quinta-feira, 17 de abril de 2014

Kitchen Table

*Inspirada na canção de Jake Bugg.*

Eu dançaria esse tipo de música com você até todas as minhas forças se esgotarem mas, sei que você estaria muito bem disposto e me teria em suas mãos. Imagino o jeito que você me toma pela mão, me permite apoiar-se em seus ombros enquanto me leva cômodos á dentro.
Relembro o modo que suas mãos se emaranham nos meus cabelos e deslizam sobre a minha roupa, como quem observa e estrategia mil maneiras de entrar. Eu deixo a porta entre-aberta, como de costume, mesmo sendo você, a quem eu deixaria frestas, brechas, janelas e portas á disposição.
O teu beijo é inconfundível e agora, insubstituível. Posso beijar quantas bocas forem, nenhuma é tão dócil e viciante quanto a sua. Nada mais é o mesmo: os caras não são os mesmos, nem os detalhes, a barba, os lábios, o abraço, o suspiro e nem eu sou mais a mesma, só exijo você.
Recebi você como se estivesse pagando meus antigos pecados, assim como estou me melhorando. Errei, não me arrependo e até gradeço o tal regente do universo. Você é meu pagamento, o melhor que eu poderia ganhar. Contraditório... Pagar pelos pecados, vivendo num pecado irresistível. De novo? Não. É bem diferente. Já pensou por um segundo, que se por um descuido, eu apareço te falando em qualquer lugar que chamei seu nome enquanto estava com outro? Não seria novidade pra mim.
Algo te colocou na minha vida e eu só quero aproveitar, não somente o bom mas, por quê não o ruim? Eu quero tudo de você. Desde os beijos, o toque, a sede, o vício e o desejo. Sempre mais, sem parar.
Quebrar o resto da minha cama, bagunçar mais o quarto, dividir meus poucos livros com um senhor mini-bibliotecário. Tragar do seu cigarro, cuidar do seu coração, tratar da sua alma e aliviar suas dores de cabeça. Preparar sua comida favorita, cumprir com os seus caprichos, ser um pouco de tudo. Conversar sobre o seu futuro, te contar dos meus planos, reclamar, só um pouquinho, da minha vida e te pedir uma história sobre vikings antes de dormir. Pra que você seja um pouco de tudo pra mim também.
Vou querer me perder em tudo que te pertence, ler os livros que te dei, vestir sua blusa velha, aquecer o meu corpo no seu, dormir e acordar umas seis vezes na madrugada, pra provocar, pra acordar e não pedir nada, e depois te ver dormir.
Alguma hora, finalmente vou poder parar de perguntar sobre como foi o seu dia. Não quero saber se você está bem, mas agora você estando ou não, vai ficar melhor, por minha causa. Imagino você me caçoando de toda armada filosófica que ensaiei dias diante o espelho pra você me desbancar de alguma forma. E vamos discutir política, falar do país, falar de tudo o que a gente não se bate em gosto e finalmente, falar do quanto você é insuportavelmente inconveniente.
E nessa mesma hora, consolidaremos. As mãos nas coxas, lábios no pescoço, dedos contra zíper, cinto, saia e meia-calça. O som ambiente, a trilha que separei um dia antes, que ainda não vão esconder o ranger da cama. O tempo parado, luzes apagadas e a claridade da rua, do meio fio da janela. Abusar do sensível, destruir o que é frágil, obrigar, forçar, um pouquinho, um pouco mais. Cada vez mais.
Chamar o nome que não há perigo de confusão, na verdade, é o que se encaixa no meus requisitos... É como eu disse, eu só exijo você, que no meio de peito devastado, achou um abrigo dos bons. Coração bom chama o outro, as punições que viram lições, que nos fazem estufar o peito "Eu o fiz!", também nos chama e o que nos liga, é a sinceridade. Você, minha dor de cabeça, a penitência... É vice e versa. Sou o mesmo.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Não quero dizer que te amo

Já estamos fartos, ambos, dessas três palavras em conjunto.
Eu quero mais do que tudo agora, poder te mostrar o quanto eu gosto de você
Mas não quero dizer. Não consigo dizer. Não dá.

