sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Aceitar Jesus

Fazem lá umas três semanas que passo por uma montanha russa, também avisando que 2016 começou avisando que seria uma pedrada no meu emocional. Já fazia tanto tempo que não chorava, e ai chorei tudo, e chorei mais, com filmes, com séries, por saudade, por amor, por raiva.
Ando com a cabeça e o peito a milhão. Queria e não queria escrever, certamente que alguns dos meus planetas estão encrustados em Gêmeos, que não me deixam fazer nada, pela dúvida.
Tudo começou lá no Tatuapé. Desde já odeio aquele lugar, aquela catraca movimentadíssima que tem lugares esquisitos, pilastras de metal e portões pra se esconder. Me desencontrei com o Vico, quis matá-lo e quis morrer. Eu, naquela noite, saí de mim.
Eu sempre mantive aquela postura fina de mulher não ciumenta que acha que dar show é a coisa mais ridícula do planeta. Bem, não sei se tenho alguma anistia por não ter sido ciúmes mas, me dei conta de qualquer forma, que essa paixão, esse menino, estavam me deixando louca de verdade.
Chorei como quem perdeu a mãe, ou o pai. Me descabelei, gritei, bati a cabeça várias vezes na pilastra. Queria morrer, me odiava, me odiava, me odiava muito. Pensei em me furar de novo, me cortar, mas meter a faca várias vezes sem parar na barriga e no peito, talvez, uma mortal.
Hoje eu não sei mais dizer se ele tem culpa ou não mas, só tenho certeza de que escolhi pensar que tudo na minha vida, principalmente ele, só tem poder em embate com a importância que dou, a ele, e as coisas todas. Eu o amo, quero amá-lo, mas ás vezes ele me machuca sem querer, eu mesma me machuco e assim vai. Não me importo, mas ás vezes dói.
O segurança veio falar comigo e achou que eu iria me atirar na linha do metrô. Eu estava histérica demais, soluçava. Tenho vergonha de pensar nisso, agora que estou escrevendo mas, tudo bem. Eu guardo tanta coisa pra mim, ando tão sem confiança nas pessoas, nos poucos amigos, sabe, eu cansei pois, estou evitando até as pessoas mais próximas, justamente pra não ouvir de problemas. Eu tô tão bem, com dinheiro, com emprego, com ocupação. Só sinto saudade dos meus amigos e do meu pai, do meu irmão... Vai, saudade da família, apesar da minha mãe continuar uma chata e meu pai, sempre recusando meus convites pra sair pra almoçar, nunca me vendo e quando o faz, briga comigo.
Eu devo ser a pessoa mais merda do mundo, ou devo só amar as pessoas erradas, não sei o que é mais real nisso tudo, mas prefiro acreditar na segunda opção. Sei lá, mais confortável, ainda que a primeira seja gritante.
Ainda naquele mesmo lugar mas em dias totalmente distintos, reencontrei minha banda e o beibe estava maravilhosamente arrumado. Parecia, ao invés do Josh Homme, o Troy Van Leeuwen, com aquele blazer e a camisa escura. Ele estava lindo... Meu deus, sabe a pessoa que já é linda e aí ela se arruma? AHSUAHSAHUSHAS desculpa essa escrita mas, é isso! Exatamente isso.
As pessoas costumam dizer isso de mim o tempo todo. Você é linda mas não se arruma. Tá, quem só diz isso, nessas, exatamente nessas palavras,  é  só o meu irmão, o resto dá uma disfarçada, fala mais educadamente com mais siriguela.
Temi que reencontrar o beibe seria aquela loucura, aquele fogo no rabo se acendendo de novo, um inferno, uma falta de ar demoníaca e não. Não foi. E quando cheguei em casa, aliás, até mesmo na hora quando fui me despedir e me despedi dele como me despeço de qualquer pessoa, sem dar aquele beijo de verdade na bochecha, eu realmente percebi. Acabou, passou, graças a Deus, menos um.
Não que ainda eu não morra com aqueles olhos verdes, aquele maldito sorriso e sei lá... A voz dele, o jeitinho fofo dele. Quero tanto que ele seja feliz, mas sou feliz, muito, por ser amiga dele. Acho que já aprendi a me contentar com essa posição.
Como se não bastasse, mesmo que o beibe tenha sido riscado parcialmente da lista de pessoas com quem quero transar, ainda tem o amiguinho citado nos contos anteriores. Ainda não lhe dei um nome, então continuará sendo o amiguinho-casado-idiota-assumidamente-canalha da baby beatz.
Meu caráter está sendo posto em xeque com esse cara. Meu deus, o que diabo ele tem? É a aliança? é o fato dele ser comprometido? Ele é uma pessoa maravilhosa mas, o que diacho me faz querer tirar uma casquinha??!?! Que inferno! Eu não quero. Eu não posso, e lá estou eu convidando-o pro cinema, fazendo-se de difícil, almoçando com ele e reclamando das gentilezas que ele me faz. Sou tão filha da puta, digo que ele é canalha enquanto eu, olho com olhos de "me fode logo por favor", fazendo gracinha e mais tarde, me preocupando com a esposa dele que aparece do nada morrendo de dores pela gravidez. Aliás, não tão do nada pois, agora ela já deve ter feito uma ordem cronológica dos seguimentos das folgas, onde em um dia, ou melhor, em uma tarde pra noite, ficamos só eu e ele lá. Ela sabe, então vai lá conferir. "Ela é ciumenta", dizem. Foda-se, ela é feia também.
Caprichos. São apenas caprichos.
Há um exemplo sórdido que diz "experimente deixar passar seis meses enquanto você quiser alguma coisa e se, você realmente precisar dela, estará querendo-a como nunca ainda depois desses seis meses". Que merda é essa de se medir algo com o tempo? Medir paixões ainda? Não sei o que é mais insano, usar algo externo, que não está no nosso controle para justificar alguma coisa nossa, ou delimitar exatamente isso, o que acomete de fora pra dentro. Nada está no nosso controle, nesse caso, nem a paixão, nem o tempo. Mas meu caráter super chato fica ressonando "ah é? você diz isso só pra foder logo com ele e ficar falando que não tem culpa, que não estava no seu controle essa vontade de meter". Pois é.
Sempre são as paixões que me tiram do eixo. Bem, tudo bem. Eu estou bem melhor do que quando estava em 2013 por exemplo. Eu me sinto orgulhosa com todas as mudanças, todas as coisas que fiz até agora. Fico feliz pela aceitação de que, há dias bons e dias ruins, e que eles existem pra todo mundo. Fico feliz por ler Sêneca e seus novos livros, novos pra mim... Ele é um gênio, um elo perfeito entre o epicurismo e estoicismo. Feliz pelos cafés que compro, pelos doritos, pelos filmes que assisto, os livros que compro, as coisinhas bestas que eu quero e consigo. Por estar dando o rumo que eu quero na minha vida, fazendo o que eu quero. Pensando com os pés no chão, pensando agora, e definindo no que quero investir. A banda sempre será meu amor maior, os livros e filmes estão tomando de conta do meu cotidiano, o meu emprego está maravilhoso, apesar de cansativo, e minhas dívidas estão sendo pagas, parcialmente.
É curioso como eu tomo o sentido da minha vida, digo, eu mesma, Beatriz Bianca Bezerra ou seja lá de que nome você me conheça. Será que alguém ainda tenta separar as coisas e tenta consertar como eu faço? Sêneca ainda tenta livrar minha cara, dizendo que não é tão importante obter êxito ao alcançar a plenitude e tudo mais, mas o importante de tudo é tentar. E eu tento... Consigo algum êxito, sentindo que sou uma pessoa melhor, não a cada dia que acordo mas, a cada momento de que me dou conta que aquilo, o momento em minha mãos, é uma chance que me é dada. E que eu só tenho uma, como já me foi dito, e como venho pensando, todo esse tempo.
