quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Sem Previsão de Novas-Ciências

"Toda pessoa que eu acho inteligente joga alguma coisa" - Foi a última frase que eu disse á Aline referente aos signos. Os geminianos são inteligentes, gostam de estar sabendo de coisas, descobrir coisas, e ela, é uma virginiana com ascendente em gêmeos. Lembro-me das aulas de lógica e me pergunto ironicamente se todo geminiano é gamer. Barbárie, eu sei que é tolice essas coisas que eu penso mas, são flashes inevitáveis de tão rápidos, ou muito rápidos de tão inevitável (faz diferença, eu sei disso também).
Estamos avançando nas aulas de introdução a filosofia e, recordar-se do nome da matéria me faz rir de nervoso. Pensa, se só na introdução eu já sinto essa euforia de estar aprendendo e sendo parte da construção filosófica da época, imagine daqui á quatro anos quando eu me formar? Ainda bem que tem professores que sempre estão cortando nossa estase exacerbada com frases do tipo "se vocês acham que serão sábios depois de se formarem, podem ir embora imediatamente" ou mais esperançosa ainda, "vejam só quando vocês se formarem, vão ir atrás de mais e perceber que ainda falta muito pra ser visto e, então compreende que são lá necessários uns 43 anos de estudos regulares em filosofia". É animador, não acha?
Na aula de introdução (estou achando que sou mais aplicada nessa aula do que nas demais, e com razão... É fantástico começar pelo começo, sem ironia), estamos lendo algo com a crise da Europa em 65' e o que a filosofia tem a ver com isso. Não queria dar muitas voltas pois estou ansiosa, tão ansiosa pra interligar os jogos, a inteligência e as babaquices todas da minha cabeça, dentro dos últimos pensamentos dos vinte e três minutos anteriores; que vou direto pra parte mais específica, também abordada nas aulas de ciência da filosofia, que fala sobre a crise. Até comentei disso num ultimo texto e sinto que devo retomar o assunto, afinal, deve-se mastigar uma obra ou um assunto várias vezes quando se está estudando e se quer entender sobre. No meu caso, tenho que levar muitos "Kuhn Shots" na cara até o final do ano.
A crise de Descartes estourando quando ele vê que estudou dezenas que coisas e de nada lhe serviu. Ele queria era estar "claro e seguro" dentro de uma verdade,encontrá-la, propriamente dizendo, mas não conseguiu tal feito e ainda se viu enganado por todos que o incentivaram a ler e ler e ler. Esse papo de verdade já deu no meu saco antes mesmo de ver coisas sobre o ceticismo ou até mesmo seguir radicalmente o lema da seita dos assassinos, de que "nada é verdade e tudo é permitido". Uma que eu não tenho disciplina alguma pra poder assumir uma bronca dessas... Não sei ao certo, exatamente aonde nos ensinamentos satânicos vinculados  a Lei de Thelema, que li e concordei plenamente que aquela de "faça o que tu queres" não é pra qualquer idiota que quer meter o pé na jaca e fazer um monte de besteiras, seja lá se ele é reprimido ou psicopata. Mas voltando á filosofia suave, sem satanice da minha parte, a verdade existe, o problema é que o jeito que usamos palavras, tipo "deus", é algo muito complexo. Como filosofa, adolescente, em eterna crise e insatisfação, tenho obrigação de deitar e rolar numas questões sobre essas. Problematizar me parece a palavra do
momento, já que estamos em crise e revolução á cada cinco dias: é gente inconformada com o tratamento que lhe é dado, da maneira que são olhadas, dos rótulos que lhe são adicionados, da maneira que devem se comportar e por aí vai. Como um antigo professor meu dizia, há "ismos" e "ismos" por aí. Eu ainda sou do Team Individualidade, que acredita que cada pessoa é uma galáxia, um oceano profundo, e agora, acredito que essa individualidade se dá pelo espírito. Tenho que tomar cuidado com as palavras mas é quase sempre impossível pra mim fazer isso, pelo menos aqui onde trato a filosofia como ferramenta secundária, em outras palavras, eu tô aqui pra dramatizar e entreter com as crônicas, colocando uma pulga atrás a orelha de cada um desses leitores com questões do tipo "você já sonhou hoje? e o que você está fazendo pra realizar esses sonhos?"
São questões no mínimos sérias, ainda que todo mundo que eu conheça não leve nada tão a sério quanto eu. Ou vai saber, minha realidade é tão paralela que penso que tô vivendo qualquer coisa e já tá bom, só o fato de respirar (mentira), só o fato de poder escrever e principalmente,  aprender e passar adiante os meus conhecimentos, ainda que miseráveis, mas que são o suficiente pra começar a sair da casinha, da coleira, da fila de ovelhas e carneiros.
No que eu vou levando a sério demais, me remete ás crises, todos esses pensamentos inúteis, inclusive isso de que pra ser aceita em algum meio, eu devo mudar. Ufa, cheguei ande eu queria! Cá estou eu novamente errada. Sim, errada pra caralho pois, eu, a cada vez que tento me encaixar em alguma lugar, fujo do que eu  realmente sou. E quem sou eu, além dessa egocêntrica estudante de filosofia que vos fala por meio de crônicas? Pois bem, eu tô tentando descobrir.
A lembrança que vai pro caderninho das paixões inúteis dessa vez, vai ser uma mescla de Eddie Vedder com Chris Pratt e jogos de RPG. Meu deeeeus, é cada coisa que só vendo.
