Ou só uma aí, de várias, de cinco ou mais. A mais gostosa, a mais tesuda, pode ser... Disso eu não duvido, mas, do que adianta? Aliás, e se desse certo, exatamente como eu queria? Ah... Eu teria que escolher. Qual dos três atualmente me levaria pra casa num dia de chuva? Qual dos três levariam meu coração e colocariam uma aliança no meu dedo? Qual deles viria aqui almoçar com meu pai, falar dos planos de vida deles e aturar meu pai contando a sua história de vida toda? Eu sei, nenhum. Não é porquê eu não quero, é por dois motivos: Primeiro que, nenhum deles quer nada, absolutamente nada comigo. Outra que, eu sinceramente não saberia escolher.
Num mata-mata, um sairia fácil... Sabe, critérios de eliminação? Tipo isso. As pessoas vivem inventando desculpas pra dizer que não podem segurar um relacionamento. Claro, depende de muitas coisas. Assim como eu disse pra Marina (eu digo muitas coisa pra ela, ela me atura...), uma frase de um velho amigo que tive, "você não pode ajudar aos outros se não ajudar você mesmo". Porra, eu vou morrer sozinha pelo vista, não é? Eu me odeio, isso é fato consumado. E não tem o que se comentar disso. Não é porquê passei minha infância toda ouvindo coisas a respeito do meu corpo, apelidos como "baleia assassina" ou "saco de areia". Não é porquê todas, exatamente todas as minhas paixões foram um desastre pra minha autoestima. O buraco é mais embaixo e essa coisa infantil de botar a culpa nas coisas que os outros me fizeram, já tá batido. O problema é meu. O problema sou eu.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Sobre os Rótulos e as Velhas-Novas Revoltas

Eu não sou planta pra criar raízes. Quero criar um legado na literatura.
Quero saber pra que porra eu vim ao mundo.
Eu não vim só pra sofrer por amor, pra ser tratada feito lixo, feito uma vagina descartável.
Eu não vim pra seguir essas merdas de padrões, não quero cabelo liso, não quero corpo magro.
Eu quero é que todo mundo se foda, inclusive ou, ainda mais, principalmente, os que dizem ser meus amigos e não fazem merda alguma por mim.
Quero respirar sem aparelhos. Quero respirar sem sentir a garganta presa e o nariz entupido.
Quero comer o que me der vontade, morrer de gula, de alcoolismo e tabagismo.
Sabe? Quero dormir até três horas da tarde sem ter um único filho da puta, falando que o dia tá lindo lá fora, "sai dessa cama", foda-se a porra do sol. Eu odeio calor, odeio a luz, odeio as pessoas de dia.
Quero viver de noite. Ser um morcego, um vampiro, um demônio. Me aliar ás trevas e me alimentar da maldade do olhar dos outros, dessa malícia nos lábios úmidos. Dos chupões nas línguas desconhecidas, ao entrar nos carros de gente que sequer conheço.
Quero me vestir do jeito que eu achar melhor. Transar com meninos e meninas, ter cabelo curto com gel e passar batom vermelho, sem ter que ficar explicando que eu sou um homem. Eu sou mulher, por fora, mas sou um homem lá dentro. Tive que vir pra cá como menina, pra poder aprender mais coisas que não fiz nas vidas passadas.
Quero ficar sozinha, apenas pela minha capacidade de amar quem me faz mal. É, fico sozinho. Vago numa boate ou outra, entro no bar e bebo quantas eu puder pagar. Como aqueles petiscos escrotos, converso com os velhos babões e recebo cantada dos balconistas. Fumo dois cigarros um atrás do outro porquê eu quero morrer. Minha vida é sem futuro, sem graça, sem afeto, sem esperança.
Eu vivo é de ansiedade e curiosidade, principalmente. Eu vivo de achar que vou publicar um livro. Eu vivo de achar que posso ser feliz sozinha. Vivo de achismos, sem certeza de nada, só sabendo de que eu não sei de nada.