Nessas de pensar se alguém tenta algo, como eu, me vem a prova viva de que "não". Ela me ofereceu ajuda, embarcou junto comigo lá naquele dia no Tatuapé. Me disse e me ouviu também, me ouviu muito bem até. Só inflamou na hora do "você tá gritando, olha aí, tá todo mundo te olhando". Gata, eu chamo atenção em querer, dá um tempo.
Basicamente, em resumo, porque já falei demais e não quero a atenção toda nela, já tendo o título dessa porra, ela sugeriu que eu aceitasse Jesus.
"Você bebe e fuma e acha que não faz nada errado?" - Bem, tem gente que faz coisa pior, tipo mentir e matar.
"Sabe, eu era assim também igual você. Fazia até coisa pior, também chorava e me descabelava." "Você é feliz?"
Lógico que não. Ninguém é feliz. Principalmente alguém em transição.
Se não bastasse a transição capilar, tem a transição da alma, do ser. Saindo da ilusão, da porra da caverna, pra fitar o sol e a luz da verdade. Maldita transição na terra média, em tempos de mesmos dramas do tempo medieval. Kaiser Chiefs nunca esteve tão certo em afirmar que o futuro seria medieval. Mesmas coisas! Chega a ser ridículo ler sobre os vícios lá atrás e ver como se fosse aqui e agora. Do comer e beber, do sexo, do consumo, do ócio... Tá tudo aqui.
Eu já passei dessa fase de acreditar em algo que não se pode ver ou que está longe demais, disse a ela. Deixa Jesus lá, ele não tem nada a ver com o meu fogo, com a minha loucura ou com o meu dinheiro.
Acho que é bonitinho agradecer a Deus pelas coisas que EU consegui. É bonitinho.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Virgem

Tomei um ônibus em direção ao que seria a última coisa, o encontro com as últimas coisas, a reflexão sobre elas e mais aquela batida fudida para os sentimentos há muito tempo esquecidos.
Cheguei em casa pensando em iniciar um novo romance mas, preferi retomar os antigos. Trouxe mais um livro pra ler, mais um que está numa fila de oito ou sete livro que já iniciei a leitura. Esmaltei as unhas de vermelho, usei um ótimo perfume, coloquei saltos médios, minha melhor roupa, e tudo aquilo que não posso usar durante a semana de trabalho. Não pude escovar o cabelo, não consegui horário e o dinheiro veio meio tarde... Mas não importa, eu veria no final das contas, quem eu realmente era.
Sou virginiana pois sou observadora, e no caminhar das atitudes e relacionamentos, tomo cuidado pra não errar com ninguém, observando e aprendendo respectivamente também com o erro dos outros. Curioso, engraçado... Achei que não sentiria mais algumas coisas. O calor de um abraço, um aconchego há muito tempo experimentado. Por alguns minutos me deixei ser acomodada nos braços de alguém, ter proteção ao invés de dar. Sempre isso, somente dar e não receber. Porém a gente ás vezes busca no lugar errado. Já há alguma ocupação, uma linha ocupada, cruzada porém, que não é sua, que apareceu por acaso. A gente comete os mesmos erros, uma, duas, três vezes. Eu vejo pontos de vista, eu, ela, ele e o outro, os outros dois, três.
Ele conseguiu entender o que eu quero, em partes. Me deu um fitilho bordô, roxo e branco, amarrou-o no meu punho direito enquanto eu bebia champanhe ou fumava um cigarro. Eu sorri, Deus... Mal conseguia controlar a cara de idiota. Ele finalmente deu o que eu quero... Demonstrações de afeto, sua idiota.
"É que agora vai dar certo." - palavras dele.
Eu acredito. A sinceridade daquele cara é a coisa mais tesuda que ele tem, depois das costas largas, os olhos castanhos amendoados. Olhos doces... Piscinas de ternura marrons. Deixo aqui o que não consegui te falar lá, já que conversamos coisas aleatórias e de certa forma, importantes. A bendita sinceridade, o eterno jogo limpo. O meu ciúme, insanidade, sentimentos todos assumidos. Eu quis rir tanto, seu maluco... Você acha que sou a mulher mais equilibrada do mundo, cheia de certezas! Nunca. Só tenho certeza de que te amo, e era isso que eu queria te falar, que tava entalado, e eu não disse. Não deu tempo, os fogos estouraram, o ano virou, nos beijamos inúmeras vezes e eu chorei, você fez suas ligações. A coisa entalada, que eu fiquei imaginando nos últimos três dias do ano, "eu te amo".
Eu só queria que você soubesse, aliás, que você entendesse que (eu te amo, imbecil!!!) eu nunca conseguiria te dar motivos, todos os motivos pelos quais bati os olhos em você e pimba. Nem olhos... Porra, foi algo lá dentro. E nesse primeiro dia do ano, você conseguiu rachar a minha armadura, aquela crosta de limo, mágoa e dor que fora se alastrando no meu peito. Você tem noção do que é estar a vontade com você? Eu te disse, sempre travava, minhas mãos suavam frio e minhas pernas bambeavam. Tô começando a acreditar que amor é isso: o depois do suor frio e das pernas bambas.
Eu tirei as roupas, eu tirei a pele, eu tirei todo e qualquer fardo de cobrança e expectativa. Eu fui eu mesma com você, pra você. Ainda que com salto, maquiagem leve, saia sem meia-calça e todo showzinho atrativo pros teus olhos, você me tocou lá dentro. Há quanto tempo... Três ou mais anos? Que te conheço, que te amo, que me fecharam, que me avinagraram.
Soa clichê pra você saber que foi como a minha primeira vez? Bem, não faria sentido... Amadurecemos nessas coisas, nos conhecemos, somos adultos, acredito. Ainda estou rindo sobre você achar que sou seguramente "cheia de certezas". Meu pisciniano... Você é tão confuso mas, no fundo sabe o que quer, e até que escolhe bem. Continue sendo claro comigo, e não, meu amor... Eu jamais mentiria pra você. Eu não ganharia nada, não quero te impressionar. Na verdade, quero, mas você sabe mais ou menos como sou. O que você escolher, está bom. Você é quem escolhe tudo, e eu prefiro assim. Palavras minhas.
Eu finalmente senti o que é o amor.
"E pensar que eu quase te perdi por um vacilo..." - Eu disse ao Thiago. Fiz tanta merda pensando nos outros, mas me lembro de como eu o achava hostil, quando comecei a conversar com ele. Hoje só tenho noção da criança que eu era. Ele é como um pai, meu, do meu pisciniano. Eu já vacilei com ele, mas vacilei ainda mais comigo mesma. Ainda que eu mantivesse minha palavra sobre as coisas, sempre falei demais e cumpri o que disse com as pessoas erradas. Mas é tudo lição.
Caralho, vocês não tem noção da coisa que estou sentido. Fui invadida, como uma onda, sinto-me tomando um caldo, afundada num oceano de coisas boas. De sentimentos bons. É isso que dá, a receita é simples: um churrasco, caipirinhas, uma casa a disposição, quatro amigos, rock n' roll e papo furado, piadas de nerd, abraços e risadas. Eu nunca me senti tão em casa, tão simples e tão leve.
A gente chora na frente dos outros, tira um sarro e abraça, faz da sua dor a minha e vice-versa. Conta comigo. Ainda que eu não seja tão sensível, conte comigo. Chore segurando a minha mão. Eu vou te abraçar bem forte, ser o seu porto seguro. Vou agradecer vocês até a morte, vou renovar os laços, reforçar os elos, confiar, agradecer.