É uma agonia sem fim, ficar vendo os dias passarem e nada mudar, sabendo que você não pode fazer muita coisa. Como nas aulas de filosofia, parece que quanto mais sabemos, na verdade só percebemos que não sabemos de nada, e por isso aquele ditado ridículo de que a ignorância é uma benção. Já dizia Bukowski, se você acha que aqueles grandes heróis literários não enlouqueceram igual você, todas as noites no quarto, você ainda não está preparado. Eu já sei que não vai dar em nada, que investir não é uma boa, naquela pessoa e em tal coisa, e ainda assim fico sonhando com a pessoa e maquinando sobre as coisas. É um porre.
Marquei uma consulta para amanhã, na sorte, e tenho que decorar todas as minhas preocupações e motivos para fazer exames. Olá doutor, sou uma adolescente de dezenove anos que não dorme há seis anos, não consegue emagrecer, parou de fumar umas três vezes, bebe feito carro velho, usa fones de ouvido desde que era bebê, tem problemas de respiração, dentes tortos e duas passagens por psicólogas. Preciso de um atestado de surdez, atestado pra academia de boxe, exames de sangue e guia pra tratamento no otorrino e no psiquiatra. Até parece.
Não houve melhor momento pra que a crise brasileira me alcançasse: uma adolescente em crise, estudando crise e revolução no segundo semestre de uma faculdade  que já está marcada pra acabar no final do ano. Não há estágios, nem empregos, nem dinheiro, nem paz. Sabe, ás vezes me pergunto qual é a graça d'eu ainda insistir em sentar na janela, sendo que a paisagem eu já sei de cor e salteado... Qual a graça de insistir em fazer filosofia ou música, sendo que eu não sou aplicada. Porém agora, aquele plano de trabalhar em qualquer coisa pra poder bancar meus estudos, está fora de questão. Não é só nas vésperas de aniversário que eu penso em suicídio... Eu faço questão de me reduzir a menos zero, de ficar choramingando ás vezes pra minha mãe pra ver se ela faz alguma coisa. Sou uma criança, totalmente despreparada, ou só com os planos fora do previsto. Planejei algo d me dei mal, ou nem planejei. Nunca quis nada ao certo, achei que dava, o que eu fazia dava, e nunca dá, nunca deu.
Dar uns ataques duas vezes por mês, chorar no meio da estação lotada em São Paulo, sentindo-se desesperada não só pelo mar de gente que assusta, aquela onda de calor e movimento que ameaça te engolir. É mais, aquela carta que chegou ontem, cobrando outros meses que ainda não estão pagos, as ameaças reais de um papel lacrado e preto e branco, os quadros verdes selecionados que somam números de cinco dígitos depois do cifrão, a caixa de email cheia de oportunidades vazias, que não me servem, que não me cabem. Acho que pela primeira vez, fui franca o suficiente pra reconhecer a mesquinharia da minha mente, do meu coração até... Sinto inveja dos casais melosos do metrô, sinto inveja dos engravatados e sociais, com pastas e mochilas finas, seus iphones brancos e relógios brilhantes. Cá estou totalmente fora, na contra-mão, sem poder ser nada, mudar nada, sair, ficar, cravar ou jogar pro alto. Eu simplesmente não sei esperar. Sei o que fazer mas não consigo esperar que a crise passe, que eu me forme, que eu envelheça ou que eu morra. Mas nada faço, impotente, ignorante como uma mula que mete a cabeça na parede, achando que pode fugir. 
Lembra de uma metáfora que usei há anos, sobre estar no quarto escuro, ao lado do interruptor, morrendo de medo de ligar as luzes, temendo que as lâmpadas ou os  fusíveis estejam queimados? É sempre assim. Há dois medos e uma só solução, e eu me deixo levar por eles. As soluções eu sei, só não quero tomá-las, pois não são escolhas minhas, não é nada do que quero pra mim. Não é por teimosia, aliás, pode ser sim, mas pelo menos tenho a pachorra, sempre, tenho, pra dizer sobre o que não quero.
Hoje fiz algumas escolhas, planejei pensando já "se tudo der errado, eu vou" tal coisa. A semana já está acabando, o ensaio chegando, não tenho como negar uma porção de coisas. Os "nãos" estão em todo lugar, mais parecem meus óculos imaginários. Eu ainda não gosto de jogos, nem de cinema, do Chris Pratt (ele é uma gracinha), cantarolo Pearl Jam e escondo o feed do Spotify pra não ver a cara dele, pra no final da semana, ter que adivinhar que vai trombar a turminha do Lost Dogs nos confins da zona leste. Ele não vai voltar pra casa com você.
Ainda nos jogos, descobri que nem todo jogador é inteligente, que não há lógica nas minhas loucuras, nos pensamentos aleatórios de tão rápidos ou tão rápidos de tão aleatórios... Ainda concordo que os geminianos são inteligentes, que todo homem é infantil, que toda Beatriz é ciumenta ou maluca, que eu sou uma leonina virginiana ou virginiana leonina. Eu sei a diferença.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Brigadeiro de Café com Hostilidade

Demorou para que o feitiço se voltasse contra o feiticeiro. Apesar que, ainda não entendo muito bem por onde comecei, com quem pequei e como parar tudo isso.
Me vejo cercada por gente falsa, gente medrosa e gente pela metade. Que vive dentro das regrinhas (como se eu desrespeitasse alguma), dentro de uma moral parecida com um pênis que introduziram no ânus de cada uma das pessoas. É gratificante demais ser a ovelhinha do pastor, o carneiro obediente, o cãozinho na coleira e o gato dentro de casa.
