quinta-feira, 19 de junho de 2014

O teu nome aqui.

As vezes me pergunto se no meio desse nosso relacionamento, tem algo realmente diferente dos outros que eu ou você já teve anteriormente.
Eu não devia acreditar em uma só palavra sua. Isso nem é porquê você não leva nada a sério, é mais por saber que você é um crápula desgraçado que adora manter várias mulheres aos seus pés e, inevitavelmente acho que sou mais uma.
Eu já não sei mais o que posso fazer pra poder tentar entrar no páreo e vencer essa porra toda. Amor não é uma competição, nem a paixão e nem sentimento algum mas, se você acabou de pensar isso de mim, peço educadamente que você vá pra puta que te pariu. Aliás, que história é essa de você saber que eu te odeio? Você pensa que me conhece ou já está convicto que sabe me decifrar muito bem? Porra, olha pra mim! Não tá vendo o papel ridículo que eu tô fazendo? Bem... Eu já entreguei os pontos.
Me assumo como apaixonada na frente de todo mundo, eu não quero mais ninguém e ainda falo pra quem vier me perguntar: Se não for pra ser o crápula, eu não quero mais ninguém. Eu sinto um ódio tão grande de tudo isso... A paixão faz as pessoas sentirem ódio, e ainda mais eu que sou uma pessoa cheia de raivas.
Fiquei espantada quando o meu professor de filosofia disse que os nossos problemas se dão á quantidade de egoísmo que temos dentro de nós. É sério, eu estou chocada até agora pois eu realmente não sei aonde estou errando.
Na verdade eu sei.
Eu só não queria que as coisas fossem assim. Eu queria você pra mim e somente pra mim.
Eu queria ser magra mas eu gosto de cozinhar e comer.
Eu queria ser mais dócil com os meus amigos mas não consigo.
Eu queria te ver mais vezes, eu queria você.
Você é o meu problema. Você e essa paixão desgraçada que sismou de encrustar no meu peito, essas lembranças que me fazem perder o controle seja lá aonde quer que eu esteja.
Eu só queria poder não ser tão confessa de que eu poderia fazer tudo pra que você fosse meu.
Eu queria não meter os pés pelas mãos.
Eu não queria te perder.
Você nunca foi e nunca vai ser meu mas, eu me pergunto por quê é que diabos você tinha que aparecer.
Se não fosse pra ser meu, porquê veio e fez outro temporal na minha cabeça.
Se era só pra eu sentir falta de ar, que a minha bronquite asmática cuidasse disso.
Se era só pra eu poder chorar, qualquer música triste por si só faria isso.
Se era só pra me dar um aperto no peito, me deixar sem chão, tomar minhas noites e tirar meu sono, a minha paz... Qualquer outra coisa poderia fazer isso, menos você.
É previsível o meu futuro. Posso até descadeirar uma cartomante se ela me disser o que vai acontecer. "Você está completamente enganada" - irei lhe dizer de boca cheia. O seu cheiro vai ficar na minha roupa, o nervosismo vai ficar ávido no tremor das minhas mãos, a dor vai tomar de conta do meu corpo assim como você fizera naquela tarde e tudo o que eu guardei de melhor pra te dar, vai pesar nos meus ombros por alguns longos meses.
Eu também já nem tenho mais o que escrever. Eu tento espremer minha cabeça como um limão pra ver se sai alguma coisa. Eu simplesmente já não tenho mais armas pra combater. O amor não seria uma guerra ao invés de uma competição? Se você pensou isso, bem... Eu tenho a mesma dúvida.
Eu me sinto doente... A insônia não me deixa dormir, suas lembranças não me deixam dormir. Eu queria sumir e queria levar você junto. Queria que você me levasse a sério, ou que pelo menos fingisse que sente a minha falta.
Eu me ajoelharia, choraria e faria um teatro, o mais real que você já viu, implorando por você, por um mísero pedaço de você. Eu não sei mais o que falar, nem o que fazer... Eu já desisti pois é como um pedaço morto da minha pele. Eu devo amputá-lo, e eu amputá-lo ei.
Eu não consigo se quer chorar. As palavras se esgotam antes mesmo que eu possa formar uma frase com no mínimo vinte palavras. E só três nunca foram necessárias pra te convencer. "Eu te amo".
Não adiantou você mesmo confirmar pra saber se era sério... Acho que você nem acreditou, deve ter pensado que era da boca pra fora. E agora que eu fugi, padeço como um viciado enlouquecendo sem entorpecentes. Não é papel de idiota, é simplesmente loucura. Eu fugi pois não seria certo ficar, concordar com tudo que você iria expor, isso se fosse expor. Não seria certo com ela, que tenta mais de mil vezes te prender, e até que consegue... E não seria certo comigo.
Nessas horas me sinto estranha, mais do que o normal. Compreendo os esquecidos nas ruas que matam e morrem por alguma coisa que os faça delirar por três segundos. Eu queria te tocar outra vez, eu queria me afundar no teu abraço, e francamente, no estado que estou, eu choraria no teu colo. Esquisito, chorar com você por sua culpa... Acontece, ás vezes.