Não quero nada de ruim. Pelo menos agora estou intolerante á mal humor e praguejamentos. Pára, porra. Pára de choramingar. Enfrenta esse caralho de vida, carrega teu fardo, resolve o que tiver de resolver e assume os seus b.o's.
Eu finalmente descobri o que é amor e felicidade.
Tenho dezenove anos, estou num ano novo, num emprego novo, com forças renovadas, com sentimentos novos. Um sorriso frouxo, roupas largas, "I sat by the Ocean" no repeat, o fitilho bordô do Vico, a pulseirinha azul do Thi e a salmão-esverdeada da minha mãe. Fiz feliz um amigo que não esperava minha ligação na virada. Não pude ligar pro meu melhor amigo pois não tinha seu número novo em minha agenda. Mandei um recado singelo ao cara que me ama. Liguei pro cara a qual fui perdidamente apaixonada e hoje, ele é meu irmão. Liguei pra quem queria, pra quem eu gosto... Esqueci duas ou mais pessoas, umas não puderam atender... Mas fiz o que devia fazer.
Meu pai fez aniversário na virada e eu disse, repetidas vezes, "eu te amo". E "me desculpa". Sou turrona e nem sempre escuto o que você diz, e tudo o que errei, foi necessário errar, pra que eu aprendesse sozinha e tivesse real dimensão do que é responsabilidade. Obrigada, eu me orgulho muito por ser 99% parecida com você, em aparência e atitude. Se seu pai falhou com você, você conseguiu acertar comigo e com o Flávio. Eu te amo, eu te amo, muito, muito, muito...
E foi assim que comecei o ano. Com amor. Com sentimentos. Eu senti que estou viva, na verdade, posso dizer que renasci.
Pois é, virginiana. Você leu que esse ano é como um livro novo que lhe foi entregue. Faz favor de mantê-lo organizado, coerente, bem escrito, fazendo jus á essa porra de sol. Ame veementemente como uma canceriana, seja criativa como sua lua, louca como seu ascendente e controle sua ansiedade em saturno e seus pensamento em mercúrio. Fale menos do que a casa XII. Se entregue para a casa VIII. Ame-a, ame-o. Meu apoio você sempre terá, amor, seja lá o que você finalmente decidir fazer.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Essa Semana

Eu venho noites e noites, talvez há uma semana, querendo sentar na cama com uma boa xícara de café e contar pra vocês tudo o que veio acontecendo e de tudo que andei pensando. Eu tô ruindo aqui sozinha, mas ontem mesmo eu estava chorando.
Baby Beatz nunca muda... Se apaixona por quem a detesta, gasta dinheiro com futilidade, cai na conversa mole de qualquer cara. O problema é que, essa semana toda foi tudo diferente, e Baby Beatz é uma virginiana que não gosta de mudanças.
Minha lua em sagitário é a coisa mais fantástica, ao lado do meu ascendente em leão. Isso me impede de ser uma completa pé no saco, porém as coisas estão soando tão esquisitas e, ok, tudo bem. Eu pensei tanto no Leo essa semana, mas evitei e adiei tudo assimilado a ler e esquecer romances, a falar dele, a citar o nome dele, mas tô aqui falando dele e do desenho horroroso que fiz "dele". Há uma parte de mim que assume claramente que eu sofro e morro de amores por um cara que eu não conheço, e é verdade. Outra parte tá começando a ter razão no quesito "você gosta de sofrer". Caralho, eu não acho nenhum outro cara mais interessante que ele, e de fato, nem tão cedo vou achar algo tão maravilhoso compacto em um homem. Minha saudade chega a latejar e, sinto um desespero ignorante que, ainda sabendo que nunca vai poder tocá-lo e tê-lo de forma diferente do que o tem (meia boca), e ainda assim continua sonhando, fazendo o coração bater estrondosamente quando vê o rosto dele, se perder em pensamentos no maldito sorriso dele e por aí vai. Nenhuma novidade... Só um desejo imenso de não gostar mais dele, de respeitá-lo como amigo e desejar de verdade, sem inveja, a felicidade no encontro com alguém, ainda que este não seja eu.
Minha saudade tem uma guitarra gigantesca, uma voz esquisita, muito talento e uma ruivinha nos braços, o sonhozinho dele. Eu me pergunto todo dia que 'desgraça que eu vi nele'?! E ninguém se mostra mais interessante, mais bonito, mais agradável, mais maravilhoso. Eu odeio isso.
Penso na Karina, penso em me divertir em qualquer boate da Augusta... Mas só quero trabalhar e dormir, estou cansada demais pra tocar, pra beber, pra sair. Não quero ninguém, pra nada. Reconheço racionalmente que não quero o Leo pra mais de três fodas. Reconheço com razão que não quero nada, que não passa de coisas da minha cabeça, que ele não é tão assim perfeito, eu sei disso.
Eu consegui um emprego.
Se manter ocupada é a melhor coisa, realmente. O ruim é quando você tá de TPM, chora de rir, chora de tristeza, chora de saudade, rabisca o livro do Kerouac com Vivendo do Ócio e pára de ler, pois "Nostalgia" e "Dois Mundos" me remetem à um video clipe com nós dois. Só eu que fico inventando parâmetros friamente calculados de quantos por cento eu estou apaixonada. Em contra partida, vai rindo e ficando sem graça, se excitando com os galanteios, as brincadeiras de mão, e abraço ali e aqui. Baby Beatz fez um amigo casado de vinte e um anos.
Se acho casamento uma loucura, casar-se novo é o fim do mundo. Machado foi um burro que conseguiu o divórcio com vinte e seis e agora tem medo de mulher. Eu também tenho medo de mulher... Fui tão fraca e patética, parecia uma bêbada choramingando pra Karina, "eu só queria que você não fosse como as outras" - que disseram que iriam ficar, que gostavam de mim e foram embora. Não digo paixões, só tive uma única paixão equivalente por uma menina de mesmo nome que o meu, nada bizarro. Elas vão embora, todas elas, porque eu não sou uma mulherzinha idiota como todas que se ofendem com pouco e não tem a mínima noção SEPARATIVA das coisas. Lógico, há coisas de quem me arrependo, tem hora que falei demais, tem coisas que expus demais. Pensa só, você, mulher que faz amizade com a Baby Beatz e ela te abre o jogo inteiro, todos os fetiches e histórias com homens mais velhos, homens casados, noivos, canalhas... Baby Beatz te conta tudo sobre o seu novo amorzinho gorducho e você vai lá e beija ele. E mente, e talvez pede pra ele mentir também, pra que a louca Baby Beatz se passe por desentendida, uma bêbada cega. Sorte que eu tenho olhos verdes que veem muito bem, que conquistam quase tudo o que querem, e um casal de amigos mais novos... O que perde toda a graça. Seu amorzinho é mais velho, a sua amiguinha é mais velha que vocês dois juntos... Eles sabem jogar na vida, eu tô começando agora.
Eu disse que não iria falar dele mas tô aqui.
É fácil cair num galanteio, principalmente quando ele vem de um idiota um pouco desesperado e assumidamente canalha. É fácil, logo eu que fui trocada, traída, usada, descartada. Sempre a segunda.
Ando sem tempo pra choradeira do Vico. Ando sem paciência pra evitar de avançar com o Vito. Ando confusa em relação ao Leo, querendo dar pra ele numa hora, n'outra querendo esfaqueá-lo. Mas estou com plena certeza de que quero estar sozinha. Quero meu dinheiro, meu lindo e maravilhoso dinheiro, para pagar dívidas, comprar um uísque e bebê-lo com meu pai na virada do ano novo, em seu aniversário. Quero apagar números e telefone e demais formas de contato, agradecer algumas pessoas, rever meus amigos, os Lasanhas, meus filhinhos, meus amados companheiros de banda.