Hoje, aliás, desde essa madruga, acabei me lembrando de pessoas e nisso consegui formular uma pergunta á minha mãe. Rendeu uma senhora discussão... Não, não brigamos. Mas encontramos a vilã da história principal de um roteiro confuso, da incógnita em pessoa.
Será possível que eu tenho que chegar nas pessoas e perguntar o que eu fiz de errado pra elas ou o que eu faço que não as agrada? Tá chegando num nível que eu realmente tô perdendo a paciência, perdendo amigos, perdendo forças e deixando tudo de lado. Porém a solidão, ainda que minha fiel escudeira, não é tão bem aceita por mim. "O mundo conspira contra você, por acaso?" - Ela me disse, em meio um riso quase que debochado.
Eu sou convicta de coisas, odeio ódios imbecis e generalizados, não gosto de conversar com a maioria das pessoas e odeio gente medrosa ou tonta. Ultimamente é o que mais me tem aparecido. Juro que não sei dizer quem é que tem mais paciência com quem... E aí vem "será que todo mundo tá errado e só você está certa, Beatriz?"- E ela tem razão ao me questionar.
Perguntas, dúvidas, questionamentos, investigação. São ferramentas básicas, coisas que um filósofo carrega na mochila o tempo todo. Crise.
Aprendemos um pouco na aula de Filosofia da Ciência sobre o ciclo de revoluções... E como se fosse irônico o bastante pra mim, eu, como filósofa (ou como qualquer filósofo) estou sempre em crise. E o que sucede a crise é a revolução. Essa palavra me encanta, me atrai e muito. Lembro-me instantaneamente de grandes eventos como os protestos em São Paulo, o festival de Woodstock, o movimento tropicalista, a invasão do rock britânico, a morte do Michael Jackson, minha saída da igreja, a admiração ao satanismo, minha entrada na ETEC de Artes e por aí vai. Grandes eventos.
Estamos sempre muito envolvidos com escolhas. Seria bobagem dizer, pra mim, que não temos escolha. Eu poderia muito bem me inscrever num curso de manicures e trabalhar disso em algum salão. Poderia me inscrever num curso de culinária e me formar pra poder falar que tenho vivência em cozinha e trabalhar com algo que gosto. Eu posso sim arrumar um emprego e estudar nunca é má opção. A gente tem sempre escolha, o foda é que vivemos arrumando desculpas e atrasando isso e aquilo. Eu sou um ótimo exemplo disso. Até agora não estudei nada do meu repertório novo e sei que o farei na semana que vem, na semana do ensaio depois do dia dos pais. Até agora não busquei nenhum dos cinco ou seis livros que tenho que ler, só enfiei numa pasta no celular e o levarei hoje, mais tarde, pra imprimir. E vou ler na aula, ou só acompanhar o professor, que dá ótimas colheres de chá pra nós, além de ótimas explicações.
Por hora, não tenho muito o que dizer. Só fiquei impressionada do poder que meu irmão exerce quando está aqui em casa. Foi ótimo saber que alguém se lembra que eu tenho uma banda, que sabe o quanto ela é importante pra mim e o quanto eu amo o meu trabalho. Meu pai prestou atenção e minha mãe sempre realçando coisas que ela vive me repetindo mas, parece que não ouço. Claro, sempre tem coisas que os pais sabem demais e a gente se esquece, finge que não vê e por aí vai.
Ontem eu conversei com um cara com nome bonito, corpo definido, quase separado e uma voz gostosa. Não, não o conheço, troquei meu telefone e a gente foi conversar numa boa. Eu não tenho o que fazer, espera... Eu tenho o que fazer, mas quando não quero, prefiro não fazer nada e nesse "nada", me entretenho com estranhos. Estranhos são legais, qualquer pataquada que fizerem com você não é novidade e se fizerem gentilezas ou elogios e por pura educação, ou interesse. Até aí tudo bem. Estranhos te tratam melhor do que a maioria dos amigos. As pessoas pensam que só porque te conhecem há algum tempo, elas podem entrar na sua casa, usar suas coisas, te falar coisas e rir pra dizer que foi brincadeira. Caralho, me jogaram aqui, eu não sou desse lugar, realmente eu não sou.
Eu desejei ao estranho do nome bonito e corpo bacana, boa sorte no reato com a ex-atual namorada. Desejei de coração... Era o que me restava fazer depois de uma transa via fone. Muito esquisito isso, mas é engraçado... A voz ajuda, os gemidos também. Gemidos masculinos são alucinógenos pra mim.
Hoje conversei com quatro pessoas especiais de alguma maneira... O Victor é meu maldito carma, e dessa vez quem foi falar com ele fui eu, sem compromisso mesmo. O problema é quando quero estender a conversa, ele corta, precisa dormir. Eu sei. O outro, é o meu melhor amigo, o Jonathan. Contei pra ele sobre as minhas pesquisas medicinais a respeito das minhas dietas. Sou quase uma ovolactovegetariana que ainda come carne vermelha mal passada e sangrenta. Salivei, desculpa.