Os minutos são sacrificantes todas as noites. O tique taque é um murro na minha cara e uma porrada na boca do meu estômago. Meu Deus, por que é que eu não posso tê-lo? E por que tudo tem de ser assim? Por que eu é quem tenho de resolver? E sofrer sozinha, claro! Ele não tá nem aí pra mim.
E mais um nó vira um sapo na garganta, eu vou adoecendo, encurvando, não sorrio, não como, não quero mais nada. Vejo o quanto você me fazia bem, ou mal. Se é um vício, deve ser controlado mas, se você já não pode lutar contra ele, extermine-o. Foi o que eu fiz.
As paixões são sacrificantes. O dia é sacrificante, a noite é sacrificante... Viver é sacrificante. Não se dê o luxo de pensar que é só você o causador de tudo isso. Minha vida é um caos diário, ocioso e amaldiçoado. Você é um gatilho que eu tenho, em termos literais, daqueles que eu quero apontar pra minha cabeça e puxar, com peso nas mãos e no corpo. Eu morreria deitada, é mais fácil. Esse se entregar pro vazio, é sempre mais fácil. Adoecer é mais fácil, cala-se é muito mais do que fácil. Ninguém precisa saber que isso tá transbordando. Dor de garganta é do frio, a preguiça é do tempo, é tudo normal, é passageiro.
Eu morreria sem hesitar. É melhor dormir durante alguns anos pra acordar e ver que muitas coisas mudaram. Pode ser que quando eu acordar, você vai estar muito feliz, vai ter virado um homem e finalmente, vai estar honrando o que eu ajudei a jogar lama no passado. Ela vai estar feliz, finalmente conseguiu te por nos trilhos. Os meus amigos vão fingir que nada aconteceu, só vão me avisar sobre os episódios que perdi na tevê, e os que faltam para trilhar a nossa própria história, o nosso mito. A luz iria invadir o verde dos meus olhos, dilatando e queimando tudo o que é pra queimar. Uma lágrima vai correr e ninguém vai citar o maldito do seu nome, vão apenas sorrir, como quem dizem "que bom que você voltou".
Mas eu só posso dormir 12h por dia, e acho pouco.
Eu dormiria 42, 83, 459 horas, pra ver se quando eu acordasse, minha fome ainda continuaria baixa, junto com a minha vida toda escorrendo pelo ralo, estourando fogos de artifício em alegria de me ver no chão, chorando de novo, querendo me esmurrar e deslizar a lâmina da tesoura umas quatrocentas vezes nos braços. O ódio próprio é implacável, mas é como o ego. Pode até ser grande, mas é frágil feito um balão de ar e, qualquer furinho, explode.
Há momentos em que gosto de mim, leve simpatia sabe? Como na madrugada que decidi apagar tudo que era seu do meu alcance. Apaguei, apaguei, apaguei... Ficaram as piores coisas, as que não se apagam. Eu entendo perfeitamente que isso é um capricho puro da minha personalidade. Eu sou nesse exato momento uma criança mimada, batendo o pé e gritando "eu quero, eu quero" como quem vê algo no supermercado e não pode trazer. Bem lembrado, nem todos os livros do mundo te comprariam. Numa boa? Eu tô ficando louca.
E eu sei porquê não tenho mais o que falar. Simplesmente porquê é fácil demais entender essa história toda. Me envolvi por livre e espontânea vontade com quem não devia, me apaixonei, acreditei que era recíproco e até podia ser mas, não era o bastante. Eu queria mais do que você não podia e nunca vai poder me dar. Fidelidade, instabilidade, amor. São coisas que você, como eu, ainda vai apanhar demais pra aprender o que são. E tinha que acabar, como tudo o que começa errado, aliás, nem devia ter começado. E eu prometo que quando estiver menos viciada e mais curada, te digo e te explico com todos os detalhes, o que me fez ser sua breve amante.
Hoje nem o respirar fundo limpa os pulmões. Ainda há uma tonelada e meia crescendo e dobrando, triplicando a cada vez que me pego pensando "como é que ele está? será que está bem? sinto tanta saudade... Eu queria voltar, eu queria estar com ele e queria ele pra mim". Queria tudo né, Beatriz? Você sempre quer tudo.
E na minha ignorância, irracionalidade e egoísmo, vou me afundando como areia movediça. Deixa eu mergulhar uns trezentos pés abaixo do chão, é o que sempre acontece. Como mergulhar numa banheira de parafina de vela, pra dar um gás nos glóbulos brancos, como vi em um filme. Deixa pensarem que eu morri afogada na tristeza, quando desde sempre, vivo submersa, dando braçadas pra sair desse marasmo miserável.
Eu só queria você e quis demais. Talvez eu não te mereça, talvez e, acredito mais nessa, você é quem não me merece. Mas eu nunca entrei num jogo me perguntando se merecia ou não ganhar ou perder. Mas se o amor é uma competição, eu entrei trapaceando e perdi. E antes que eu pudesse te perder, ou pelo menos achar que você já foi meu algum momento, eu abandonei o jogo. Volta pra ela e fica, desgraçado.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Eu Vivo