É fácil. Não é todo dia que mãos grandes tocam suas costas, tentando te assustar ou simplesmente te tocando por tocar. Pegar suas mãos como se fosse dizer algo sério, e somente orientando não passar pedidos prontos de comida pela estufa ou pelo caixa. "Minha querida", me chama. Me paga uma cerveja, me leva pra Armênia, me deixa na fila e se despede com as mãos, um abraço e um beijo de verdade. Não é aquele encostar de corpos mais ou menos e duas bochechas roçando.
Talvez a vida tá querendo mais de mim. Se eu me desse mais, eu receberia mais. É que eu não invisto e se insisto, invisto errado. Aí acontece daquelas de beber, achar que tem coragem e ir lá no ouvido dele, "se eu bebesse mais uma, você tava fodido". E mata o menino de vergonha. "Não vai rolar", ele me disse. Ah, que inveja da ruiva com nome espanhol.
Disse pro John e pra minha mãe que a responsabilidade tá me deixando uma merda de pessoa. Nunca vi mil reais reunidos em um mês, piorou em dezembro. Paguei contas... Tá certo, fui ao cinema, comprei meu "On The Road", comprei camisetas, café, doritos, essas coisas básicas pra viver. Mas caralho, pensem quantos seiscentos e três reais vou ter que ficar dando por algo que não vingou muita coisa além de livros e mais livros que quero ler. Ah, John... "foi um investimento em algo que você gosta, se bem que filosofia, né?..." Sim... Filosofia, pra que diabos te quero?
Eu estou condenada a servir café e açaí até morrer, ou tomar vergonha na minha cara e praticar a voz e o teclado, o baixo, o lap steel, que seja. Sempre sinto isso, que deve trabalhar pra ser a melhor no que faço, ser a melhor do que fui destinada a ser, no que penso que já nasci gostando. A porra da música, é só isso que eu sei fazer. Me meto a escrever, tocar, cozinhar, desenhar, pintar e recortar, por gosto. Sou uma artista, que se foda. Eu nasci pra isso e a bendita lua em sagitário não me deixa tomar jeito pra valer, sobre gostar de prazos e disciplina.
O sol em virgem é só um pretexto fajuto pra tomar banhos rápidos, beber pouco pois trabalho n'outro dia, dizer a verdade e somente a verdade acima de tudo. O ascendente em leão é a desculpa pra meter sem camisinha, falar demais, chamar atenção, flertar com os olhos... Sei lá, sexual demais. Li certa vez que "apesar dos virginianos serem representados literalmente pela virgem, vivem pensando em sexo", mas que verdade absoluta, hein? Quem sou eu pra refutar uma coisa dessas? Mal posso ouvir The Neighbourhood que penso mil coisas, uma só pessoas mas, mil coisas.
Baby Beatz é uma virginiana que atualmente está se orgulhando das coisas que tem feito. Sem loucuras de amor, sem gastar o dinheiro com (muita) futilidade, sem sair dos trilhos, sem machucar ninguém, nem ferir sentimentos. Sou uma virginiana que não faz nada em casa e tem toc de lavar louça no emprego. Se deixa levar por essas cantadas de pedreiro. Por músicas que a gente canta assim quando passa na Kiss Fm, se deixa levar pelos o que dizem que se deixam levar, que não conseguem resistir aos seus olhos verdes. Nenhuma novidade, Baby Beatz.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Vontade Própria

Olha só quem voltou, a ingrata! Escreve só quando tá ruim, né? Lembra do que teu irmão te dizia, ou aquela vizinha da tua tia te falava, "você só reza pra Deus quando as coisas estão mal... Não pode!" - Pois bem, eu nunca consegui escrever bem.
Sabe, escrever deve ser a única coisa que eu deve ter escolhido bem na vida e ainda assim falta muita aplicação sabe? Igual a música... Eu não faço coisa algum por inteiro, a não ser merda. Merda eu faço toda hora, e faço muito bem feito.
Sinto-me de certa forma amaldiçoada por todas as posições do planeta, pela data do meu aniversário, pelo curso de filosofia, pelo psiquiatra que eu evitei. Seria tão mais fácil optar por tomar seus remedinhos pra dormir e ficar de boca fechada, mas eu sempre escolho o mais difícil. Eu escolho sempre complicar, escolho o que não devia ser, e vou lá insistir. Porque eu adoro quebrar a cara, ser um exemplo nato de ignorância e todo mundo me aplaudindo. Obrigada.
Um momento parado, digo, as férias, é algo mortal pra mim. Eu não sei o que fazer pois já estou fazendo tudo o que está dentro do meu possível. Guardo dinheiro, fico em casa pra impressionar meu pai, estudo violão, decidi malhar duas horas por dia, pedalando, caminhando e puxando meu próprio peso... Mandando currículos pra conseguir um maldito emprego que e pague qualquer 700 reais. E é isso. Não me resta muito coisa pra fazer a não ser ler, impressionar pessoas, tocar, e ficar igual uma barata me escondendo nos cantos da casa.
Me pergunto qual é a merda da diferença que eu vou fazer aqui. Não é possível, como alguém ansioso e frustrado como eu pode trazer algo pro mundo a não ser uma enxurrada de reclamações contidas e que me escapam entre os textos, os dedos e olhar? A falta de foco, a loucura de querer fazer doze ou quatorze coisas ao mesmo tempo e nunca estar parada, dizer que não gosta de dormir, sendo que o que mais faço é estar parada e dormir. ?? Me ajudem, por favor.
Espero telefonemas, espero inspiração, espero que algo dê certo. Que as coisas, poucas, que eu acho que estou fazendo, não sejam tão erradas assim. Espero que parem de me cobrar. Acho que, aliás, tenho certeza que são todas coisas da minha cabeça e se um dia me diagnosticarem com loucura ou psicose eu não vou me dar por surpresa. Ao contrário da minha mãe, eu não busco justificativa pras coisas. Há quem diz que hoje, tudo é estresse, e isso de fato me irrita. Minha mãe fala que é muito café, que eu não como direito, que eu ando com os pés no chão, que eu falo muito rápido, que eu não sei aceitar "nãos". Ela também deve saber que eu sou ansiosa, mas isso deve ser só uma consequência, ou mais uma verdade que ela guarda pra soltar quando brigamos... A cada briga, vejo que ela me conhece muito bem.
Lembro-me de ter comentado um certo medo que eu tinha de ser aquilo que eu estava ouvindo ou lendo a meu respeito... Me julgavam tão egoísta, e eu aceitei, abracei a causa cegamente. Eu estou muito puta, esta que é a verdade. Sinto vontade de difamar nomes inteiros com rgs... Minha paciência tá bem pequena, sabe, 2/45 pontos.
Eu nem sei quantas horas por dia estou dormindo, mas já vi que não dormir também não adianta nada pois eu não sei como aplicar o meu tempo. Lógico que tem aonde aplicar Eu deveria estar estudando, configurando os cabos, escrevendo uma nova história, novos personagens, novas canções com melodias já existentes mas eu simplesmente não quero e não consigo. Um professor me dizia que essas duas respostam era igualmente equivalentes. E sumir?
Será que eu conseguiria, simplesmente porque é o que eu mais quero agora?
Eu gostaria de não ter medo de fazer essa caminhada até a outra cidade á noite mesmo... Mas eu espero o dia clarear, fico conversando, observando o que os outros dizem, vendo obras de arte, agora, jogando... Tenho muitos atrativos mas nenhum deles é suficiente pro meu ego. Suficiente pra alguma coisa que ta pedindo, implorando pra ser alimentada sendo que eu nem sei do que estou com fome.