Enfim, quis tentar acalmar o coração dele, ele anda muito conturbado, insatisfeito com tudo, assim como eu. Ele diz que não sabe o que é que o chateia tanto mas, eu ainda insisto na teoria de que, todos nós sabemos no fundo o que nos chateia, só que é tanta comparação, é tanto apontamento de dedo, a gente não pode nunca desabafar sobre nada pois sempre vão jogar na nossa cara que tem alguém passando fome, doente ou miserável. E somos infelizes. Pelo menos nos sentimos infelizes. Não somos tão desgraçados quantos esses? Pra uns faltam comida, outros lhe faltam ar, pra outros amor e assim segue,
Com o Leonardo (é, outro, mais um), que... Nossa, não sei descrever. Ele é a única pessoa que tira, aliás, ARRANCA as palavras da minha boca. A peste sabe exatamente o que quero e me dá mais ou menos o que eu preciso... Corpo forte, companhia, cafuné, uma boa transa e ótimas conversas. Ele só fala demais e algum conteúdo é duvidoso mas, ninguém é perfeito. Inclusive, a senhora calota de caminhão em seu dedo anular é o nosso único muro de Berlim, mais ou menos. Meu medo é exatamente disso... Logo ele, que não pode ficar comigo, saber de tudo sobre mim, me decifrar tão bem. Porra, até uns anos atrás eu era super previsível, agora eu sou a dúvida em pessoa. Uma puta pirracenta também, mas isso a gente deixa pra falar outro dia.
E por fim, o Jeff. Ele... Tem um teor a mais de amizade. Uma das pouquíssimas amizades que ainda manteve-se intacta, que se fortaleceu, na verdade. Quando a vida de duas pessoas tá uma merda, a gente se junta pra fazer algo legal, segurando as pontas como dá. Confessando coisas, planejando loucuras e falando de tintas de cabelo. Acho que dá mais certo (até agora tá dando) porquê eu me vejo muito nele. É claro que não passo nem pela metade dos perrengues dele mas, se eu fosse homem, seria exatamente como ele, sem tirar nem por. Uma versão gordinha de Jeff. E me orgulharia muito disso.
Estou tentando articular até agora o que a minha dieta e compulsividade de alimentação maciça tem a ver com a chateação do meu melhor amigo. É como sentir fome o tempo todo. Tem algo que tá faltando na gente, e a gente preenche com um monte de bobagens. Usa droga, bebe pra caralho, vai caminhar da Vergueiro até o Santa Cruz, rabisca, tenta caçar coisas pra encher a cabeça e nada, nada preenche o vazio dentro de nós. Ter um distúrbio alimentar não é muto legal. Eu tenho meus setenta e cinco quilos e senhoras coxas, mas também tenho uma barriga bem feia. Essa cara de bolacha que também me irrita, e as batatas da perna grandes demais. Enfim, um corpo quase horroroso. Comecei com essa coisa de comer coisas melhores, mais pela minha voz do que pelo corpo. Eu tento ignorar o fato que sou um ET no meio das meninas do Cine Joia, mas é difícil. Está tudo bem até me olhar no espelho... Ah, que saco.
Eu sou um ET. Parece legal isso... ETs são bacanas, eles devem ter vergonha da gente, ou medo, já que andamos tão violentos e sem educação. Eu já superei por partes o surte que dei com a minha mãe. Essa semana, quero me ocupar de ficar bem longe das pessoas, me enfiar nos livros e nas músicas que preciso estudar. Mas sem muito drama, tô ansiosa com o meu aniversário... Não sinto vontade de me matar como nos dois últimos anos e já é um grande progresso, acredito. Tirando pelos motivos, sozinha eu sei que não estou, porquê te gente que não me deixa em paz, tem gente que quer fazer da minha vida um inferno, eu fiquei gostosa de uma hora pra outra, e ainda assim, tem gente que não quer nada comigo mas vai ser obrigada a ver minha cara todo final de semana. Eu não queria escrever isso, não é por mal. É foda.
Eu vi uma foto dele com uma menina, nem vi legenda. Na hora, estava me preparando pra sair de casa, bebendo uma cerveja suave, mas de tanta raiva que fiquei, acabei matando pra lá da metade numa tacada só. Matei aula na sexta e fui passear da Vila Maria até a Paulista de ônibus. Incrível o mapa de São Paulo e eu me apaixono cada vez mais.
Eu sou uma mulher que se apaixona por muitas pessoas ao mesmo tempo e falo isso na cara dura. Não, eu não sou uma puta igual minha mãe fala, até porquê eu não cobro, como ela me sugeriu fazer. Posso dizer todos os nomes dos pretendentes, mas obviamente, eu só queria um, e lógico, é o que já me dispensou. Me apaixono e não me esqueço de absolutamente nada, por nada. As paixões são dores ou doenças... Eu acredito plenamente pois eu sinto dor, e me sinto absurdamente idiota, o que pode-se dizer que estou doente. E como sou mulher, tenho uma pequena vantagem de que, ainda doente, eu vou á luta. Não me rendo pois sei que sozinha eu tenho muito pra realizar.
Eu sou apaixonada por doces, principalmente chocolate. Eu nunca comi brigadeiro de café mas, da hostilidade, eu provo todos os dias. Basta morder a língua. Legal como bate o contraste do café com esse veneno... É gostoso.

domingo, 2 de agosto de 2015

Repeteco ou Fantasmas do Exibicionismo

Uma coisa que apesar de estranho, esquisito, louca e totalmente novidade pra vocês, que eu faço, é que eu agradeço internamente e imensamente a cada pessoa pela qual me apaixonei.