Eu vivo por aqueles que pensam que não podem ser o que são.
Eu vivo por esses que não sabem lidar com um coração.
Eu vivo por aqueles que dizem muitos "sim" e querem dizer "não".
Eu vivo por aqueles que ao contrário de mim, mal dão voz á razão.

Eu vivo por esses que dizem ter saudade mas não movem uma palha pra me ver.
Eu vivo pelo os que namoram uma pessoa que não gosta de você.
Eu vivo pela raça que sente prazer em me fazer sofrer.
Eu vivo por esses pobres coitados que tem tudo e não conseguem ver.

Eu vivo pelos imbecis que pregam futilidades sem parar.
Eu vivo pelos mais ignorantes ainda que ousam nesse tipo, acreditar.
Eu vivo pelo os que ganham a vida achando que um sonho não pode brotar.
Eu vivo pelo medo que corre nas ruas, nos olhos, bancadas, cabeça e altar.

Eu vivo pelo os que difamam a imagem do meu Jesus Cristo, o senhor.
Eu vivo pelos jovens que sentem na pele por conta e risco, sem metáfora, a dor.
Eu vivo pelo orgulho, o ódio, a fúria, a revolta, a mágoa, a tristeza e o rancor.
Eu vivo por você que se lamenta inutilmente porquê ainda não me derrubou.

Eu vivo pelas histórias de amor que não mereciam ter um fim.
Eu vivo com o peito apertado me questionando se essas coisas são pra mim.
Eu vivo pela pátria hipócrita e cega que aplaude e diz que tá tudo bem assim.
Eu vivo pelo conformismo incorruptível que toma conta daqui.

Eu vivo pelo homem que escreve pra fora, até fala mas vai ficar calado.
Eu vivo pelos loucos que correm risco pra amarem e serem amados.
Eu vivo por quem protege o que nos faz bem e mesmo assim é ameaçado.
Eu vivo pelo grito, pelo choro e pelo suspiro que estão sufocados.

Eu vivo pela revolta e força de vontade concentradas em estado crítico.
Eu vivo pelos finais de caminhadas que carregam aquele apelo liquido.
Eu vivo pela mulher que nunca satisfaz sua fome por libido.
Eu vivo por tudo mundo que tem vergonha de ser um pouco mais desinibido.

Eu vivo por quem não faz ideia das consequências dos seus atos.
Eu vivo pelo cara do meu lado, estampado no porta retratos.
Eu vivo pelos os que levatam a laje e pra televisão puxam um gato.
Eu vivo pra quem reclama todo ano e deixa os mesmos caras no planalto.

Eu vivo pelos bêbados de paixão e toda forma sincera de arte.
Eu vivo pelas risadas alheias por qualquer tipo de catástrofe.
Eu vivo por quem entrou na minha vida e fez questão de deixar a marca do desastre.
Eu vivo por qualquer filho da puta que não me leva a sério e nem retribui com verdade.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Princípios: Não Minta

São duas e vinte de uma manhã de segunda-feira. Em breve, pessoas vão acordar para começar o seu dia, aderindo a rotina que lhes fazem bem, ou a que lhes impobrece de tudo. Logo elas começam algo... Há, todos os dias, um novo princípio em tudo que fazemos. Mesmo na rotina, existem meios de melhorar o que fazemos aparentemente como um robô. Mas essa é a mágica, o que faz a gente não deixar a peteca cair e logo, a repetição cair na rotina. Parece confuso, mas é simples, como tudo na vida.
Que tal não mentir? Há um princípio nobre que tenha alguma mentira? Pois é. Na aula passada de filosofia, conversamos um pouco a respeito sobre os meios que justificam e determinam os fins. Um exemplo que o nosso mestre nos deu, de construir a nossa sede com dinheiro roubado de um banco. Bancar o Robin Hood não parece lá muito conveniente pra quem quer passar adiante um princípio filosófico, suas bases de ser e conhecer esse seu tal ser.
Minha cabeça roda sem parar, estou perdida de certa forma pois ao mesmo tempo que a persona insiste em lembrar de ti, e o ego fica feliz por ter aparentemente se livrado de você. É difícil compreender tanta coisa ao mesmo tempo, imagine: Uma hora a ficha cai quando uma grande referência que eu nem cheguei a conhecer, "me diz" pra não se preocupar com aquilo que não me diz respeito, e só me preocupar com aquilo que está nas minhas mãos e que eu possa decidir. Depois mais uma referência, aponta os meus erros, como quem dá a chave da casa pro ladrão, deixa-o entrar pela porta da frente e ainda lhe oferece café, biscoitos e uma boa conversa sobre política, literatura estrangeira e libertinagem. O ladrão me cativa, toma espaço de pouco em pouco e eu deixo, apesar de cabreira. E ao perceber que ele tem total acesso, entra, sai e faz a festa. Até quando sobram somente os copos usados, os papéis de fôrma dos doces, os salgadinhos pisoteados, as garrafas de cerveja jogadas, as dores nos pés de tanto dançar e a falsa esperança de não ter ressaca no dia seguinte.
As ilusões são mais evidentes a partir daqui. O ladrão me promete até limpar a bagunça mais tarde, e some. As dores me consomem muito mais, dor de cabeça, dor de estômago, uma dor no peito, a mais arrebatadora. Meio dor de solidão, de traição, duma colheita vazia. Quando penso que ele havia plantado um sentimento no meu coração, na verdade eu colhi algo não palpável, mais-que abstrato.
É um erro atrás da outro, uma mentira atrás da outra. Como numa passagem bíblica, dos homens que constroem casas apoiadas ou não na rocha. Contruímos então, na base da areia e das puras ilusões, uma relação falsa, um castelo de cartas, sem fundamento, sem princícios.
Será que é tão difícil não mentir? Penso sinceramente que sou um peixe fora d'agua, vivendo onde ninguém respeita a minha forma de levar as coisas a sério e mais, brincando de campo minado comigo, me metendo numa situação insegura e perigosa. Mas assumo, eu fui porque quis, por livre e espontânea vontade.
Será que a vida nunca vai me perdoar? Reconheço que não. Não há verdade que não seja revelada e não há karma que demoremos á receber. Cedo ou tarde vem, quando todos aqueles ditados fajutos fazem sentido tipo "aqui se faz, aqui se paga". Mas é justo ter que topar com os falsos da vida? As pessoas que mentem e enganam, machucam sem se preocupar? Pois é, nem mesmo a justiça é algo que nos diz respeito.
Me vejo mais ou menos no caminho certo, ficando sozinha. É claro que parece radical mas é o meu tempo pra arrumar a bagunça que fizeram, de novo. É o tempo pra tentar me blindar, mastigar e engolir todo féu que fiz questão de consumir. Confiança? Ah... acho que devia deixar pra outro capítulo. Vou cuidar do que é da minha alçada, cuidar de mim.
E vocês? Já tentaram não mentir hoje? Já tentaram ser vocês mesmos? Já tentaram não prejudicar alguém? Mentir, já pararam pra pensar nas dimensões que esse ato tem? Isso sim, cabe a cada um refletir e, executar. Parece bobagem, mas era pra ser simples, como tudo na vida.