Eu acho engraçado como eu monto todos os meus esquemas, como aparentemente visto uma camiseta escrita "eu sei o que fazer" quando acho que já terminei de organizar numa listinha de bolso, como uma lista de mercado, todas as coisas que não posso esquecer de fazer. Calculista, tola. Caralho, eu já te falei um milhão de vezes que nada nessa bosta de vida é planejado ou tem um roteiro pronto.. Porra, de onde você tirou essa ideia fixa? Meu deus, você não aprende nunca!
Ainda hoje no caminho já de volta para Arujá, me peguei afirmando que "a vida não tem compromisso com ninguém, por quê você deveria ter, então?"
Há uma linha tênue no meu pensamento que me pergunta "o que você tem a perder?"
Antes eu precisaria me perguntar o que eu realmente tenho. E sinceramente, poucas coisas. Importantes? Menos ainda.
Faz quanto tempo que me queixo de estar cansada? Eu sempre volto pro mesmo lugar, volto pras mesmas pessoas, tenho raiva de amar e amo detestar, me torno o que repudio e repudio cada vez mais o que eu poderia ser e não sou, o caminho que vou me afastando e me afastando. Eu não tenho sequer escolha do que estou fazendo. Eu nem sei se eu tenho escolha. Eu não sei se saberia escolher... Eu que sempre bati no peito achando que era madura o suficiente pra fazer ou falar alguma coisa... Não sei de porra nenhuma, sou mais uma motorista vendada com a carroça atropelando a vida como um cavalo passa derrubando todas as barracas de frutas na vila.
Você explode e que desfazer de tudo. Aliás, sei lá. Ainda que se você publicasse todos esses fragmentos e rascunhos que estão guardado nas pastas, nada mudaria, porque ninguém liga pro que você fala. Você fantasia tanto sobre as coisas, até sobre seus próprios medos. O máximo que te falaram é que a vida lá fora é dura, longe do conforto e conformismo paterno, e não mandaram você ser um protótipo de cidadão perfeito (ou quase) do seu irmão.
Sou do tipo de pessoa que mete fogo no pavio e depois quer apagar como se fosse uma vela, e ainda reclamo por me queimar nas faíscas. De algum forma, as bombas falham apagam e nada acontece. E se explodem, é aonde não deve, no colo de alguém, na minha cara, no meu próprio rabo.
Tem certas coisas que eu acho até que acatei e tô obedecendo bem. O cabelo, por exemplo. Cansei de tentar deixar colorido ou com um corte que fosse diferente. Poder prendê-lo é melhor do que a sensação de tocar a careca limpinha. Estar no caminho do ser normal é bom. Eu já me conformei que eu não vou conseguir nunca mais ser como as outras pessoas... Sabe, acompanhar as mesmas coisas, ver tv, um reality show, uma série popular, o livro mais vendido. Eu corro dessas coisas como o meu pai corria da polícia em meados de 1988. Até que conseguiram me prender. "Como é que ele foi te dar uma coisa dessas, sabendo que você é tantã? Mata tudo essas porras logo!" - Ah mãe, essa é a minha maior vontade, matar. E até que o fiz... Um bode fêmea que mais me parecia uma vaca, uma gatinha fofa a qual eu era alérgica, dois guardas que não me deram atenção quando eu pedi, e fugi de todos os outros monstros. Os jogos imitam muito a vida real... Eu já devo ter falado alguma coisa sobre isso. Tudo imita né? No fundo no fundo é tudo igual, os nossos sentimentos perante as expectativas. Assistir heróis passando por barras super pesadas só nos lembra o quanto isso é tão próximo, o quanto somos heróis e o que são os vilões. Eu amo a série mais velha e batida no Brasil... Experimentem falar que assiste "Californication", é uma reação mais estranha do que a outra. 007 é vanguardista... Eu amo homens canalhões, assumidamente. Vai ver que eu me identifico um pouco.
Eu já sei o que vou fazer hoje.
Olhei os livros que já estão comigo, fez um ano, ontem: A trilogias de "O Inferno de Gabriel", de Sylvain Reynard, e a novela em dois volumes "Victor Hugo", de Max Gallo. São histórias interessantíssimas mas confesso que já não tenho estômago nem para histórias de amor bem escritas, já que elas me enojam tanto quando os filmes de romance. Quero me deitar na grama do Parque e ler, ver o céu. Acho que estou precisando disso. A casa está me fazendo cada vez mais mal, esse "acordar pra quê se não tem nada pra fazer, a não ser lavar uma louça ou coisa assim"... Os emais já chegados, o teclado pegando poeira, o violão na cama, o cobertor no chão e eu nem sei aonde larguei meu maço de cigarros mas, já faz muitos dias que não fumo. A bendita perna balançando, essa luz azul ridícula do notebook cegando meu olho esquerdo e Kings of Leon ao fundo, bem baixinho.
Bocejar.
Agora, vai lá deitar e ver se consegue dormir... Que nada.
Falta um mês pro ano acabar, sabe?
Vai ser aquela babaquice de novo de chorar e agradecer. Só agradeço pela banda. Foi a única coisa boa que me aconteceu... Os shows, a bebida, a diversão, os ensaios, as risadas, a companhia deles.
Tá na hora de acreditar em "simpatias infalíveis", se atirar ao mar com flores e tudo. É bem capaz deu voltar à orla. Nem que eu bata a cabeça numa pedra qualquer, mas eu sei que eu volto porque a vida tem dessas, ela, eles, eles todos, (he, she, they, it) não desistiram de mim. Ou então gostam de brincar, eu também já disse isso.
Sabe, penso que minhas obras no futuro vão ser diminuídas pelo teor de repetência. Eu acho que devo ser um pouco mais específica. Falar num texto só, despejar todo meu ciúme de uma pessoa, falar desesperadamente, montar uma carta de amor, a coisa mais linda que você já leram... Ser mais específica.
Penso se é isso que a vida tá pedindo, que eu seja mais específica.
Comentei ontem com a minha mãe, estudando um pouco sobre os signos mutáveis, que eu não sei o que quero da vida, logo após criticar os geminianos sobre exatamente isso. Peixes, Virgem, Gêmeos e Sagitário. Loucos. Indecisos. "Difíceis de descrever" - palavras do site.
Eu queria ter a lábia do Sobrinho de Rameau**, a dedicação de Victor Hugo e a serenidade de Epicuro ao escrever a Carta sobre a Felicidade. Estou mais pra quem tem a sinceridade aguda de Bukowski e o ego ridículo de Altaïr, no início da Cruzada Secreta***.
Eu disse pra ele, "pessoas como eu precisam de certas ferramentas e artifícios pra poder se entender", logo eu que sou alguém voltada ao místico e mundo-de-ideias... Eu não precisei ler mapa astral pra saber disso. Você tem cara de quem vai ao psicólogo e mente. Porra... Eu não sei mentir. E você sabe disso, sem graça.
Um pouco de fé e o esperar passar do estouro me deixam um pouco melhor. Me lembrei que, ganhei um leitor muito especial, que ficou cabreiro comigo depois d'eu usar "geminiano" pra tudo quanto é ser que é indeciso e confuso. Meu amor, sou eu quem tenho problema com vocês dois. O pisciniano? Que vá a merda, eu cansei. É um a menos pra ficar de palhaçada, com medinho de se entregar pra mim. Por que vocês são tão medrosos? Eu sou mais nova que todos vocês juntos e não melo a cueca desse jeito.
Seria tão mais fácil se vocês me deixassem claro o que vocês querem. Aliás... Se não querem nada comigo, porquê fazem tudo isso? Um, eu sei que eu tô botando pilha demais, agora que eu realmente decidi me entregar e esperar, lidar com essa bipolaridade, com esse capeta e anjo nos ombros dele. Mas vocês dois...? Sou careta demais pra vocês, não é? Tudo bem. Não estou apaixonada por nenhum de vocês, menos mal.