Não quero dizer que te amo, não me pergunte porquê.
Acho que você mais do que ninguém deve saber
Assim como eu, você já escutou demais, ou não escutou.
E na falta da palavra, do vocabulário despregou.
Agora não sei mais usar, não sei se consigo usar.
Mas ainda sei me jogar nos sentimentos de cabeça,
Tenho mil planos pra que você não se esqueça
Que mesmo que eu não queira dizer que te amo,
Você saiba que lá no fundo, tem amor.
Mas tem dor, amargor, sem pudor.

Se um dia me faltarem palavras pra demonstrar
As minhas mãos nas tuas eu vou descansar,
Meus lábios nos teus vão repousar,
Os meus braços serão o teu lar
E o meu corpo, o seu altar.

E mesmo que eu ainda não diga que te ame
Farei além do mais que estiver ao meu alcance
Pra que você finalmente me dê uma chance
Dentre tantos erros e tanta coisa diferente
Eu possa, finalmente
Permitir me, amar.

E se toda rima acabar
Se demonstração lhe faltar
E até minha presença cessar,
Me cria do teu jeito:
"A moça que não te dá sossego
Que tem um pouco de desleixo
Se intimida com o teu jeito
Morre com o seu beijo e
Adora o seu cheiro".

Eu não quero dizer que te amo
Vou apelar ao ato profano
A quem mesmo estou enganando?
Não engulo esse orgulho tirano.
É pura proteção, pra você e pra mim
Já quero aceitar o fim
Sem mesmo ter um começo.
Vou te virar do avesso
Nossas dores passadas, esqueço
Uma porta aberta, eu deixo.

Não quero dizer que te amo
Eu vou mesmo é gritar pra todo mundo
Vou cuspir as verdades na tua cara
Toda fúria de uma coisa rara
Nunca me aconteceu tal coisa
Me fez chorar de tola
As noites em claro, a toa.
Eu vou te provar
Quando eu não puder mais me segurar
E o meu peito doer de tanto te chamar
Que eu não quero dizer que te amo
Pois tenho medo de te amar.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Portas de Papel (Diálogo)

Antes, um pequeno agradecimento ao mestre Uibirá Barreto, pela excelente aula do dia 5/4.