Eu ainda tô um pouco confusa com o que aconteceu... Eu fiquei absurdamente intacta no meu... (pensando em um número pra escrever, tão grande que eu não sei como) fora que levei semana passada. Apesar de ter sido muito rápido (pera, o que é que foi rápido?) o que aconteceu, acho que definitivamente não tava muito... Caralho, não tô sabendo me expressar. A coisa é que foi muito lógico e racional! Lembro-me de todas as paixões, como loucas e perdidamente alucinógenas, que me faziam chorar e me descabelas, puta que pariu. Será que estou amadurecendo? Provavelmente não, pois me sinto agora, não Bukowski mas, Bridget Jones. Eu decaí bastante, ou pelo menos em matéria de degradação própria, eu subi de nível.
Eu ainda não entendi. Não que esteja tentando explicar pra si mesma (está sim, pare de mentir), mas eu até que estou bem. Claro, vai perdurar alguma vontade de qualquer coisa pelos próximos anos, mas nada comparado ás coisas anteriores. Eu mudei! E estou feliz em escrever isso em exclamação! Porra!
Vai ver que era sei lá... Não só a lembrança daquele arquétipo, claro, pois encontrei um melhor. O que um tem de malvado, o outro tem de bobo, e ambos são infantis, dentro de suas respectivas idades, ambos mais velhos que eu. Comparação... Que coisa feia, Beatriz.
Tá, agora o assunto pelo qual resolvi escrever hoje. Quantas vezes você já pegou coisas pra fazer que você pensou "se eu souber desse tipo de coisas, provavelmente terei assunto com aquela pessoa". Pois é, isso aconteceu comigo e me tornei uma fã doente de Linkin Park e tô me transformando num tipinho protótipo de nerd. Meu Deus, socorro. Sem exageros mas só pra sintetizar, eu absorvi muito das pessoas que passaram por mim.
Eu comprei um baixo alguns vários meses depois que o Guilherme se foi. Na verdade isso tem duas desculpas, ele e o álbum  "Queens of the Stone Age" (ah, de novo ela vai falar da banda?). Pois é, já devo ter meus 1 ano e alguma coisa de tiéte do Joshua Homme. Há uma música nele, chamada "You Can't Quit Me Baby" que dá o real sentido sobre orgasmos sonoros. Todo o álbum é ferrenhamente carregado em baixos e guitarras graves mas, essa em especial, me comprou pela letra, pela loucura que ela representa... Você sabe, coisas loucas me atraem, muito. Até hoje eu não sei tocar essa música.
Me tornei um pouco mais atenta aos meus sentimentos depois que o Rodrigo foi embora. Eu ficava realmente impressionada como "Feuer und Wasser" fazia tanto sentido em nossas vidas. O problema é que eu me cansei de estar em chamas todo o tempo. Me cansei dele, me cansei do jogo de gato e rato, de atender o telefone e de responder mensagens. Ele foi quem me apresentou Rammstein, ouço até hoje, é uma banda excelente, com um intérprete excelente e claro, letras... As benditas letras, sempre dizem muito. Ah, voz daquele locutor da Kiss FM, o Gastão Moreira, quase me deu arrepios pois me lembrava (muito) o timbre do Rodrigo. Enfim, passou também e largou a banda, a obscuridade e a atenção comigo.
Eu decidi que seria escritora e nunca mais me envolvi em dar pitaco em opinião de ninguém, contrariando ninguém, porque... Foi assim que eu conheci o Victor. Discordei dele numa coisa, começamos a conversar e achei que estivesse conversando com alguém tão sincero quanto eu mas, me equivoquei. Além dos empecilhos básicos, simplesmente e ironicamente ele é meu oposto.
Tô com um vício de estudar signo, sabe? Pois bem, ele é meu oposto, mesmo.
O fantástico senhor malvado me fez pensar que eu morreria sem ele e, ás vezes morri, mas sobrevivi á todas as vezes em que ele precisou me ignorar. Não e nem quero mais saber os motivos dele, os que são suficientes, são os meus motivos e hoje, eu sou grata por receber tantos nãos. Tantas exaustivas recusas... O tanto que eu chorei, puta que pariu. Mas não foi um final fracassado, tão fracassado pelo menos, quanto os outros.
A cada dor que ganho por causa dessas paixões inúteis, eu me sinto melhor. Sabe, aprendo muitas coisas... Mesmo! Inclusive, sobre rir dessas exclamações... Nunca escreve com exclamações.
Me sinto idiota. Quase sempre. Não porque eu fico agindo feito uma, mas também pelas vezes que eu deixo de ser bobona como teria de ser. Fico me resguardando, tentando impressionar, vocês sabem quem, até semana passada. Já começa errado quando você gosta da pessoa e fica tímida com ela... Eu pelo menos penso que não deve ser assim, caramba. Vamos lá, minha teoria: timidez com a pessoa que você gosta de estar perto é maluquice, simplesmente porque você deve estar pensando "eu sou uma idiota então, deixa eu me comportar" ou seja, você não vai ser você mesmo.
Mas, o que vejo tanto, como se fosse um tutorial de como arrumar um namorado, representa tanta coisa disso... Cara, como eu posso não ser eu mesma com a pessoa que eu penso passar noites, dias, meses, a vida até!? Como? Falar que gosta de vinhos (odeio) no primeiro encontro é bacana, tomar duas taças e ser levada pra casa já animada, é legal, rola até um horn up de boa, mas ninguém te vê vomitando depois. E quantos vômitos você vai esconder? Eu digo, nenhum. Eu vomito tudo numa tacada só.