Eu vou ver o que vou fazer com os rascunho. Ao menos já me decidi o que vou fazer: vou ao parque mais tarde, lotar minha mochila de livros e passar o dia todo fora com o fone de ouvido e o modo avião no celular. Vou sair sexta feira, pretendo ficar por lá, nos braços dele, o segundo confuso, indeciso, geminiano filho da puta. Sou eu quem tenho problema com vocês. E eu não me canso de planejar. A vida não segue script mas eu vou fazer exatamente isso o que eu falei. E checar emails, mandar currículos, jogar, esperar o outro responder, falar com ele sobre o jogo, esperá-lo perder o medo que ele tem de mim. Meu bichinho assustado.


** - "O Sobrinho de Rameau", de Denis Diderot
*** - "Assassin's Creed - A Cruzada Secreta", de Oliver Bowden

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Irresponsavelmente Normal

O meu melhor amigo me disse, que tinha ouvido dizer que, "geralmente atraímos o que somos, em relação às pessoas". Enfim, eu sou uma canalha, mimada e depressiva. Isso não pode dar certo.
Incrível como essas coisas são ditas e mastigam na minha cabeça, tipo "assim segue um ciclo interminável de desculpas: atraímos o que somos, somos o que traímos, dizemos o que não queremos quando bebemos mas era tudo aquilo que a gente queria dizer e assim vai".
Eu tô meio away com as coisas, digo, dane-se. Minha cabeça anda vazia e aquela expressão de cabeça de vento faz muito sentido e me assusta um pouco. Hoje, já início de mais um dia que não interessa muito qual é, eu só tenho vontade de assistir vídeos engraçados, ouvir muito stoner rock, fumar até dormir, e acordar tarde. Pra justificar pro meu pai que eu não tenho mais aulas pois cheguei no mês de prova, assim como em julho ou julho, não me recordo. Eu tenho que reler um livro pra prova de quinta mas nem a franquia do 007 eu tô afim de continuar, e pra falar que eu não estudei, li a tal carta da felicidade ou a Meneceu, de Epicuro. Não sinto vontade de ler, nem as coisas da faculdade, nem os livros daqui de casa, muito menos de escrever. Mas eu escrevo pra ver se fico bem, geralmente adianta. É como uma droga, mais eficaz. Só que ela só me deprime... Escrever não é mais tão bacana como na semana passada, mais ou menos isso.
Me senti satisfeita, apesar de tudo, com muita coisa que fiz e das que eu deixei de fazer. Me importar com alguns sanguessugas foi uma dessas coisas. E aprender mais coisas do horóscopo, cuidar do meu corpo, compor e cantar coisas minhas. Tanta coisa acontecendo e ao menos tempo nada.
Há tantos malditos paralelos confusos... Aliás, "confuso" foi o que me definiu em cheio esses dias todos, o que me fez acreditar que eu já perdi meu ano na faculdade, que não é lá grande novidade.
Eu passei um fim de semana inteiro bebendo sem parar, discutindo com um cara que eu conheci a pouco menos de um mês sobre "relacionamentos abertos" e a babaquice de quem entra nisso sendo sentimental e burro. As pessoas complicam demais, logo menos estarei desenhando em representações gráficas e mímica, coisas do tipo "eu não tenho um relacionamento sério como item principal da minha vida", "eu não aceito e jamais aceitarei essa palhaçada de relacionamento aberto porque eu me garanto e eu sou possessiva, não divido o meu homem com ninguém" e talvez "eu estou parando de me importar com essa merda toda, então faça o que você quiser e vá se foder".
Aprendi grandes lições sobre arrependimento e paciência, onde você atura durantes alguns meses uma vagabunda que enche o cu de cachaça, mal sabe beber e faz merda metendo a culpa na bebida, que beija o cara que você tá afim, nas suas costas e ainda vai te consolar no banheiro masculino onde eu estava sentada, me diluindo em água. Arrependimento por, ainda depois disso, eu me preocupei em formar um grupo na faculdade e, anyway, deu tudo errado. Juntar um bando de pessoas desinteressadas numa coisa desinteressante quase nunca dá certo. E não deu. Perdi meu rupo, minha apresentação e mandei ela a merda, em silêncio.
Conversando sobre essa maldita pessoa, com um amigo, ele me disse que seria maldoso da minha parte publicar uma indireta sobre os relacionamentos abertos. Cara, sejamos claros! Coisa que ninguém é hoje em dia. Vocês se submetem á coisas ridículas, tipo dividir a pessoa que você ama com outro alguém. Lógico que não há problema nisso. Eu não sou contra, NÃO SOU CONTRA os relacionamentos abertos, ok, tenha um se você quiser, mas eu sou contra essa gente burra do caralho que, sabe que é ciumenta, é possessiva ou simplesmente não acha bacana dividir as pessoas e vai lá, embarcando nessa idiotice, sendo um completo idiota.
Parabéns, hoje você é uma defensora chata de um movimento chato que só fala asneira. Parabéns mesmo.
Eu sou possessiva.
Só que agora eu não tenho mais por quem ser. Gostando de três homens e saindo "apenas" com dois deles, estou totalmente desapegada. Não sei se é a palavra certa, pois ainda me dói, toda coisa que eles parecem sentir, toda fragilidade que eu acho que enxergo até demais e que eles insistem em esconder, todas as coisas que eu queria saber. Fora aquela de não estar satisfeita. Eu levei um fora mas ainda tô aqui fazendo macumba pra esse desgraçado me notar. Ele sequer me abraçou no domingo, e eu também não fui buscar um abraço. Manchei seu rosto de batom, caçoei e menti que não haviam marcas. Ainda minto que não gosto mais dele... Eu só estou chateada com tudo e, mais preocupada com outras coisas. Mas aqueles olhos verdes e aquele sorriso ainda mexem pra caralho comigo.
Ainda tô pensando naquilo que o Jonathan disse, sobre atrair o que somos.
Agradeci secretamente á Deus hoje por ele não ter ficado comigo, e nem ter ficado aqui em Arujá. Talvez não seríamos tão amigos quanto somos hoje. O melhor amigo que eu poderia ter, um abestalhado que faz piada com tudo, que é sensível mas não se deixa abater e, apesar de certa lentidão, como eu, continua insistindo e buscando o que ele quer. Somos muito parecidos e vez ou outra, bate nele a tal brisa filosófica. Tem coisas que nem acredito que ele diz, mas ele diz. E ele me conhece... E ele escancara tudo na minha cara. Até que eu me sentia vulnerável por isso mas agora sei que posso contar com ele.
Eu não consigo pensar em muita coisa. Até nas coisas que me tiravam o sono, tipo as dívidas, a falta de trabalho, o fracasso nas pequenas coisas... Não me tocam mais. Minha aparência está melhorando, e piorando. Emagreço e as olheiras estão mais fundas, eu gosto disso. Fez um ano que fui á Zombie Walk e esse ano, fui pra ver um amigo, mais do que qualquer coisa. Inteirei um trocado pra comprar bebida, nem fiquei, fui embora sem beber, vendo aquela vodca de sabor aparecer e encher o copo de todo mundo, enquanto eu me despedia. Emerson me perguntou no ônibus, voltando pra casa, o que mudou de lá pra cá, como fora lá... "Eu fiquei mais chata, não tenho mais pique pra fazer essas coisas, Não gosto mais. Não tenho mais tanto motivo ou tanta vontade quanto antes".