domingo, 1 de junho de 2014

Imune á Suicídios

"Algo me fez pensar sobre tal coisa hoje" já não é mais novidade pra ninguém e nem dá mais graça de falar, porém é bom ressaltar. Conversando com um grande amigo (Guilherme Varanda), tive uma puta sacada... E não, não foi um trocadilho com o sobrenome dele. Ele não gosta do frio, ao contrário de mim e, nisso ele brincou, pedindo pra que eu mandasse o frio ir embora. Eu neguei, obvio por não ter esse poder em minhas mãos e, mesmo que tivesse não o faria. Titubeei: Pensa só, dia dos namorados, inverno e suicídios, por quê você acha que tudo isso tem fundamento?
Eis a questão. O povo fraco, alienado, idiota, enfim, chamem do que quiser, agora mais do que nunca, tem uma meio de lamentar a terrível e patética solidão de estar sozinho no dia dos namorados. E chora pro amigo, espalha as lágrimas no facebook, no twitter e tudo mais. "Mas Bea, você também se lamenta por estar sozinha não é?" Lamentar é pouco. É obvio que tem horas que quero me matar de tanto ódio que eu sinto por não saber ministrar uma relação, por ser a mulher brinquedo, a vadia que todo mundo gosta mas ninguém assume. Mas eu transformo a minha dor patética em arte. Não estou falando sobre os sertanejos melados (pra começar que sertanejo atual, pra mim não é música...), eu sou escritora! Porra, o mínimo que eu posso fazer pra aliviar essa porcaria é escrever. Me faz muito bem, como se eu não precisasse mais de alguém pra poder contar "olha, eu me sinto um lixo, preciso de atenção, por favor, olha pra mim". Parece maluco, mas há ainda, dias que me sinto assim. Acho que você também, qualquer um.
Eu não sinto vontade alguma de provar o que eu estou falando a respeito dessa seita maligna e capitalista da associação do inverno com o dia dos namorados mas, tenho certeza sobre os suicídios nos meses do inverno. Falando filosoficamente, a vida em si é cíclica, isso eu já devo ter falado em algum lugar por aqui, ok. Imaginem esse frio, dá vontade de ficar o ano inteiro na cama, debaixo das cobertas, sem sair de casa, o que é muito deprimente (e na boa, tu tá perdendo algo muito bom lá fora). Você fica amuado no inverno, logo seus sentimentos também afloram certa melancolia, pode reparar. É nessas horas que você, meu pai, minha mãe, meu irmão, os seus parentes, o mundo inteiro sente vontade de ter um cobertor de orelhas, aquela pessoinha pra que você possa botar os pés nas costas pra esquentá-los.
Como todo mundo também sabe, não é muito fácil arrumar uma pessoa. Há aqueles como eu, condenados para serem frigideiras flutuando no espaço sem tampas e, colheres que não se encaixam com garfo e faca... E na maioria dos casos, temos os infelizes, infelizmente pobres de espírito ou do que fazer, que choram incessavelmente parecendo uns retardados, implorando por camisas de força. Podem me chamar de grossa (mais-que acostumada) ou de maluca por achar que há uma ligação em tudo isso. Pode ser paranoia mas, não se pode negar o quanto as pessoas se deixam levar demais por essas datas medíocres. Eu tiro por mim mesma: No dia das mães, eu fiquei em casa assistindo tv, morfando no sofá, sendo embriagada com propagandas emotivas até os ossos sobre amor materno. Deu que, mesmo brigada com a minha mãe, mandei uma mensagem chula, me rebaixando de certa forma mas sem pedir desculpas nem nada do tipo. É, ainda não sou uma filosofa completa, tenho orgulho, tenho mágoas, muito rancor... Enfim.
Gosto sempre das brincadeiras sarcásticas de algum ser inteligente e bem-humorado, que aparecem por aí nessa data. A clássica do "no dia dos namorados você não precisa namorar, como no dia dos índios você não precisa virar índio e nem morrer no dia de finados". O intuito das propagandas é somente comercial, pois eu não acredito que a loja de roupas caras esteja preocupada com as mães que passam a noite acordadas com um babysitter eletrônico (isso, quando tem um!...) ao lado da cama. Ou que alguma franquia fique feliz pelo cara que te liga no dia seguinte (ele tá do teu lado da cama e te ligou... puta que pariu).
Chega de marketing barato. Quero falar da pior consequência de pessoas ignorantes, o suicídio.
Quando eu digo ignorante, não quero ofender essas pessoas. Aprendi e comprovei que o sofrimento é derivado da ignorância, da falta de sabedoria, do não saber lidar com as dificuldades.
Logo quando você tem um problema, você se desespera. Cara, você precisa aprender que a dor sempre vai estar presente na sua vida. Ela é CÍCLICA! Temos o verão, de grandes vitórias, de descanso, de diversão, do calor que queima as vistas. Temos a primavera, para apreciarmos tudo o que andamos plantando, toda nossa luta crescendo, florescendo, a brisa leve e o perfume da simplicidade e da alegria. Temos o outono, onde suspeitamos que algo está errado, que algo pode acontecer meio fora dos nossos planos e eixos. Então o inverno chega, essa época mais reflexiva para evitar erros, futuros e, sobre a vida que você anda levando, para que não cometa nenhum por enquanto.
É um assunto delicado demais para eu falar sobre. Tenho a Beatriz suicida, que pensou em tomar veneno de rato e meter a faca na boca do estômago aos 14, 16 e 17 anos; e tenho a Beatriz filosofa, que depois de ser passada pra trás, trocada pela terceira vez e, tendo amor rejeitado pela quadrilhonésima vez, simplesmente jogou tudo pro alto, respirou fundo e com toda ombridade e dor no peito, desejou felicidades ao novo-antigo casal da praça. Ninguém viu o show que eu dei de madrugada, foram eu e os meus demônios, os meus kuravas, as minhas fraquezas mas, passou.
Senti o dever cumprido de me livrar de algo que começou errado e que terminaria tragicamente, sempre com a idiota aqui machucada de um jeito ou de outro. E o que me levou a fundamentar todas essas coisas, o marketing barato, o inverno e os suicídios, foi justamente destacar a minha imunidade á ele. Você se torna um imune á suicídios a partir do momento que teima cada vez mais viver, pra mudar essa merda de situação. Imune porque esse tipo de coisa não te afeta, o inverno é só uma estação do ano em que você vai refletir sim e mais! Vai procurar maneiras de lidar com tudo, de driblar, de cuidar somente do que pertence á sua alçada.
Atualmente, não me sinto a vontade pra expor os motivos a qual me levariam a planejar minha própria morte... É forte demais pra mim e, é algo que eu devo deixar no passado, até que esse meu eu suicida, preso a minha personalidade, se desprenda e fique esquecido no mais profundo da minha psique. Poderia dizer, num mal momento qualquer da minha vida que, a imunidade também se dá simplesmente porquê não há o que matar. É como se eu fosse um corpo perambulando nas ruas, de ombros curvados, levando o peso da auto-punição. Essa também é um derivado da ignorância, talvez o principal bicho de sete cabeças dessas pessoas que não sentem prazer na vida. Querem um conselho? Esqueçam de si, esqueçam do que te faz mal, das pessoas que te desanimam... Aproveitem esse friozinho e se afoguem em filmes divertidos, em livros interessantes, em músicas que sejam tocantes e que te dão apoio em letra. Não desistam... Sejam persistentes e teimosos, principalmente teimosos pois, a teimosia nos mantém firmes, é aquilo que manda você se levantar imediatamente, quando algo ou alguém te derruba.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