Ser sincera definitivamente não é uma qualidade. Isso já foi comprovado... Em todo lugar. Aonde você vê sinceridade hoje em dia? Tudo é levado na brincadeira, tudo é "pega leve", "vai devagar", "eu sou virgem", "eu te amo", "você é minha vida" caralho!!! Depois sou eu quem exagero! Me poupem!
Fico brava quando penso nisso. Vocês já conhecem a história do taco de beisebol e minha cisma quando vejo casais na rua. O que me deixa mais triste é pensar que ninguém tem culhão pra aturar minha personalidade. Eu sou intensa, quando quero, eu mato e morro pra conseguir alguma coisa, mas também quando dá merda, quando acaba, quando vai embora, não tem volta comigo. Eu faço coisas demais, e faço tudo ao mesmo tempo. A carreira é minha vida... Eu vivo pra música, eu vivo pra escrita, eu vivo pra filosofia... Eu vivo pra estudar o que gosto e mando todas essas merdas de vestibulares pra puta que pariu. Até em entrevista de emprego... Fui tão, tão TÃO espontânea com o espaço que a moça me deu, e sua severa atenção, sempre anotando e perguntando mais, fazendo até eu me esquecer de toda humilhação das outras. Sim, pois, estão esperando que eu diga que O SONHO DA MINHA VIDA É SER ATENDENTE DO BURGER KING ATÉ EU MORRER E CLARO, EU VOU ABRIR MÃO DA MINHA FACULDADE POR ESSE CARGO!
Isso quando não liberam a calculadora na prova... É, a maldita da monitora chega e diz "na prova de matemática, vocês podem usar a calculadora". Ia escrever um palavrão, mas não consigo demonstrar minha raiva por aqui... Pelo menos por isso, não. Hoje não.
Hoje eu posso dizer que costumo ir ao cinema, coisa que eu sinceramente detestava fazer e ia só pra ter a companhia dos amigos do bairro, que só sabiam até agora marcar passeio pra shopping, outro lugar que me dá asco. E frequentando o cinema, me dei por sortuda pois, escolhi uma boa época pra começar a assistir filmes. Te juro, sou o tipo de pessoa, que nunca viu Titanic e nem terminou de ver Lagoa Azul ou Ghost na sessão da tarde. Lembro-me que assistia aos filmes do Elvis na Band. Era muito bacana, mas já não me lembro de muita coisa, faz muito tempo.
Eu não sou cinéfila... Puta que pariu, nem chego perto. E nem quero.
Pensei em começar a leitura de uma HQ (o que????) do Blade, mas protagonizada por sua filha. Sempre gostei de Blade e sim, assisti á todos os filmes da franquia. Parei de escrever por um minuto e estou rindo, pensando numa descrição minha, por terceiros, fazendo um rápido escaneamento do sistema... Eu sou realmente, uma figura. Um card raro. Uma doideira bem desestruturada e misturada sem sentindo.
Gosto de filmes de ação. Esses de machão, com tiro, luta, sangue, nossa, adoro explosões e porrada... Melhor coisa do mundo, falando sério. Tive um ataque de nostalgia quando fui ver o exterminador do futuro, "gênesis", pois me lembrei das poucas tardes que passei com meu pai no sofá da sala, assistindo os filmes que ele gostava. Vai ver que é por isso que sou fã do gênero. Ele gosta.
Sou um suspiro grave e fundo numa madrugada de domingo, procurando não ficar triste com as recusas, puro capricho. Tem tantos caras no mundo, poxa, relaxa!
Eu nunca me imaginei lendo HQs. Hesitei tanto em ler meu primeiro livro, emprestado pelo meu irmão, "Estátua!", de Steve Barlow e Steve Skidmore, mas li. E amei. É um livro querido, quero um dia poder dá-lo ao meu sobrinho, quando tiver idade suficiente pra ler. Mas meu primeiro livro que, desengatou minha leitura regular, foi "O Desejo de Lilith", do Ademir Pascale. Já devo ter falado dele, inclusive, está na minha bio aqui no blog. Foi o livro que fez meu coração disparar, meus olhos secarem por não piscar e, nossa! Ficava sem fôlego.
Já disse que sou a pessoa mais medrosa do mundo, não? Eu sinto medo é de engolir esses rótulos que todo mundo põe aí pra gente consumir de graça.
E assim como eu demorei uns sei lá quantos dias pra terminar esse texto, e mais horas pra saber como terminá-lo, decidi não me alongar muito. É tudo questão de deixar o tempo passar e se ocupar com outras coisas... Claro, acho que a sorte deu uma mãozinha... Deus é bom e mandou uns caras cumprirem seu serviço.
Tem hora que fico triste, depois esqueço por umas horas e depois, de ficar entediada, tomo um banho, fico três dias desembaraçando o cabelo e vou deitar, ainda bêbada da noite passada, completando o resto do sono. Desânimo não vem por nada, eu digo que é por nada pois realmente é nada... Nada de interessante, nada pelo o que eu deveria sofrer... Nada. Mas é mentira. Nem pra mim eu sei mentir mas eu levo. Quer saber, já falei demais. Esse papo já deu e provavelmente semana que vem eu tô voltando pra falar de como meu coração bateu acelerado quando eu o vi, da angústia que senti quando passei a noite com alguém que gosta de mim e que não posso retribuir, ou até mesmo com um qualquer. Eu levo.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

"Michael, sente-se aqui."

...A mamãe quer te contar umas histórias do meu tempo de menina... Pega teu chocolate quente e vem aqui.