Eu tenho nomes. Marcela, Beatriz, Beatz Prince, Diana Lihn. Não bastava ser Beatriz, tinha que ser Bianca, também. Sabe, escrevo assinando outra coisa pois, Beatriz não é isso. Beatriz é a personagem louca de uma história dramática e suja, besteirol até. Diana Lihn escreve essa merda toda e a trilha sonora é por conta da Prince. Marcela é quem conversa com ela. É a Beatriz melhor resolvida, que estuda filosofia, querendo botar a cabeça dessa filha da puta no lugar. Beatriz é o que eu não quero mais ser... Que se mata a cada gole e tragada, e ao imaginar o sangue correndo sob os cortes, cicatrizes.
Olhos verdes secos, que não sabem mais chorar, de olheiras lindas. Cabelo sem cor, enrolado, armado, solto, bagunçado igual meu quarto, igual minha cabeça, igual meu coração e minha vida. Oitenta e poucos quilos de raiva, fúria, revolta, libido e loucura. Eu não tive pais. Eu não tive paz. Desde quando eu nasci.
Sabe o que cabe dentro de tanta raiva? Medo. Já viu? Os bichos que se sentem encurralados, atacam, maioria deles, pelo menos. Sou um bicho. Uma bicha. Vagabunda, vadia, se atraca sem dó pro cara que namora há mil anos e não larga da corna. "Ele vai fazer o mesmo com você". "Ele nunca vai te assumir". "Ele não gosta de você como ele diz". - Ás vezes me confundo, de quem é que está dizendo isso: Eu ou os outros?
Trabalho pra ganhar a porra do meu pão. Pra gastar nas baladas, pra comprar perfume, creme hidratante, lápis de olho, rímel, coturno, roupa preta e batom vermelho. Gastar em restaurantes, com comida chinesa em casa, feijoada aos domingos e miojo no resto do mês. Gasto com um ônibus que viaja todos os dias, de uma cidade pra outra, pra chegar no meu auge. Esse centro, de energias loucas e potentes... São Paulo! Caralho, é um orgasmo falar teu nome!
Tô me preparando, não pra sair de casa mas, pra ouvir o choro e o dengo do meu pai. Eu não queria ver ou imaginar isso... Mas vai ser (de novo) doloroso ouvir coisas do tipo "quero ver quando voltar com o rabo entre as pernas pedindo arrego". "Você acha que o mundo lá fora é legal, que essa liberdade é linda." "Você não sabe viver sem mim, é uma ridícula que não tem faculdade acabada, que não sabe o que quer da vida e só quer fazer o que te dá na telha." "Você não pensa, depois que se fode, acha ruim e culpa Deus e o mundo". - Ás vezes me confundo, quem é que tá me julgando: Eu ou meu pai?
Estou vivenciando aquele tipo de capítulo chato do livro, porém essencial para o entendimento e desenvolvimento da história. Aquele capítulo demorado, monótono em que nada acontece ou, está previsível demais: Você vai se foder de novo!
E sabe... É tão previsível! Por mim mesma, porra! Eu é quem estou escrevendo esse caralho! O que é que você acha que vai dar, amando alguém que não te ama, iludindo gente legal e suportando coisas insuportáveis? Porra, tu vai enlouquecer se não mudar essa vida, ou essa linha. Pára de achar que você tem que suportar essa merda toda, calada! Tu não tem que ouvir desaforo de ninguém, não tem que aguentar uma gorda maquiada, filha de uma puta, falando histérica com você sobre meio litro de leite fervido. Você não tem que correr, apressar as coisas pra vagabunda que tem dois filhos de pais presos, voltar logo pra casa. Quer saber? Tomaram que leiam essa porra e me processem, ou me batam da empresa pra fora. Manda teus namorados traficantes virem me dar um cassete, quem sabe até rola um estupro, pra aproveitar e meter na "sapatona" que é mais gostosa que vocês, não é verdade?
Eu quero respirar. Me sinto morta. Cadê a porra dos meus sonhos? Você acredita que eu disse que não quero mais cantar? Sim, mas já faz tempo. Eu disse que talvez não queria mais subir aos palcos mas, queria publicar minhas obras. É cada uma que eu escuto... As vozes na minha cabeça e mais as pessoas malditas de fora. Você não tem absolutamente nada a ver com a minha vida. Se a de vocês é puramente má resolvida, vão se foder, de verdade. Vão dar o cu, dar uma gozada, é isso o que falta na merda de vida de vocês, ao invés de ficar me infernizando com esse medo d'eu ser melhor que vocês e ganhar por isso, financeiramente e experientemente falando.