Hoje dei uma mancada com uma amiga que se tonou piada mais tarde. "Você é tão linda que nem parece geminiana". Porra... É o trauma, realmente é o trauma. Lembro-me das inúmeras combinações, mas nem com data de aniversário exata não dá certo, só comprova mais que não vira nada, eu e ele lá. Eu continuo uma virginiana chat e detalhista que não vê nada na frente do nariz, que ama demais sendo fria e achando ora que vai morrer por alguém, ora esquecendo o pessoal, mandando todo e qualquer um ir se foder.
A gente busca todo o tempo dar justificativas e buscar aquilo que convém, eu já disse. Nós justificamos os erros com isso e aquilo, assim como eu justifico o meu emocional desequilibrado por causa dos meus signos, todos emocionais. Eu odeio geminianos, porque adoro um geminiano, e tenho dois amigos maravilhosos, com esse infeliz, três. E tem mais um, acabei de lembrar. Indecisos, odeio gente indecisa, só não mais do que gente medrosa, ta aí uma coisa que odeio muito. E gente mentirosa? Não sei identificar.
Achei que o mapa tinha mudado, só ficou com linhas mais suaves, menos assustador o índice de karmas. Eu continuo chata e e desequilibrada emocionalmente, tímida e sem coragem pra nada, com baixa auto estima e a lua em saturno, o marte em câncer e bloqueios intermináveis
Continuo falando demais e nunca falando tudo o que quero falar.
Continuo nas paralelas.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Dependência e Importância

Parece ridículo querer não articular essas duas palavras, pelo menos num primeiro momento. Você é dependente de tal coisa pois esta é importante demais pra você. Ou você dá importância ás coisas tais quais você é dependente. Já posso abrir o leque de questões nessa terceira visão: você dá importância aquilo que você é dependente? Aliás, você depende aquilo que é importante ou dá importância á sua dependência? É importante ser dependente? Sinta-se confuso, é a minha intenção enlouquecer pessoas com coisas aparentemente fúteis.
Pois pensem, que importância eu daria á dependência de vocês? O quão dependente você é das coisas que são importantes? O que realmente é importante nessa vida e pelo o que é que vale sermos dependentes? Por que eu articularia ambas coisas? Eu sou obrigada a ser dependente do que é importante, ou dar importância áquilo que sou dependente?
E sobre dar importância pro que realmente é importante? Depender de nada. Agora sim, é um ideal, pelo menos, o meu.
Tenho asco em pensar em dependência. Independência sim - É isso o que busco. Mas será que priorizo essa busca ou, minha dependência está cômoda demais? Pode apagar o ponto de interrogação, é a afirmação mais precisa que posso fazer nesse momento sobre mim mesma.
Eu dependo, em partes de coisas inúteis, parte de coisas que não sejam ruins mas, que também me fazem afirmar piamente de que não é nada importante ser dependente. Penso na dependência como a mais covarde das fraquezas. Geralmente ela em acompanhada de uma manipulação, um jogo mesquinho, uma deficiência. O manipulado está a mercê de algo que não consegue ter sozinho. O jogador entra no jogo afim de conquistar aquilo que quer. O deficiente precisa de adaptações e ferramentas para poder viver normalmente. T odos eles, todos esses, dão a devida importância a alguma coisa, que acham que precisam, ao que querem sem cessar, o que não há santo que faça mudar de ideia. Aquilo que importa pra você, continua sendo realmente importante a partir do momento que você se torna dependente do mesmo?
Eu confesso que me assusto com essa potencialização. Não faço o tipo megalomaníaca, por incrível que pareça. Acredito que como qualquer potencializador, você deve tirar proveito, fazer uso das ferramentas até o momento que não precise mais usá-las.
A dependência é importante?
Somos dependentes do quê? Dependemos da grana, dependemos de um enquadramento, de gestões, de padrões... Sem fim. É a verdade ou é o que eles, os grandões, querem que a gente pense? Eu digo sem dó, é a pura e dolorosa verdade. Quem é que fala que o dinheiro não traz felicidade? - O pobre do barraco sem reboco, á vontade de bermuda e chinelo, com medo dos pipoco aleatório em plena luz do dia, ou o milionário que tem um filho doente? O pobre depende dos programa miseráveis que o governo dá á muito pulso, o pobre se apoia, o pobre também corre, tem tando pobre no mundo, porra! Tem gente dependendo da minha ajuda e eu não posso, eu não quero, não sei como fazer. Tem um cara deitado na sarjeta na porta da minha faculdade, tem uma família desabrigada, aliás, muito bem abrigada nas caixas de papelão próximo ao metrô Belém. Tem gente que não dorme pra poder trabalhar e estudar. Tem gente que não dorme pra ganhar o pão pra vó, pro filho, pro enteado, pra mãe e pro pai. Tem mãe que passa na rua de cabeça baixa porque não suporta gente como eu que, está na faculdade, é solteira mas não fez filho por aí e tá lá apontando. Sim.
Qual é a importância que damos pra tudo isso que tá na nossa volta? Eu sou dependente financeira do meu pai, sou dependente química de qualquer coisa que me faça sorrir e que não me deixe tão chata e quadrada como sou todos os malditos dias. Sou dependente de dois cadastros ou mais em sites de emprego, de folhas impressas com qualificações inúteis e pretensões pequenas... Sou dependente da boa vontade das pessoas que me rodeiam, do suporte que elas me dão, do pequeno espaço que elas me cedem, pra me ouvir falar merda, contar piada, caçoar da minha própria infelicidade.
Dependo de alguma vaga esperança transparente, quase chamada de "fé", dentro de mim, que me impede de dar fim á tudo. Há a importância das coisas que mais amo fazer, das pessoas que realizaram meu sonho sem querer, das paixões que requentam todo fim de semana, quando eu abro a capa toda fudida do meu instrumento, monto o pedestal e folheio a pasta com as músicas que eu mesma arranjei.
Eu dependo de mim mesma. Mas essa vagabunda nem se importa comigo, não se importa com a minha saúde, não se importa com nada. Ela ver os dias passarem e sente o gosto dos pequenos perigos, vivenciando apenas metáforas de andar no meio fio com carros passando á 200 quilômetros por hora. Dependendo da mesquinharia e baixaria, do egoísmo de olhar o próximo miserável, tão miserável quanto ela mesma... Coitada. Quem é você pra falar e apontar alguém?
É importante pra ela a música, as pessoas que, nem todas, deveriam ter o mínimo de importância, mas tem, e ela não se importa mais. Ela é dependente do amor vão do pai. Ela é dependente das brigas com a mãe. É dependente das comparações maldosas com o seu irmão mais velho. É dependente de uma ferramenta auxiliadora, porque ela não tem pra quem falar então vai escrever. E finalmente, meu Deus do céu! Saiu. Mas sai tudo repetido, e sai alto, cada vez mais alto quando ela começa a falar. Sai lágrima, sai grito, sai carbono e entra oxigênio e alívio rápido.
Eu só dependo de um emprego. Eu dou importância ás coisas que vão contrárias, que alimentam aquele papel branco inútil. Eu dependo do emprego... Eu sonho com emprego. Eu durmo pensando em emprego, eu acordo pensando nas dívidas, meu coração aperta quando o escritório de advocacia ou o banco do empréstimo ligam e eu tenho medo do final do ano, tenho medo da minha nota, tenho raiva de um curso trancado que eu preciso fazer pra provar pro meu pai que eu quero sim estudar, mas não isso. Dei importância demais ás pessoas do meu trabalho anterior. Elas continuam lá, roubando coxinhas congeladas, fazendo fofoca e sorrindo amarelo pra gerente gorda. Eu dei importância demais pro que não era nada importante. Meu Deus... Eu fui fraca, eu sou um fracasso inteiro. E por que vocês não me deixam aceitar que eu sou um fracasso? Que importância tenho eu na vida de vocês? Sabia que é chato ficar fingindo que se importa? Eu não tenho nada a dar, então pára de ficar nessa de me defender de mim mesma. A única pessoa que pode fazer isso sou eu e eu não estou tão disposta a lutar comigo. Tenho coisas mais importantes pra fazer, tipo, arrumar um emprego.