Eu tinha fama de louca no meu meio e, com felicidade, me vi cada vez mais parecida com a a sua avó. A gente sempre foi de falar muito palavrão, falar alto, beber demais, coisas que você já sabe.
Houve um dia que a mamãe adiou algumas tarefas, nas férias da faculdade de Filosofia, pra poder ir visitar sua bisavó, mãe do seu avô. Eu entrei na enfermaria e me senti acabada. No mesmo dia, tive que fazer uma carta pra uma amiga de longa data, e eu já tinha bebido um pouco, sem comer muito... Foi um dia estranhamente confuso pra mim, filho.
Sabe, eu conversei com a sua madrinha, naquele dia, e pedi desculpas pelas coisas que eu disse em relação á outras pessoas. Não tente me entender, filho... Mamãe faz coisas malucas, você sabe.
Nesse mesmo dia, eu conversei com várias pessoas, todos amigos muito queridos meus, sabe?
Nesse mesmo dia, eu senti tantas coisas ao mesmo tempo, meu amor... Michael, mamãe é muito ciumenta. E acho que sou possessiva também (risos). Nesse mesmo dia, eu me lembrei de muita coisa, tudo muito ligado em questões de amizade. Eu fui visitar sua bisavó, voltando - E aí vi muitas pessoas perturbadas na recepção daquele hospital. Todo mundo inquieto, além das expressões de dor. Depois que fiz as formalidades pra poder entrar, atravessei o corredor e senti calafrios, o ambiente de hospital é quase como um pré-mortem e isso é horrível, meu bem. A mamãe já tentou se matar algumas vezes, há muito tempo e, é como se a sensação voltasse mas de outra forma... Quando você procura a morte, é com uma aflição no peito, implorando pra que ela seja sua sanação. Lá, senti como se a morte viesse sem ao menos eu pedir... Eu não estava insatisfeita com a vida naquele tempo, não estava triste e, acabei ficando.
Michael... Muitas vezes você pode querer tirar a sua vida porque não vai estar satisfeito com as coisas e pensa que não tem saída pros seus problemas. A gente pensa ás vezes que não é bom em coisa alguma, meu amor, e pensamos que não podemos confiar em ninguém... Pode até ser que isso seja verdade mas, isso só prevalece quando você é diferente das outras pessoas. Você pode sair á noite e observar as mesas do bar, com meninas com suas amigas, os casais apaixonados e os caras trocando ideias. Todos eles muito bem entrosados, todos rindo, bebendo cerveja, fumando, com seus iphones tirando fotos para acalentar os olhos dos não privilegiados com dinheiro, amigos e disponibilidade de sair numa segunda-feira á noite. Meu filho, a vida tem dessas... No fundo, todo mundo tá sozinho. Nunca duvide disso, e nunca maltrate as pessoas, que parecem que tem tudo. No fundo, ninguém tem nada, meu amor... Morremos sozinhos, vivemos sozinhos. A diferença é que uns conseguem ser bem sucedidos na carreira, no amor, na popularidade, em alguma coisa.
Naquela época, mamãe pensava que era bem sucedida na carreira, ou melhor, que poderia ser e estava caminhando até, pra isso. Eu era muito nova mas muito infeliz e frustrada nos assuntos de relacionamento. Chegou uma época que comecei a duvidar das amizades, todas, sem exceção. Comecei a pensar seriamente na solidão, sem dramas, sabe? Mamãe sempre foi a rainha literária do drama. Digo literária pois, nunca fui de demonstrar muita coisa, a partir de certa altura da minha adolescência.
Lembrei, neste mesmo dia - de um carioca que beija mal, que eu peguei na balada um dia e ele estava doente. Ele contou pra mim o que tinha mas pediu pra que eu não contasse ao amigo dele. Me peguei pensando, amorzinho, 'por quê?' É mais importante que eu saiba? Claro que não. Na verdade, é preciso contar pra alguém, mas também é preciso não preocupar os demais. As pessoas sempre pensam que estão fazendo o certo, nessa de esconder a verdade pra não fazer outras pessoas sofrerem. No fundo eu até sabia o que o cara tava fazendo, protegendo o amigo dele, pelo menos era sua intenção. E afinal, pra que servem os amigos? Michael, não me pergunte porquê. Acho que eu também já não sei mais responder esta pergunta.
Até hoje eu choro quando entro de férias de alguma coisa. Deve ser uma vontade inconsciente de "eu quero ser igual a todo mundo". Você lembra daquela ilustração, benzinho, que eu te mostrei, das cabeças sendo cortadas por um professor em quadradinhos e uma única, ainda redonda? A mamãe ainda deseja inconscientemente ser igual á todo mundo. Eu também não gosto de escolas, primeiro, me revoltei quando me toquei finalmente que seus avós nunca dariam atenção pra minha vida acadêmica, e era algo importante pra mim e eu queria que fosse importante pra eles. Nada feito. Depois, eu acabei vendo que tudo aquilo era inútil pra mim... Eu queria aprender inglês, filosofia, língua portuguesa, história... era isso o que eu achava útil. Eu sempre odiei cálculos, fórmulas, essas imbecilidades, coisa pra quem tem paciência. Mas tudo se tornou chato, eu perdi a vontade de estudar, em tudo.