E...

E a gente vai dali aos trancos e barrancos. - Foi o que pensei anteriormente.
Parece que tudo a volta colabora pra psicose, e quando não tiramos a prova real, a cabeça te projeta a pensar mil vezes pior. Eu fico quieta mas qualquer um pode ver a explosão de sentimentos vazada na minha cara, estampada no meu jeito e escarrada sem medo. É automático não conseguir esconder, deixar transparecer. Ajuda? Nem tanto. Há quem abuse, vendo que a patifaria tá dando certo e aí continua. E na paranóia que ando, certamente perco a linha uma vez aqui, ora ali... E a gente vai dali aos trancos e barrancos.
E manda trechinho de música, fala que tá pensando nele, compartilha umas idiotices e quando tá cara a cara? Esquece. Não tem mais raiva, nem culpa, nem nada! Fica mole demais, quer atenção, quer dar carinho, é aquele momento que tudo fica lá fora e o meu mundo é aquele cara que tem ciúme de tudo, que não fala direito comigo, que observa as indiretas e fica miudinho. É quando meu coração só tem espaço pra aquele cara a qual quero fazer mais que todas as suas vontades, mais do que eu acho necessário pra fazê-lo feliz... Os exageros nunca escaparam do meu ser então por que hesitaria justo agora? Eu encontrei os piores defeitos na melhor pessoa que conheci depois de tanta cegueira, surdez e burrice. Não há hipocrisia, sinceridade é a marca registrada, violência é prazer e este é como fogo em palha, em demasiadas proporções.
Estar apaixonada já é bem diferente do que costumava ser á cinco anos atrás. O saber "que paixão significa sofrer" está acabando comigo... E aí é aonde encontro a validez pros dizeres que a ignorância é uma benção. Pois lhes digo: prefiro ser amaldiçoada com a sabedoria e sucumbir de amores, por mais cruel que ele seja.
E enquanto eu reclamo incansavelmente, tramo uma visita surpresa a qual eu apareço com um livro embrulhado para presente, esperando-o no ponto da escola e, quando ele aparece, leva uma surra de livro e eu cuspo toda minha raiva feito um dragão cuspindo fogo. "Olá, medusa, - pelas tranças no cabelo. "Olá, viking, vampiro... seja lá que diabo você é" - eu respondo cordialmente antes de começar a violentá-lo com brochura. Você-arruma-mil-desculpas-pra-me-evitar!-que-merda-você-quer?-me-enlouquecer?
Pois é. E o ciumento apanha rindo, ou revidando. Já me bateu uma vez por tamanha fissura que tenho aos seus lábios... Aquela boca tão gostosa e pequena, viciante. Acho que o machuquei, mas sou egoísta demais pra perceber, em ambos sentidos. Mas presta atenção: se eu quiser te machucar, vai ser somente nos beijos agressivos que lhe darei. Você precisa se acostumar com certas coisas á meu respeito se quiser manter o pique, seguir mais ou menos a minha linha e o seu limite; assim como já tolero algumas coisas, parte delas me incomoda, me dá ódio mas não chega nem aos pés de tamanha paixão. Acho que te amo como amigo e te venero como homem... Te quero como toda forma de companheirismo e te adoro como pessoa.
Apesar de imenso trabalho, é como eu disse pro meu pai: eu adoro me meter em roubada, estar com problemas... Mas quero te resolver com gosto, te descobrir devagar e te solucionar em grande estilo como nenhuma outra fizera antes. Sim, me chame de pretenciosa, do que você quiser, eu quero sim, fazer de tudo e mais um pouco, mesmo que seja mais do que caro o preço a ser pago. Tudo termina, o que determina se realmente valeu a pena não é o tempo que durou mas sim, a intensidade do que vivemos e o que vamos levar pra vida com tudo isso que passamos.
Quero ser a sua espada, quero ser seu satélite, quero ser o vento que empurra seu barco, o sol que aquece e a armadura que veste o seu corpo. Quero ser a sua persistência, sua vontade de virar a mesa, seus punhos serrados. Quero ser seus pés no chão, sua cabeça bem focada e algumas vezes, quero te tirardo sério, te revirar os olhos, acabar com as suas forças e te derrubar. Fazer-se pesar sobre mim, ser a sua casa, seu refúgio.
Mas até lá, aceite meu medo de dizer "eu te amo", o mal costume com o seu ciúme e o pedido reprimido de namoro. Eu tenho pressa mas você me ajuda, acho que inconscientemente, á lidar com a paciência e a deixar pra trás todas essas picuinhas inúteis que me deixam irritada. É como te disse: cara a cara eu me esqueço. Não, não tenho vontade de bater na sua cara, nem tampouco te bater com um livro. A gente vai se ver e vai mais é dar risada dessa coisa toda. Eu te amo, e... É só isso que te diz respeito.

sábado, 10 de maio de 2014

Valsa dos Condenados

*Baseado inconscientemente no conto "A Máscara da Morte Rubra", de Edgar Allan Poe e inspirado conscientemente na canção "Til We Die", Slipknot.