Paralelismo. Viver num mundo e depois em outro? Depois que comecei a estudar filosofia, senti o quanto minha máscara pesava. Achava até que já tinha me despido dela mas, na verdade nunca a tirei. Ou será que eu sou mesmo aquela menina tímida que não conversa com ninguém, come maçãs na beira da piscina com um vestido preto, se equilibrando pra não cair das guias envolta a quadra? Tenho um ar de medrosa, inteligente e observadora, mas o que ninguém imagina é o quanto de peito que eu tenho pra levantar todo dia dessa porra de cama e botar a cara pra fora; ninguém imagina o que é estar á sombra de um cara que fez duas faculdades, sendo uma de graça, sendo que eu mal fiz uma, não estudei, tenho que pagar quatro mil e quinhentos reais de qualquer forma e já tô trocando de curso. Vai bater palma pra mim ou me atirar pedras? Faz o que você quiser, pouco me importa. Eu já tô fudida e não é a sua alegria em cima da minha desgraça que vai me desgastar.
Acho que tá perto aquela hora que finalmente eu não vou mais me importar em amar pessoas que nem sabem o que eu faço diariamente. Daquela que, quando eu ligo, dizem "nossa, você não gosta mais de mim, me esqueceu, o que é que eu te fiz?" - Porra, é claro, estão todos mais-que acostumados em ver a otária de arrastando e implorando um mínimo de atenção.
Tô ocupada demais pensando em mim. E o que eu digo pra você que se encontra na mesma situação que eu (sem amigos, sem pais, sem grana, sem futuro e sem fé), simplesmente meta a cara e faça qualquer coisa pra se manter de pé. Não vire um verme como seus conhecidos, não vire um ingrato feito os teus "amigos" e nem fique revoltado como eu, mas viva. Tô falando de respirar sem sentir dor, sem sentir os olhos queimarem com aquela vontade de chorar o que não tem pra chorar. Tô falando de ouvir uma música e cantá-la gritando, e estar pouco se fodendo se é uma música conhecida ou a b-side da sua banda favorita. Tô falando de ser você.
Viver numa sociedade onde ter liberdade de expressão interfere gravemente entre a vitimação e a violência verbal. No mesmo tempo que eu te agrido, eu sou também a coitadinha, sou uma minoria, um oprimido e bla bla bla. Reage, porra! Não há movimento que intervira pelos teus direitos do que tirar a bunda da cadeira e cruzar portão á fora, á procura de algo que te faça no mínimo, se sentir alguém importante. Digo pois, não é meu sonho ser atendente de cafeteria, mas sim porquê vale a pena ter uma correria num dia todo, fazer tapiocas e cafés caros, pra ouvir de clientes "parabéns, estava ótimo".
Fazer o que gosta, digo, trabalhar no que gosta, é coisa pra gente esforçada e com foco. Já viu alguém dizer "quando eu crescer, quero ser arrumadeira num motel"? Pois bem. Eu sou uma pessoa sem foco, desligada, distraída e com deficit. Eu não tô me pondo pra baixo, tô falando a verdade, tô desaba(fa)ndo. Uma coisa é clara, tudo está em declive daqui pra frente ** - Porra Josh, você até parece que estava prevendo os meus dezoito anos. Mas quanto mais eu penso que caio, estou sempre de pé. Meio curvada, de péssima postura e de péssimo vocabulário, mas sempre orgulhosa o bastante pra não meter uma faca no peito, olhar pro espelho e dizer mentalmente "obrigada por ser quem você é".
Sabe porquê eu aceito essa condição imbecil? Simplesmente eu tô acomodada... Tô ocupada demais resolvendo a minha vida e, já que você não tá afim de olhar pra minha cara, de falar direito comigo, de conversar feito homem olhando nos meus olhos (que te olhariam com a mais terna compreensão do mundo), tá bom! Tá tudo bem. Você também tem a merda dos seus problemas, a Marina tem os problemas dela também e eu faço tripas, coração, pra manter ela de pé. Assim como eu tiro força do lugar inimaginável (pra não falar, do ânus), pra manter minha mãe um pouco feliz. Vale a pena me sacrificar por elas, e, ainda que não valha a pena, morrer de amor por você, eu morreria. Eu daria tudo pra minha felicidade ser sua também, e te dar toda força do mundo, pra te ver sorrir, forte e viril, gente grande. Mas ok, continua fazendo mal uso do meu amor. Talvez seja um brinquedo que você não sabe usar direito.