Eu fechei os olhos e repousei a cabeça sobre o travesseiro. Meus sonhos se tornaram aparentemente inalcançáveis e fragmentados num enorme buraco negro. Penso que, por mais que me agrade a solidão e as trevas, nada faz muito sentido. Queria poder não estar sozinha e principalmente , ter tudo mais claro á minha visão.
Então no meio daquela escuridão, apareceram portas claras, iluminadas. Chegavam á cegar de tão brancas, se aproximando delas. Uma delas me chamou atenção e a medida que ia me aproximando de uma, as demais me cercavam, formando um círculo. No ultimo passo, prestes á abri-la, uma criatura aterrorizante, com garras e dentes afiados, olhos rubros desafiadores e uma postura que impunha qualquer coisa acima do temor. Você vai entrar? - Perguntou-me ela. E eu a fitei pois meus olhos se fixaram, meu corpo não se movia e eu não poderia sair de lá tão cedo. Você vai entrar? - Repetiu-me ela. Eu quero. Sinceramente, eu quero. Ela me chamou atenção mais que as outras. E por que você quer entrar? - Chegando cada vez mais perto de me devorar com os faróis rubros. Quero entrar pois essa porta me chama. Quero saber o que tem lá. Esse é o seu maior sonho. O reconhecimento, o vencer da luta consigo mesma. Você não está preparada. E quem é você pra saber quando eu estarei preparada ou não? - Ousei desafiá-lo. Uma risada sombria acoplou meus ouvidos. Quem é você? É a pergunta que deverias fazer diante do espelho, antes de criticar o seu corpo, as tuas marcas, as tuas feridas, suas lágrimas. Quem é você, Beatriz?
E meu coração disparou. A criatura sabia meu nome... O que seria ela? Um demônio? O protetor que sempre achei que estava sob minha presença aquele tempo todo?
Eu não sei muito sobre mim mesma, debaixo dessa carne. Você poderia começar por partes. Diga-me sobre o seu coração. É um caco. É o desastre do meu ser. Não o culpe pelos seus erros. Sua insensatez vem da sua cabeça. É você, ou melhor, sua mente, quem erra. É tudo culpa sua. Você não está me ajudando muito. Viu? Como se julga capaz de abrir essa porta se além de não se conhecer, você não consegue encarar o que você realmente é?
É confuso demais. E involuntariamente dei um passo pra trás, e como uma ilusão em fumaça, a porta de pareceu distante e a criatura voltou as sombras.
Algo me levou á segunda porta, num respirar fundo, dei um passo á frente e outra criatura me apareceu, perguntando a mesma coisa.
Será que vocês não me deixam sonhar em paz? Qual é o preço de tudo isso? Por que fazem isso? Mas você já está se queixando? A paciência realmente não é o seu forte. Eu tenho sede de futuro, de respostas, de soluções. E acha que vai conseguir isso do dia pra noite? Você mesma sempre soube, que é um diamante. O que você quer dizer com isso? Aquela música que você escreveu... As relações, como deja-vu, que você presencia á respeito da sua vida. Você tem todas as chaves nas mãos e ainda insiste em abrir as portas erradas, isso quando não descarta as chaves de qualquer jeito. Você sabe o que fazer, mas você foge demais. Eu sou covarde, assumo. Tenho medo e ainda nem sei o que me mantém aqui.