Era um grande salão ao estilo dos anos vinte e trinta. O chão brilhava tão quanto os olhos das mulheres que trajavam vestidos claros de seda e cetim. Uma festa aconteceria ali, então era obrigatório a formalidade e a impecável beleza do lugar para a realeza, receber as famílias mais nobres dos arredores.
Haviam cristais, desde os lustres ás taças, as louças mais finas para comportar o banquete mais saboroso, mas não o mais esperado pelos reis. Também havia veludo, os estofados confortáveis que mais pareciam um abraço de tão macios. Os tapetes que nos permitiriam até deitar no chão, felpudos e anatômicos. Cortinas que, dali pra frente, privariam os pobres não reais do maior espetáculo do século.
E é claro, o mais importante... As pessoas.
Haviam mulheres de pele clara, de bochechas rosadas e lábios aparentemente macios. De cabelos extremamente longos, louros, rubros e negros. De olhos amendoados, brilhantes como o chão, lhes disse. De jeito terno, facilmente mascarado á postura que lhes era exigida porém, facilmente desmontável á beira de meia dúzia de elogios e qualquer afeto barato que lhes ofertasse desejo. De saltos medianos, lineares grossos e verniz colorido, de acordo com seu vestido. E os mesmos, pomposos pelos saiotes de volume, sendo estojo de jóias caras mais do que qualquer outra coisa. Esfregando castidade sem decotes, sem detalhes, sem algo sensual, como tudo lhes exigira.
Haviam homens, na verdade, haviam ternos. De inúmeros cortes diferentes, comportando mentes cruéis e que se acham aptas para julgar, manipular e matar. Gente, enfim, sem conteúdo intelectual e humano, sempre se auto-julgando aptos a qualquer coisa que seja dentre estar acima de qualquer outro. E assim, sem parar, vivemos nesse ciclo de apontar o dedo e esconder o rabo, de trajar o dinheiro na exuberância dos tecidos finos, envoltos não só de ouro e prata mas sim de almas putrefatas e corações cheios de maldade.
E finalmente, haviam... Nós.
E ao piano, um ótimo músico acompanhado de seu spalla e os cinco violinos que maravilhavam a todos com a melodia. Champagne da melhor qualidade era servido á rodo, nas taças finas ao lado do uísque mais quente, nos copos baixos. E as travessas giravam no mesmo sentido que os serviçais estonteantes, que levavam-na e traziam-na um milhão de vezes cada. E giravam também os casais, concentrados uns, no toque macio das luvas de linho de suas amantes, outros nas bocas febris que não paravam de falar e não podia ser caladas com um beijo. Giravam os negócios em torno dos grandes homens ricos, os banqueiros, os golpistas, os matadores de aluguel, os colarinhos brancos e suas bengalas de madeira maciça, tão duras quanto suas caras de pau. Giravam escondidos, os mascarados, de meia face a mostra, de barba rústica e sorriso propositalmente irônico. Eram, nós.
E os mascarados, de fraque, chamavam atenção não pelas máscaras. O fraque não era usado á noite por questões rigorosas de etiqueta. As botas eram lustrosas, o lenço vermelho como a gravata, com uma pérola branca. O espanto vinha para os detalhistas, mas em silêncio. Sobre o colete preto, debaixo dos suspensórios de mesma cor. E por fim, a camisa branca, com uma abotoadura distinta, um pequeno olho sangria. E giramos, como lhes disse. Entramos na dança de senhoras e senhores, falamos de negócios, sorrimos grotescamente, rimos do que não tinha graça, comemos sem fome e nos embriagamos sem motivo. E perto do final da festa, onde todos já pensavam em recolher os casacos, as bengalas, as esposas bêbadas;  em que alguns homens pensavam em fechar as calças em virtude de violamento de amantes, e as mesmas, pensando em limpar os saiotes e a boca pelo mesmo motivo; o mascarado trocou as bebidas. O champagne deu lugar ao contini vermelho, pois era um aviso. Dei o aviso ao músico... "Aquela música, por favor!" - Sutilmente. E os olhos arregalaram, as escadas voltaram a ter movimento, dessa vez de despedida. Os pés já cansados se propuseram uma ultima dança, e os rins, fígado e língua, nunca enjoados, ao último drinque.