O bom de tudo isso é a falta de arrependimento. Ele vai se esvaecendo, se esmigalhando igual farelo de biscoito velho, até que não está mais ali, tipo dormir todas as noites, ás três e pouco da manhã e perder a hora dos compromissos que você tem de manhã. Foda-se. Já tá tudo errado, vamos foder mais ainda, o que eu tenho á perder? Nada.
Eu quero respirar... A tremedeira da noite passada ainda tá correndo, a adrenalina. Fiz coisas demais, me desafiei e cumpri minha parte. Satisfatório? Nunca... Pra mim, nunca o suficiente. É um lema, lembra? Never Enough. E vai dar certo? Também não sei. Mas que eu vou estar com sangue nos olhos e punhos cerrados pra bater de frente e esmurrar mais duzentas pontas de facas, isso sim, eu estarei. Eu não desisto. Sou teimosa demais, ansiosa e curiosa demais. Tô afim de virar a página e acabar esse capítulo logo.
É... E eu que pensei que ia ficar tranquila com quase dois mil reais na conta. Pois bem, dinheiro não traz felicidade, piorou, tranquilidade. Dinheiro emprestado, né? Grande merda.


** Verso de "Like Clockwork", Queens of the Stone Age.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Arroz de Forno Feito no Microondas

*Texto escrito no dia 9 de Janeiro de 2015

Foi uma semana estressante pra mim, aliás, está sendo. Victor não me responde, simplesmente visualiza minhas mensagens e tá tudo certo. Estou sem internet, tenho uma entrevista de emprego marcada pra esta manhã e, nem sei do que se trata, pois estava na lan house e agendei bem na hora em que meus créditos iam se acabar. Fora meu pai, que me ligou dizendo que a tal empresa, não a terceirizada, mas a qual eu trabalharia se passasse, disse que eu devia entrar em contato com ela e mais algo de entrevista no dia 13. Puta que pariu, se já não bastasse meu pai, que não sabe nem anotar um recado, pegar um número que seja, tem também a porra do tempo e do dinheiro que perderia indo lá pra ouvir "sua entrevista é só dia 13". Mas eu nem sei por qual cargo irei lá reivindicar. E ainda tem o maldito resultado da faculdade, que eu não sei se passei, não sei quanto de desconto eu ganhei... Não sei de nada. Não consegui acessar o site pela lan house. Lugarzinho escroto.
Por um lado, as ressalvas da semana tem sido meus livros, meus cigarros e... Acho que os dias que gastei muita grana do meu vale refeição. Comer bem é uma dádiva, mas não dura muito pra quem é gordo, tem ótimo paladar e ainda quer ser metido a rico, sendo peão. Estou engordando, sabia? E não como absolutamente nada de comida. Arroz, feijão, não sei mais o que é um bife... Que delícia, me deu água na boca. Pois bem.
Cheguei em casa na esperança de que meu modem estivesse com bom sinal. Nada feito. Há dias que o sinal dsl anda piscando freneticamente, coisa que não devia fazer. E liguei umas 20 vezes na central de atendimento do telefone, e eles fizeram teste, marcaram visita técnica (pro horário que eu estaria no trabalho), e graça a minha SUPER inteligência, marquei uma visita exatamente na porra do horário em que eu estarei na minha suposta entrevista esta manhã... Parabéns, Beatriz. Eu não vou ligar lá de novo pra ouvir musiquinha alta e estridente no ouvido. Estou com preguiça, e nervosa, tremendo.