Você sabia que a esperança é algo oculto? Não é a raiva das pessoas que te move, nem a indignação pelas rédeas do seu país, tampouco a preguiça de morrer. Você já ameaçou partir, uma, duas, três vezes. Você ameça sempre explodir. A troco de nada. Toda essa tensão, você poderia evitar.
Duvido muito que a indignação e o ódio não me movam. É praticamente por isso que estou aqui. O que eu ganho com essa raiva toda? Simples, eu quero mudar. Quero mudar as pessoas, quero mudar as cabeças, os corações, quero aconselhar e mostrar o certo. E você sabe o que é certo? Eu acho que não. Não adianta, você sabe mas esconde essa verdade... Já dizia Sócrates, que se você sabe o que fazer e não o faz, você na verdade não sabe. Tá. Eu não sei, na verdade, é de nada. Já dizia Sócrates e eu também sou uma puta adepta dessa frase: Só sei que nada sei. E eu sei que isso é um bom começo. Mas do que adianta? Você está parada, ainda no começo. Não estou falando da sua idade, nem das coisas que você passou. Você ainda está no começo, tem as chaves mas não dá o segundo passo. Vai ficar parada até quando?
E aquela pergunta me deixou sem resposta. Observei a porta mais uma vez, esbravejei e dei um passo pra trás. A criatura gargalhou e sumiu, assim como a porta se viu mais longe de mim. Apesar de não saber como eu estava de pé naquele abismo, senti uma vontade enorme de me jogar no chão e espernear feito criança mimada mas, logo como um relâmpago, outro pensamento interveio á mente. Vai fugir de novo? Quantas vezes mais você vai fugir? O abismo não é uma saída, é o fim, e simplesmente o fim. Você não pode ir embora agora. Eu não gastei tempo te enriquecendo a toa pra você jogar isso no lixo.
E quem estava falando? Não era eu. Nem as criaturas que receptavam as portas. Seria Deus? Respirei fundo e, seja lá quem for, me colocou um sorriso na cara e me fez crer que tinha razão. Eu não tenho essa cabeça á toa... Eu não faço teimosia á toa, não faço nada á toa. Eu estou apenas no começo e, acho que eu mereço saber o fim de tudo isso.
Dei um passo á frente como das ultimas duas vezes, com o peito estufado e punhos cerrados, como se fosse lutar. Aonde você vai com tanta pressa? Eu quero entrar, e eu vou entrar. Não tem medo do que possa estar te esperando do outro lado? E se você não conseguir abrir essa porta? Não é você e nem nada que vai me impedir.
E a criatura se enfureceu, soltou um grunhido mais diabólico do que as risadas sobre o meu fracasso. Você tem certeza que eu não vou te impedir? Primeiro que, eu já falei que eu quero e vou entrar. Segundo: Se eu ter medo de tudo que eu vá encontrar depois das portas, eu nunca vou sair daqui. Terceiro: Tenta a sorte, parceiro! Da tua raça eu conheço a minoria, mas não temo á nenhum de vocês!
E conforme cuspi as ultimas palavras, a fúria da criatura a devorou, juntamente com a minha determinação. Apoiei as mãos tão forte sobre a porta, acreditando ser maciça, granito, e caí, rolando entrada á dentro.
Finalmente eu saí das trevas. Cocei os olhos para que os mesmo se adaptassem com a luz que, mesmo que ainda fraca, eu não conhecia. Respirei fundo e saí da cama. Estava pronta pra viver aquela etapa, aquela entrada, aquela porta.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Dois melhores (críticas musicais) Pt.1