Giraram os homens com suas esposas, os homens com suas amantes somente cortejadas pois, a dança já havia acabado em quatro paredes mediante a lençóis manchados de esperma e vinho. Giraram as mulheres bêbadas, cortejando uma as outras, dando-lhes as mãos, beijando-as, acariciando-as. Giraram os mascarados, em passos certeiros com as botas lustradas, quando retirei meu relógio de bolso e vi que era a hora do espetáculo.
Alguém, ao meu movimento de guardar o relógio de volta, viu um reflexo estranho e hesitou. Com as mãos na boca, tapou um grito de pânico: o aviso foi compreendido. E quem hesitou fui eu, vendo a criatura espantada e, "shh" pra ela, com os dedos nos lábios. "Vá para dentro, vou lhe poupar". E novamente, entendido. E ao tique-taque marcado, sacamos as adagas e levamos ao alto. Honra ao sangue, vida á liberdade e morte á crueldade! Com o primeiro jorrar de sangue, a camisa e o colete ensanguentado, acompanhara o grito aflito em revide os respingos. Por que gritastes, criatura malévola? És tu também uma deles, certo? Então toma o que é teu! - E mais sangue era derramado, conforme a lâmina rasgava a carne do pescoço daquela mulher.
Os gritos crescentes, os pés batiam mais rápido e afoitos no chão brilhante que, em pouco minutos daria lugar ao banho rubro. Mas antes que se pudesse pensar em fugir, mais uma cabeça era degolada, mais um braço era decepado e mais sangue lavava a nossa alma, em contra partida que sujava nossas roupas. E a valsa embalava trilha sonora tão doce que, eu degolava pessoas com um sorriso verdadeiro de prazer, e minhas mãos giravam com os meus pés, atentos para não esbarrar nos corpos e nem escorregar no sangue. E enfim, a festa acabou. Giraram as adagas sobre os corpos dos condenados. Giraram os violinos cegos, apenas cumprindo seu trabalho. Giraram as máscaras brancas de meia face a vista, sobre as barbas rústicas. E ao fim de tudo, a valsa não cessava enquanto não deixasse-mos o local. Os mascarados voltaram pras sombras e eu me dirigi salão a dentro. Ela estava lá... O branco impecável de seu vestido refletia em sua pele. Os olhos não eram mais amendoados, assim como as bochechas não eram mais rosadas. O medo estava escrito em seu jeito e eu me atrevi. "Quem é você?" - E sem sucesso, não obtive resposta. Aproximei-me e estendi-lhe a mão, para uma valsa, o final daquela do salão.
Tomei-a pela cintura e tive pleno e puro prazer da sua respiração pesada, do seu coração acelerado e do tremor de seu corpo. Pedi á ela que retirasse minha máscara e, quase sem escolha, o fez. Acalentada, voltou a ter os olhos amendoados e tal boca como olhos arregalados. Seduzi sua confiança e girei com ela até o vitral de um só vidro, girei e tomei-a pra mais perto. Ela sentiu não são a adaga mas também uma ereção - o que fez rosar ainda mais seu rosto. Era o bastante. Giramos eu e a donzela pálida que havia conquistado... Pura ilusão. Dei-lhe um beijo abraçando-a com paixão, com as mãos ora cintura, ora nuca. Essa que, deslizou ao seu ombro, ora barriga e então fora empurrada.
Girou o grito da apaixonada no ar, junto com os estilhaços dos vitrais. Girou a gargalhada pela sua inocência. Girou meu passo para a porta, voltando com os mascarados.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O Sentido Prático da Mitologia

Eu, como boa acropolitana, frequentei durante três dias as palestras sobre mitologia, dadas pelo Mestre Uibirá Barreto e sua esposa (secretária, auxiliar, outorga...) Gabriela. Então vou começar pela primeira que nos mostra sobre o sentido prático da mitologia.