Como o modem não funcionou, larguei tudo aqui: fios, alicate, tomada, computador... Larguei. Antes que eu perdesse o tesão de terminar "O Inferno de Gabriel". Mas não sei que caralho fui fazer lá embaixo que me lembrei bem na hora, do meu pai me dizendo pelo telefone hoje a tarde "...e passe minhas camisas, não tem nenhuma pra eu ir trabalhar". Ah, meu Deus, ele tem tanta preguiça. Fui passar... No começo tava tudo bem, ou mais ou menos... Me irritei com o calor desse verão ridículo, me preocupei ao ver uma barata branca, morta debaixo do buffet, pois, se há um filhote, deve haver um criadouro ali bem perto. E pra acabar de foder, uma borboleta, mariposa, morcego, sei lá que desgraça era aquilo... Gigantesca e assustadora, estava na parede da escada. Porra, eu tenho horror á insetos, principalmente dos que pairam no ar de alguma forma... Aranhas, baratas, mesmo sem asas, baratas... Caralho, como eu tenho medo de barata, na moral.
Desci as escadas, agachada, pra ela não me notar. Deu certo. Fui passar a roupa e como disse, estava irritada com o calor, suando feito uma porca. Passei uma, passei duas e pensei "como o Victor deve estar?", olhei pro meu vestido que, já havia escolhido para usar nesse domingo que sairia com ele, ou vou sair, já não sei mais também... Passei três, bati com fúria e fervor, ambas as mãos fechadas em murro na tábua de passar e joguei o ferro. Que ódio! Vidinha de merda, de passar roupa pra esse idiota! Que raiva que eu estava do meu pai. Do Victor, do mundo, do meu emprego, da incerteza da entrevista e principalmente, de mim.
Terminei de passar as camisas com certo amargor na língua. Já tinha dado chilique no quarto, antes de descer e ver a borboleta-morcego e antes de constatar que o modem ainda estava a mesma merda. "Joga uma barata na minha cabeça, sério." - Pedi a Deus. Ao ouvir o barulho dos morcegos (de verdade, ou não) dentro do forro do quarto, recuei na parede, fechado as janelas e olhando em volta "tá, eu tava mentindo, não faz isso não". Não tinha uma só coisa que eu tenha resolvido nessa semana. Foi o que disse pra mim quando pensei no boleto vencido da primeira parcela da faculdade, no telefone do advogado dos meus pais, na matrícula na universidade nova, no meu bilhete escolar perdido e no vale transporte da empresa num cartão fantasma que não conhecia. Tanto dinheiro, cara, quase seis reais. Andar para o centro de São Paulo então? Era 5,80 duas vezes, mais 3,50 duas vezes, senão mais. Dinheiro pra caralho. Praticamente, estava ganhando o salário pra ir trabalhar. Cancelei todos os shows que iria, até do cover do Rammstein que tanto queria ver... Cancelei. Não posso deixar de ter dinheiro pra ir trabalhar, preciso trabalhar, preciso ganhar aqueles 200 paus que perdi nas 3 faltas. Preciso pagar minha faculdade anterior, voltar aos cursos, resolver essa dívida, fazer uma nova (a matrícula... meu Deus, a matrícula...) enfim. Não quero falar mais dos meus problemas.
Tirei a roupa numa agonia sem fim e fui pra baixo do chuveiro. Encostei a cabeça na parede com as mãos no rosto, como uma narcótica nos filmes americanos, ou como uma apaixonada qualquer que fica ali debaixo d'água remoendo seus sentimentos não correspondidos. Em parte, sim, eu era uma apaixonada doente mas quase correspondida. E quase uma narcótica... Pra sair de lá pensando em fumar quinze cigarros, se não for narcótica, eu não sei o que é. Me lavei, o rosto com mais intensidade, com aquele sabonete que promete tirar cravos e espinhas, conforme minha pele está cada vez mais estourada de acnes. Quando saí, me senti insignificavelmente mais calma, mas já era alguma coisa. Vesti minha samba canção sem calcinha, minha blusa cinza favorita de alças sem sutiã. Queria estar á vontade, ainda que em casa, eu não me sentia mais assim, há muito tempo.
Dei uma olhadinha na barata branca, na borboleta no pé da escada, voltei pro "quartinho", apaguei a luz e cruzei o corredor pra cozinha.