Já viram assim, meio de lado, o celular de alguém cheio de mensagens da namorada? Alguém já te mostrou umas súplicas loucas do tipo "eu não vivo sem você"? Aquelas implorações doentias e repetitivas, quase dementes, de "volta pra mim, por favor"?
Como vocês conseguem ser dependentes de alguém?
Sou descrente do bem comum e confesso que estava mais feliz quando estava me aprofundando no satanismo. Se fosse realmente importante pra mim, eu já teria ido. Mas sou dependente de uma aceitação. Continuo assim, exatamente assim por comodidade, por aceitação, por tolerância.
Meu pai acha que eu não preciso trabalhar. Meu pai já deve saber que eu curso filosofia e não música. Meu pai sabe entrelinhas de todas as minhas dívidas e do meu nome sujo. Meu pai me fala que sou a única pessoa com quem ele pode conversar e chorar, sem que eu aponte o dedo, dizendo que ele é fraco. Meu pai é a única pessoa do mundo que eu realmente amo.
Eu sou dependente do amor e do dinheiro do meu pai, mas não posso ter os dois, nunca pude.
Sou dependente da insanidade, que impede que o medo tome de conta de mim. Medo do caralho, né? Tem medo de tudo, de barata, de escuro, até de escrever tá ficando com medo. Se entrega, porra.
A importância, é isso. É importante saber escolher a dedo sobre o que dar devida importância. O que é importante pra você? Quer ser independente, então vai. Já passamos daquela linha de segurança... Mais exposta do que eu já estou? Ah... A carne tá é viva, e o chicote continua estalando lá mesmo, aonde te dói mais. E vai continuar, e foi tú mesmo que escolheu. Agora aguenta. Escolheu? Abraça. Quer bater no peito, mas bate com força, fala pra si mesma o quanto de valor que tem essa merda toda. Não seja dependente de nada externo, mas caralho, quantas vezes eu já te falei isso?
Use até você se aperfeiçoar, e vai embora, parte pra outra. Usa até desgastar. Usa até achar um melhor, e vai pra esse melhor. Dá importância sempre ao melhor, o melhor pra você e não pros outros. É clichê, é sim, mas você nunca me entendeu.
Dependa dessa miudeza gritando sem voz, "vai".
O que é importante pra você?
Você vai depender de coisas e pessoas até quando?

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Série "Manuscritos não Terminados" #2

Eu ouvi dizer algumas vezes que as coisas escritas e até queimadas, se perpetuam. Não sei se há verdade nisso. Não conheço outra coisa escrita que seja eterna além das musicas e títulos de literatura. Seria tolice afirmar que, aquelas cartas e todo sentimento transcrito alguns anos atrás tenham permanecido intactos. Eu digo que não... Há, somente uma estagnação. Nem desistência e nem insistência. Sabe quando você se acostuma simplesmente com a merda de vida que você tem, onde nada é do seu jeito e as míseras realizações que você conseguiu debaixo de muita porrada, são vistas como troféu de mármore e ouro? Sinceramente não sei dizer se quero demais, se sou ingrata ou se as pessoas são idiotas. Prefiro acreditar na última opção.
Novamente, estou reatando planos mirabolantes para sanar as dúvidas e resolver a maior parte da minha insônia. Cá estou, há uma hora e pouco esperando o horário da entrevista numa rede de fast food. E amanhã vai ser a mesma coisa. Até pedi pra minha mãe torcer mais por essa vaga de hoje, assim eu poderia ganhar mais e trabalhar num lugar bacana, colado na Avenida Paulista e no centro cultural de São Paulo.
Mas é isso que me deixa incomodada. Os planos e a vontade de escrever, o medo de escrever: Veja só em que situação ridícula eu cheguei. A superstição medíocre me faz ter medo de assumir o meu melhor dom. O que é isso?
Penso, talvez se separasse um pedaço de papel e escrevesse "eu vou ser contratada aonde se ganha mais" e ateasse fogo, eu o perpetuaria duas vezes. Mas se eu o jogasse no mar (mesmo que pela privada do meu banheiro), eu com certeza não seria contratada e uma vaga parecida não apareceria mais. Escrevendo o que acabei de escrever, não é tão difícil perceber o quão estúpida estou sendo e me sentindo.
Nunca acreditei em força de pensamento ou força das palavras. A força ou poder delas é a gente quem dá e estabelece. Imagina se, todos lessem Platão ou Bukowski, seriam os mesmo impactos? Todo mundo entenderia? Aliás, há alguma maneira de se compreender as coisas, uma manira certa? Provavelmente, só nos livros de matemática, lógica, isso quando n]ao em fábulas de Esopo, com finalidade moral mais-que-explícita.
Eu odeio trabalhar. Pensar em trabalhar me dá asco e já estava mais do que na hora de assumir isso. Não tenho mais perspectiva de trabalhar com música (a minha banda é só o meu xodó e prioridade, mas não podemos viver dela, ainda que seja a melhor banda cover do país), tampouco com filosofia. Penso em me enfiar na gastronomia de alguma forma, estudar alguma coisa, trabalhar em qualquer merda que sustente minha balada, meus vícios e meu xodó.

***

Há uma preguiça natural dos domingos e outras anexadas tipo, estar virada de sábado pra cá ouvindo the neighbourhood.
Confesso que estou com a maior vontade de alugar uma bike pra andar na ciclovia mas certamente o meu dinheiro não daria. Agora, o que eu, vadia, vim fazer em pleno domingo de manhã no Bosque Maia? Bem, minha mãe está fazendo uma prova do concurso público e eu estou morta de tudo. É um sono involuntário, uma leseira nos braços... Mas o dia tá tão bonito e agradável... Pois imagina eu, que detesto o sol, achando o dia agradável...
É um clima de Canadá onde há sol e um vento gelado que não o deixa aquecer. As pessoas estão correndo, as árvores, tão lindas, tortas, com seus ninhos de joão-de-barro. Os cães fofinho nas coleiras e eu apoiada num braço, sentada numa mesa pra quatro, sozinha.
Tem gente estranha á beça passeando, acampando, carregando malas e cobertores, colchões e dreads no cabelo. Tem gente que nem caminhando, larga o maldito celular. E eu me distraindo muito fácil... Ainda pensando na bicicleta, ainda pensando n cara que me deu um passa fora, pensando. Olhando os velhotes de olhos claros, todos em forma, desfilando em seus shorts esportivos com postura de marrentos.
Gostaria de um cigarro. Queria chorar. Insatisfeita pelos caprichos não cumpridos, pelas mentiras que me contam a troco de sei lá o quê. Perturbações que são as mais patéticas possíveis.
Tive conversas animadoras sobre planos pro meu aniversário. E ainda assim, por mais que as palavras e a imaginação renovem as lembranças e misturem tudo na minha cabeça, ainda que minhas pernas fiquem bambas e eu tenha que respirar fundo, na hora de dormir, ele me vem a mente. Os olhos, meu Deus, chega a ser demoníaco o jeito que imagino aquele olhar. Tão receoso, com tanta rejeição e toda a minha curiosidade, é insano.
Me peguei tendo um medo esquisito, diferente dos demais que sinto normalmente. Medo de cair dentro desses rótulos ordinários que circulam por aí. Ás vezes penso que me torno o que digo que detesto. Ás vezes me torno tudo aquilo que pensam a meu respeito... Não são as coisas que se adaptam á mim, sou eu quem me adapto á elas e isso é um erro grave.

***