Quer dizer então que a filosofa, escritora, cantora e letrista (chef de cozinha nas horas vagas e outras coisinhas maravilhosas que não vem ao caso), decidiu botar a banca de crítica de música? Pois é.
Hoje, voltando da minha viagem (brincadeira, do meu curso que fica na cidade vizinha), pensei em simular uma entrevista comigo mesma para determinar os melhores músicos, na minha humilde e modesta opinião como artista (não muito refinada, ainda falta muito pra eu crescer como uma).
Vamos lá, a bagaça funciona assim: Como eu sou uma tiete implacável e defendo meus ídolos com unhas e dentes, eu não conseguiria escolher somente um cara pra levar a melhor. Então ficam os principais critérios:

  • Categoria Masculina (só homem, pls)
  • Internacional (porquê de brazuca pra mim só existe Vespas Mandarinas e eles são melhores em tudo, bjos!)
  • Dois caras, duas explicações e uma justificativa pra vocês tirarem suas próprias conclusões.
#Partiu.

  • MELHORES INTÉRPRETES


- Gustav Wood (Young Guns) e Corey Taylor (Slipknot, Stone Sour)

Prevejo crucificações logo na primeira rodada! Sim, esses dois caras são artistas completos, cada um á sua maneira.

Gustav tem uma afinação impecável e um timbre deliciosamente convidativo. Além da extensão vocal, o inglês usa de várias artimanhas, como se fosse efeitos na voz (me perdoem, não lembro mais das aulas de téc. vocal D: ), dando cor as músicas... O cara consegue abusar da agressividade sem machucar nossos ouvidos ("Headlights", "Bones"), e consegue uma nuance perfeita, alterando cada efeito com muita facilidade e sem muito susto.
Escolhi "Broadfields" pois, além de ser a música mais marcante da minha vida, ela é um bom exemplo sobre a "palheta" de cores da voz de Gustav.


Corey, bem, eu não preciso falar muito. O cara já tem uma cassetada de músicas na estrada, tem duas bandas e uma voz incrível (e saudável!). Como o meu melhor amigo me ensinou a gostar de Slipk, escutei o álbum que, segundo ele, é o melhor em questões de técnica vocal á respeito do Sr. Taylor. De fato, conhecendo agora e juntando mais um pouco do que já escutei de Stone Sour á mil anos atrás, constatei que ele é talentoso e mata a pau. Ele tem o leque de efeitos ainda mais aberto, podendo cantar a mais sutil e emocionante das canções ("Vermillion II", "Snuff") até explodir com uma técnica de tirar o chapéu e deixar qualquer um de queixo caído, com a facilidade de alternar a voz ("Psichosocial").
Apelando pra tietágem, "Til We Die" é a carta na manga. Apesar de ser mais macia, tem sua qualidade.


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  • MELHORES BATERISTAS
- Ben Jolliffe (Young Guns) e Christopher Schneider (Rammstein, Feeling B)

Young Guns de novo, cara? Pois é, não é atoa que é a minha banda favorita. -q

Ben faz um estrago na batera que é um batuque divino. Confesso que fiquei em dúvida entre ele e Kris Kohls (Adema) pois ambos consegue imprimir sua marca na bateria, o que é realmente difícil mas, magnífico pra quem consegue. Seria marmelada colocar o "Bones" inteiro pra rodar aqui, mas já que é preciso escolher um só destaque para Ben, que seja "Dearly Departed".