Andei lendo muito Bukowski. Ao entrar a na cozinha e começar a tirar as coisas do lugar pra poder limpar, lembrei-me de uma trecho que passei os olhos correndo quando recebi o livro pelo correio e o folheei. Dizia algo como comparar a personalidade e a paz de espírito das pessoas, vendo o estado da cozinha. Puta que pariu, Buk! Se você visse minha cozinha, iria me matar. Bem que ele disse que homem com cozinha bagunçada era uma coisa, mas mulher... Era uma caso sério. Só me lembro disso. Não li o resto. Eu ia fazer arroz de panela normal, pois o de panela elétrica era horrível. Mas vi o fogão... Que coisa nojenta e deplorável! Caralho, vou ter mesmo que limpar isso aqui? E meu arroz, vai demorar tant... Tem arroz na panela elétrica, ainda morno... Eba. Então, sim. Tirei tudo, a panela da pipoca de ontem, a frigideira de 2 meses do frango do meu pai e as grades e os disquetes. Limpei sem vontade mesmo, até que dei uma esfregadinha mas nada sério. O pano da pia, aquele estranhozinho, fino e colorido que compramos pra secar depois que lavamos louça, estava seco e sujo, como tudo ali em volta. Sinto vergonha de dizer, aliás, escrever isso mas tô pouco me fodendo. Não trago ninguém em casa mesmo, por essas e muitas outras. Sabe quando você o enxágua quinze vezes e ainda sai água com alguma cor? Estava assim. Mas bastavam 4 que ele já melhorava. 4 e vai lá passar no fogão, pra tirar o detergente e o limpador multiuso. mais quatro, mais quatro, umas seis vezes. Botei tudo de novo, as grades, não lavei os disquetes, limpei o vidro igual minha cara e coloquei a panela de pipoca e a frigideira. Estava bem melhor, ou bem menos pior.
Comecei a dar um jeito em tudo ali dentro. Temperei o frango que já estava virando o ano conosco, com balsâmico, páprica e açafrão. Fervi o feijão, que já estava cheirando azedo, como a geladeira toda. Troquei as tampas das panelas que estava na geladeira, com esse feijão e um leite em pó com água que meu pai insistia em fazer pra beber... Era horrível. Logo mais teríamos qualhada. E tudo ficou bem menos pior. As louças com água, coisas fechadas na geladeira, nem tudo estragado. Cheirei o molho parmesão de não sei quantos meses, talvez três, e estava divino! Coloquei no pratão de arroz que fiz. Quem sabe milho? Será que tem? Só tinha molho de tomate. Seria uma boa, já que o feijão não me agradou. Tem queijo ralado, um aberto. Mas tem um fechado e é melhor jogar esse outro fora, não custa nada e, o outro está dentro do prazo de validade. Coloquei, quando vi o resultado, até fiquei feliz. Parecia um arroz de forno, daqueles que você coloca molho branco por cima e gratina com queijo ralado e depois mais molho e mais queijo! Felicidade, comer arroz.
Até um suco tang de laranja, o meu favorito, eu achei pra fazer! Mas morreria de pneumonia com a pedra de gelo que estava dentro da garrafa de água pra fazer suco. Meu pai e essa menopausa dele. Pronto. Deixei até a água e o café postos na cafeteira pra ele fazer daqui a pouco de madrugada, com um bilhetinho idiota, avisando de que temperei o frango, fervi o feijão, não se esqueça de tampar as coisas, ferva o leite, e não me lembro o resto. Bom trabalho, Bia.
Subi, tchau barata branca, tchau borboleta-morcego. Tchau? Não! não venha me saudar, porra! Saí correndo corredor a dentro, quase que o prato se espatifa todo no chão com o meu arroz, e meu suco gelado. Girei a maçaneta no desespero, enquanto a luz oscilava nas minhas costas, por causa das asas de drácula daquele monstro voador. Entrei no quarto na maior penumbra. Pensei numa barata correndo na parede e quando acendi a luz, vi uma heroica lagartixa grudada na parede. Linda, fique a vontade.
Sentei na cadeira do computador, de lado pra ele, trêmula pelo susto, e fui comer meu arroz. Beberiquei o suco, estava com fome... E estava feliz por saciá-la. Pelo menos algo aqui e agora, tinha que se dissipado. Ficou perfeito... Faltou o milho mas, estava gostoso mesmo assim. Eu busco sempre pelas coisas perfeitas mas nunca as consigo pra mim. Como o milho pro arroz. Como o Victor. Mas estava bom, mesmo assim.

P.S.: Obrigada, Hank. Essa é pra você, também te amo.