Muito diferente do que as pessoas pensam, os mitos não são somente historinhas com heróis e vilões, onde o mocinho tem de derrotar dragões, as forças do mal em geral para salvar sua família, um reino ou uma princesa. Há uma finalidade bem mais profunda e extensa. De princípio, a forma mas fácil de nós, meros mortais, compreenderem o que os sábios queriam nos passar, os arquétipos, que "são ideias perfeitas pelas quais o universo se manifesta", segundo o mestre.
É como uma fôrma de bolinhos: você prepara a massa e a dispõe nas forminhas, leva para assar e quando prontos, os tira do forno e os desenforma. Na vitrine, se você olhar os bolinhos, vai haver diferença entre eles. Uns saem mais queimadinhos, outros mais claros, uns com granulado e outros com doce de leite, enfim, é um exemplo dado pelo fundador da nossa escola, Jorge Angel Livraga. O arquétipo dos mitos trás os atos heroicos a tona, como se fosse algo á se inspirar, ou até mais, se espelhar, dar o próprio exemplo.
Agora vamos citar alguns deuses gregos: A impetuosidade era a resposta de representação de Ares, o Deus da guerra, com sede de sangue, da selvageria. Já a representação de Urano se dava pela sensação de imensidão, a personificação do céu. E Athena, a estratégia, sabedoria, artes. Todos eles trazem consigo atos humanos demais como a fúria, a compaixão, o amor e até o desejo. Logo, os mitos também são representações de divindades, fenômenos da natureza e tudo mais aquilo que pertence ao universo e que está num plano mais superior.
O que podemos usar parar exemplificar a natureza, o universo manifestado no mito, é Hércules: Seus 12 trabalhos podem ser visto como os doze planetas ao redor do sol, o grandioso e forte, o próprio Hércules. Também como em Artur e seus 12 cavaleiros da Távola. Fora que, a união desses 12+1 pode também simbolizar o feito de pessoas de um certo lugar/tempo, a realização de grande proezas realizadas por elas. Enfim, é tudo uma questão de reunir chaves de interpretação e visar sempre mais do que a história em si. E para que essas chaves tenham real utilidade, é preciso ter uma espécie de ligação com esse plano superior, isso é, desprender-se dos pensamentos puramente lógicos e quadrados (não levar tudo ao pé extremo da letra) para compreender o que vem do plano espiritual.
Vamos lá, o nascimento de Athena, pela cabeça de Zeus. Se você não acha isso um absurdo e saca a chave, parabéns, você já pode embarcar nos contos conosco!
E só pra você se convencer que é mesmo necessário estar ligado á natureza, universo, divindade, pra tudo fazer sentido, acompanhe uma breve cronologia do mito de Ulisses, resenhada por mim:
> O cara é casado, vai pra Troia, vence a Guerra com a ajuda de sua madrinha Athena, se sente o tal e desafia Poseidon, dizendo que não precisa mais dele e de mais Deus nenhum. No que volta pra casa, encontra três caras tentando pegar sua esposa, judiando do filho e querendo seu lugar como dono do barraco. Pra recuperar e acabar com a festa dos folgados, (obviamente ele não aguentaria com três) arma várias artimanhas, novamente com a ajuda de Athena e vence mais uma vez, reconquistando seu lugar e sua família. Moral da história: Sem uma divindade, você não é nada. Fim.
Acredito que, estar ligado á uma divindade, não é necessariamente ter uma religião (primeiro que, acho religião uma muleta que só atrapalha e quebra todo sentido de unificação) mas sim, acreditar no fundo que há algo maior que nós, pois realmente há. Não indo muito longe e abusando do meu pouco conhecimento, vemos os índios fazendo danças pra atrair chuvas, chamar o sol, qualificar a terra e pedindo bons frutos para colheita. Isso é uma forma de não só acreditar em algo superior, mas respeitá-lo também acima de qualquer coisa. Há pessoas que tem ligações fortes com o tempo, a chuva, a lua, o sol, os usam como amuletos de sorte e proteção, o que batem na mesma tecla de respeito, adoração e fé citados anteriormente.
Mais um tópico em resolução de mitos, é sobre a forma que eles abordam os ciclos de nossas vidas. Nossas? Claro! O mito também tem como função fazer nós se sentirmos heróis. Estar no lugar dos deuses e compreender que também temos tempos difíceis assim como tempos de glória. Vai dizer que depois de ver alguma história onde depois de tantas barreiras e lutas, a figura que sai vitoriosa, não te inspira nem um pouquinho á persistir em suas próprias lutas diárias? Além disso, as histórias exercitam sua sensibilidade e comparação, de visar um pouco como eram as batalhas, as vestimentas, o clima, todas as sensações possíveis e até estar lá, dando sentido sobre você matar um leão por dia assim como grandes gladiadores. É daí que vem essa humanização dos deuses e das sensações. Eles são gente como a gente, também choram, também sofrem, amam, matam, sentem inveja, lutam, perdem e ganham todos os dias.