Sobre Doom Schneider: o cara faz juz ao nome. É a desgraça em pessoa, um demônio na bateria, de verdade. O moço punk já veio com o Feeling B (o som dos caras é maluquice, ou você pira junto ou quebra o disco) e a era de ouro do Rammstein (acredito eu que apesar da banda lacrar em todos os álbuns, trazendo uma proposta diferente á cada um mas que não fuja do selo Rammstein de qualidade, o golden é "Herzeleid"), veio como se fosse aquela coisa de primeiras impressões são as que ficam. Pois é, Weisses Fleisch é a prova disso, o cartão de visita do cara.


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  • MELHORES GUITARRISTAS
David Sullivan (Red Fang) e Brad Delson (Linkin Park)

Foi um sacrifício escolher mas, achei justo. São dois virtuosos, sim, realmente são.

David é a pilastra do Red Fang, a goiabada do queijo, o chocolate no morango e suas mãos nasceram pra guitarra. O stoner rock é visto como aquele rock de caminhoneiro barbudo que pára no bar de country pra tomar uma cerveja num caneco monstro e comer umas gostosas vestidas de cow-girls. Vamos dizer que a banda não foge da proposta do som pesado e abafado, mas eu poderia até chamar de new-stoner pela roupagem. Também é impossível escolher um só som dos caras (isso porque eu ainda não ouvi o cd novo), mas como não pode colocar o player dos dos cds, "Human Herd" é um aperitivo.

O mendigo não é o meu segundo membro favorito á toa (ah sério? quantos favoritos você não tem aqui né, Bea?). Eu não tenho muito o que falar dele... Só há elogios pro cara que foi braço direito do Mike Shinoda na fundação Xero-Linkin Park, que é multi-instrumentista, produtor de vídeos e o manager da Machine Shop Records. Fora que como pessoa, não existe mais fofo que ele.
Aquela coisa de solo mítico? Bem, impossível escolher um só. "The Little Things Give You Away" e "No More Sorrow" são as mais cotadas, fora a lacração sem fim com o retorno das cinzas, com "Guilty All The Same". "Qwerty" porquê um b-side merece ser reconhecido, fora que é uma pauleira do caralho.

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This is It -q Espero que tenham gostado. (se não gostar também, foda-se, o blog é meu hahaha)

terça-feira, 1 de abril de 2014

Primeiro de Abril

Quando acordei, senti o peso do universo em minhas costas. As olheiras agraciavam meu rosto, sendo um detalhe especial e peculiar. Suspirei na tentativa falha de aliviar a dor fictícia do meu peito que me esmagava dia após dia. Lavei o rosto e olhei no espelho do banheiro, falando á mim mesma "eu não aguento mais. Eu tenho que fazer isso".
Olhei o número de telefone em cima do criado-mudo. Seria covardia, já que se trata de uma coisa tão importante, o melhor mesmo era ir lá e jogar tudo na cara dele. E após o banho morto, debaixo do chuveiro como se ele me petrificasse, me cobri de moletons como se fossem armaduras do mais valioso metal. Respirei fundo mais uma vez e mordi os lábios de dentro pra fora, preparando-os como se fosse minha arma, do mais grosso calibre.
Cruzei a porta e a cada passo, uma palavra me vinha á mente. Eu tinha tanto o que dizer... Um sentimento guardado e triturado, junto com o meu coração, vindo de outras tantas viagens que acabaram em tragédia. Meus passos se apressaram, minhas mãos se apertaram a fundo nos bolsos e um sorriso veio. Era o cominho da minha libertação, a declaração seria a chave do cadeado que me acorrentava. E essas correntes seriam meus braços, o desfeito das mãos atadas, correndo livremente para um abraço aconchegante. Eu seria o seu moletom, te aqueceria e seria macia, o teu aconchego. Meus lábios, depois dos tiros, ainda te arrebatariam, o beijo fatal, do final feliz.
Cheguei na sua casa, o sorriso se rasgou no meu rosto e o coração no meu peito. Corri até a porta e você mesmo a atendeu.
Eu te amo e não consigo mais esconder isso de você. Quero ser a mulher da sua vida, quero cuidar de você integralmente. Quero fazer todas as tuas vontades, matar teus desejos, ser o motivo da tua felicidade. Quero ser tudo pra você assim como você é tudo pra mim. Nenhuma das mil palavras que pensei em te dizer, poderiam descrever tal heresia que sinto ao te ver, ao te tocar, no teu abraço e no teu olhar. Eu te amo como um amigo, como um irmão, como um companheiro e como um amante. Eu te amo retardadamente. Já tive insegurança mas também já tive esperança, e hoje eu sei que... Posso parecer uma idiota vindo á tua porta e lhe declarando amor, mas não quero mais me esconder. Vim me expor, vim te dar tudo, minha vida, meu coração... É o que mais quero ser nesse momento e quem sabe, por quê não, pra sempre? Eu te amo... Eu te amo!
E não pude conter os risos, que também o contagiaram. Me senti a pessoa mais idiota do mundo mas sabia que o que eu estava fazendo era o certo. Era o que meu coração implorava. Ele me olhou fixamente, depois de acariciar a barriga, de dor de tanto rir, e segurou minhas mãos.
"Você é ótima com piadas. Feliz primeiro de abril!"
E meu sorriso se costurou no meu rosto e o coração no meu peito.
Podia realmente ser uma idiota, vindo a tua porta e lhe declarando amor, mas sabia que o que eu estava fazendo era certo, mesmo tendo agora, um sentimento massacrado e triturado, junto com o meu coração, vindo de outras tantas viagens que acabaram em tragédia.

domingo, 9 de março de 2014

Ela não gosta de Mulheres

Confesso que não é a primeira vez que ando preocupada com a minha personalidade mas, é a primeira vez que me preocupo em alguns meses. Ando descontraída, atualmente apaixonada por um falso crápula e defendendo arduamente os homens. Sim. Que merda é essa? Eu também não sei. Pois bem, isso envolve muito mais que a minha sexualidade. Não tenho mais certeza se sou bissexual. Sentir atração por mulheres mas querer distância delas, bem, não é uma forma muito lá sensata de definir opção sexual. Imaginem vocês, homens. Você paquera aquela gatinha do curso, do facebook, seja lá de onde ela é, e quando ela te chama pra sair, você não quer porquê teme a dor de cabeça que ela vai te dar. Ou pelos traumas passados como crises de ciúmes sem ter nenhum compromisso, as exigências, as frases clássicas tipo "eu tô gorda? você me ama? eu transo bem? você me quer?" etc. Enfim, no meu caso são traumas. Mulher é ótima, mas pra mim, só a distância. E OLHA LÁ.
Me pergunto se estou virando mais machista do que eu já era. Sempre odiei revista feminina pois, os conteúdos só comprovam o quanto mulher é fútil (se toquem, se vocês querem aprender alguma coisa, estudem, façam uma faculdade e vivam a vida pois, não há professor melhor. [Sim, é uma pirralha de dezessete anos te falando isso]). As revistas masculinas são quase perfeitas, pelo menos pra mim foi de grande serventia aprender sobre uísques, ler sobre grandes magnatas e de como eles chegaram aonde estão, aprender mais sobre sexo (sem besteirol e frescurinha) e rir da visão que eles tem sobre as mulheres e as respectivas piadas sobre qualquer coisa. Homem tem um suporte pra um bom humor venerável, incrível. (Assinem a Maxim, foi essa que eu li e vou assinar quando eu começar a trabalhar, recomendadíssima.)
Apesar de tudo, acho que o que está acontecendo comigo é um leve peso de consciência e um colapso de burrice e cegueira. Estar apaixonada significa, pra mim, além de se fuder, tentar compreender a outra pessoa. Afinal, o amor entre homem e mulher começa daí. Você se sente atraído por tal pessoa, conhece ela e tenta ir mais fundo, e vai gostando, se apaixonando por ela a cada dia que ela se apresenta numa nova face pra você. Até chegar no amor, que eu não sei explicar o que é.
Tá, você deve não estar entendendo o porquê do colapso de burrice e cegueira. Eu prefiro não entrar em detalhes, apesar de ser um sério problema não confiar numa pessoa que você gosta muito. Pois bem, eu estaria generalizando se fosse explicar o porquê estou com a haste levantada para o time dos rapazes. Um, acabou com a minha vida (sem drama). Outros são crianças, outras eu machuquei e pisei, duas eu traí, sem ressentimento. Não sou e nunca fui santa e muito menos defensora de alguma coisa que realmente precisasse de atenção. Vamos ver se consigo definir melhor, talvez o filme que eu assisti possa fazer você entender.
"Scott Pilgrim" conta a história de um cara de bobo que enfrenta a "liga dos sete ex malvados" de uma garota chamada Ramona (uma cu de anta de cabelo colorido que não faz quase pica nenhuma pra ajudar o otário). Sinceramente eu achei um filme horroroso e só o assisti pra ter um argumento válido pra dizer "é uma bosta". Porém nos cinco minutos finais eu achei incrível todas as fichas que foram caindo pro cara e, sem querer, pra mim. Ele morreu nesse jogo da conquista e, recuperando a vida (sim, cogumelos, moedinhas, imagina só!) ele pôde fazer tudo diferente, certo, no caso. Entrou na boate, mandou todo mundo ir se foder e foi lutar NÃO PELA MINA mas, por ele mesmo. *Scott ganhou a espada do auto-respeito* e nessa hora, eu dei um puta grito de "CARALHO, É ISSO!!!"
Fora o final [TEM SPOILER AQUI, VAZA!] que ele enfrenta á si mesmo, o "nega Scott" ( wat? )
Enfim, não jogo video-game ainda. Bem, e ele termina numa boa, troca uma ideia com ele mesmo e se aceita, além de ficar de boa com a ex e a com a Ramona, que fica com ele no fim. Seria mancada né? Mas eu quase pensei. *risos*
Ando meio contra as mulheres e suas atitudes. Não sei porquê e nem quero saber. Me tornei aquele tipinho deplorável que age sendo o que não é, no caso, um homem. Penso como um homem, na maioria das vezes só que ainda, em partes. Isso vai me ajudar na escrita de uma nova história que planejo publicar e registrar, quem sabe torná-la um livro. Em breve, mais infos sobre.
O mais irônico foi ter aflorado toda essa revolta no dia internacional da mulher. Titubeei ao dizer que adoro ser mulher. Disse que ser mulher é "não poder me vestir como quero pois tem caras querendo me comer e se acaso eu for estuprada, outras mulheres vão me julgar".
Ser mulher poderia ser bem melhor. Não tô falando sobre não menstruar e poder usar roupas curtas. Tanto roupas curtas quanto longas ainda fazem um cara filho de uma puta olhar pra mim com olhos de cobiça. Falo sobre essa futilidade das revistas, da televisão que nos prega como pedaços de carne, esse apelo sexual sem fim, esse molde de corpo. Magra, loira, cabelo liso, sem estrias, é um saco. Essas roupas que não cabem em mim e nem na minha melhor amiga. O casamento que eu não vou de salto de jeito algum, ainda que me olhem torto pelo all star ou pelo mocassim nos meus pés. Até a porcaria da calcinha que eu não posso usar porque minha bunda é astronomicamente grande.
Não tenho como encerrar um assunto desses. O esquema é continuar sendo mulher, se aproveitar de algumas façanhas tipo, a bunda grande e minha inteligência (não nessa ordem, por favor) pra ter barbas roçando no meu pescoço.
É, um fato curioso é que, se acaso eu fosse homem mesmo, eu seria gay. O que comprova isso? Duas coisas: Hermes e Renato já diziam que "mulher gosta é de dinheiro, quem gosta de perú é bicha" e, eu não tenho e nunca vou ter, o culhão (coragem) que os homens tem pra aturar as mulheres.
Parabéns, pra todos os héteros. (Sempre quis dizer isso).

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Declarado em Silêncio

Eu acho que não é segredo pra ninguém que realmente me conhece, de que eu só gosto do que me parece ser impossível. Ultimamente, minha cabeça anda falando menos que o coração. Isso não é lá um bom sinal porém, eu estou muito feliz com o andamento das coisas. Aqui dentro de mim, sinto algo confuso mas, talvez com explicação, toda vez que penso em você, falo com você, falo de você. Digo que é confuso pois eu não quero admitir, aliás, afirmar simplesmente ser algo que eu nem sei o que é. Junto, a insegurança, o medo terrível de se machucar de novo, e todo aquele encantamento pelo inconvencional. A começar pelo motivo que nos juntou: uma conversa paralela onde discordei de você numa argumentação qualquer. Conversamos, debatemos, nos apresentamos com o pior de cada um... Isso foi muito marcante pra mim e tenho certeza de que não vou esquecer tão cedo. Nisso eu posso dizer que existe certa hipocrisia da minha parte ao admitir que não confio em você. Como você pode confiar em mim depois de tudo o que eu mesma disse a meu respeito?
Será que não somos cruéis demais conosco? Penso que você não é tão mau quanto diz. É que é tão difícil te falar... Eu queria entrar dentro de você e conseguir ainda mais, ver, a excelente pessoa que você é. Na verdade, isso seria feito somente pra consolidar o que eu já sei, o que sinto, mas que não quero aceitar de uma vez. Me sinto separada de ti por um cubo de vidro, onde eu só tenho coragem de tentar quebrá-lo quando você não está olhando diretamente pra mim, mas tenho medo da sua reação. Eu sei que já houveram outras mil pessoas que tentaram nessa tua redoma e, nessa que você deixou, quebraram tudo dentro dela. Pra mim bastou uma única vez. Me violentaram fisicamente, mentalmente e de tudo mais que podiam. Não consegui mais acreditar, me entregar, sentir algo que realmente mexesse comigo.
O modo como me acolheu na catraca do metrô... Lembro-me como se fosse ontem. O jeito que me olhava, fazia minha pernas tremerem e meu coração bater mais rápido. Cada abraço, macio e mediano, tão bom. Cada palavra, promíscua, me dando arrepios, imaginação, inspiração. Acho que você vai ter de pôr em prática o seu plano que me disse que tinha, acaso eu me apaixonasse por você. Eu não consigo mais esconder. Eu penso em você involuntariamente, em qualquer coisa que eu faça e, agora eu tenho caminho livre pra me encontrar no teu.
Tenho uma vontade sem fim de mudar sua vida, ser sua amiga, sua amante, sua companheira, sua namorada. Eu quero ser o teu porto seguro. Quero ser pra você como a outorga de Arthur ao puxar a espada da rocha, como a força e a segurança de poder seguir em frente, de tomar decisões difíceis sabendo que independentemente das consequências, alguém vai te apoiar. Eu quero ser esse alguém.
Reconheço que não estou preparada ainda. Mas enquanto isso, decidimos cuidar um do outro e ter paciência um com o outro. Eu tenho toda a paciência do universo com você e mais ainda, todo carinho do mundo que alguém poderia te dar. Eu quero te amar como um todo, de todas as maneiras. Te fazer feliz e te dar um motivo, dois, três mil motivos, pra sorrir. Enquanto isso vamos nos cuidando, nos gostando, nos aturando, nos tentando. Fazendo de cada encontro, algo pra se deitar na cama antes de dormir e se lembrar instantaneamente, suspirar e sorrir. Vou deixar meu perfume na tua pele, meu sabor na tua boca, minhas unhas nas tuas costas, meus dentes nos teus lábios e quem sabe mais pra frente, meu coração nas tuas mãos. Apesar de esmigalhado, ele ainda vale muito e tem um lugar dentro dele, esperando por você.
Quero estar preparada para enfrentar o que for pra ficar do teu lado e cuidar de você. Isso vai além do medo, da insegurança, do ciúme louco e desenfreado que sinto, dessa bomba dentro de mim que explode com fogo sem pavio. E eu vou me preparar pra você, te esperar, arrumar a casa, fazer um café e ajeitar a cama.
Não garanto melhorias na minha cabeça mas, minhas atitudes serão muito bem pensadas antes de executadas. Que a maturidade esteja sempre comigo... Que tudo mais que eu tiver de fazer pra ficar contigo, seja feito. Que toda força de vontade seja vista por todos e mais... Sentida por você, junto com tudo o que eu tenho á te oferecer.