Ah, Michael... As coisas são tão difíceis quando você vê coisas que ninguém mais vê, meu amor. Eu poderia te falar sobre a música, a filosofia, alguns prazeres moderados pra não se tornarem vícios, sobre beijos, abraços, risadas, coisas que fazem bem, pelo menos pra mim. Mamãe se pegou sendo covarde e medrosa desde um tempo e, acho que nunca mais deixei de ser.
Acho que no fundo, meu amor, a gente só precisa de alguém pra conversar. Alguém diferente... Pois terão horas que você não vai ter com quem falar ou em quem confiar, e então, eu espero que sobre alguém pra você, meu amor.
Ah, e nunca se esqueça: O que você pensar em fazer, vá e faça. Se você achar que é o melhor pra você, vá e faça, meu filho. As pessoas não tem que opinar na sua vida e, se você for como a mamãe, que pensa demais, melhor ainda. Apesar de que também, mamãe já pensou de menos, pensou de mais e continuou fazendo tolices... E confesso, benzinho, que nas vezes que me diverti, a maioria pelo o que me lembro, não pensei em nada. Fui e fiz. Então, faça isso.
Ás vezes você vai achar que nada mais tem resposta, meu amor. Sendo assim, prossiga sem muitas perguntas... Ás vezes não vale a pena responder tudo, mas perguntar, sempre vale. Esteja ciente de que você nem sempre vai vencer as dúvidas, umas vão te acompanhar por toda a vida mas, na hora certa, você vai entender. Existem somente motivos, finalidades, e isso não é basicamente fundido em perguntas e respostas. E tudo na vida é assim, filho. A gente acha que compreende esse tipo de coisa mas na hora do fogo cruzado, você se esquece de refletir, de sequer se pôr em posição de aceitar, pelo contrário... Você vai quebrar a cabeça e esmurrar um milhão de facas. Isso dói, benzinho... E a verdade? Ela é como uma injeção. Você sabe que dói mas também sabe que ela é necessária e que fará bem pra você.
Lembra, benzinho, daquela injeção que você tomou e depois você adoeceu? A verdade é assim, ás vezes. Mas toda dor do undo passa, filho. A verdade, a dor, a injeção, tudo isso é necessário pra nos construir, pra nos conhecer. A vida é uma grande roda gigante... Observe: quando você estiver descendo, você vai sentir um certo medo de encostar os pés no chão mas, depois que tudo isso passar, você vai começar a subir. Pode parecer estranho mas é algo muito bom, subir, se aproximar das nuvens e olhar o céu, a cidade toda lá de cima. E assim segue, amor. Precisamos descer para poder subir.
Acho que já falei demais, não é, meu amor? Você já deve estar acostumado... Mesmo assim, chega de lorota. Vai tomar seu banho, e não venha me dizer que quer ouvir mais pois até seu chocolate esfriou.
Vai logo, moleque!

-E o vi dando risadas, voando corredor adentro rumo ao banheiro. Me dei conta, do meu eterno medo, dentro de uma lágrima quente que rasgava meu rosto. Eu não poderia permitir que a melhor parte de mim se corrompesse pelo mundo. Ele não podia nascer... não podia...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Júlia Drusila e as Referências Entendidas

Eu não sei pra quê porra eu vim aqui escrever.
Não tem absolutamente nada de novo, mas parece que eu sempre estou me desafiando a fazer coisas novas. Inclusive, forçar-me a sair do meu repouso invernal, onde a gente se recolhe, fica de boinhas e só procrastina num nível absurdo. Juro, não há nada de novo... Continuo pensando coisas ruins a meu próprio respeito, tenho conversas, aliás, diálogos épicos com Marina, ensaios que rendem boas risadas, um coração que mais apanha do que bate (porra, apaga isso, que clichê!), a vontade de escrever uma canção chamada "Joshua Eyes" e a eterna reflexão sobre o porque eu nasci, porque estou desempregada, porque eu quero morrer, etc etc etc
Não vou falar de morte. Pensar na morte é como comparar um homem tendo uma ereção. Pensa só: pessoas (loucas) como eu que buscam a morte ficam segurando esse prazer assim como o cara segura o orgasmo pra render mais. Gozar rápido é chato e, por um lado, morrer jovem também. Eu poderia usar a metáfora de um prato de mingau: A morte é um mingau que a gente vai comendo pelas beiradas, com colheres sutis... Assim como a vingança. É? A vingança é um prato que se come frio, ou pelas beiradas, não me lembro do ditado.
O pior é que ainda é cedo. Meu pai já está no milésimo quinto sono e eu aqui, sem aquela disposição de quem vai correr a São Silvestre mas, acordada como quem usa cocaína. Acho que, estou num after effect. Não é a toa que usei uma foto de uma raposa sentada na cadeira, olhando pro nada com cara de trouxa como perfil no Facebook. Aliás, eu já estou ficando doente de passar tanto tempo olhando pra essa tela azul maldita.
Resolvi fazer um painel no meu quarto (que também é depressivelmente azul) para escrever parte da letra de "In the Fade" em sulfite e massa corrida 2x4. E não o fiz até agora.
Consideremos que eu usei dois ou três dias e algumas horas da madrugada pra escrever esse texto, motivada pela espera do meu amigo baterista que não apareceu desde ás quatro da tarde, pela insônia amiga e pela gripe. Acho que agora eu já tenho coisas legais, muito legais pra contar.
Coisas do tipo as vezes que eu me pego pensando nas palhaçadas que aquele Senhor Olhos Verdes faz, de propósito ou não. Tipo o filme que a Aline me levou pra assistir, um documentário sobre o Kurt Cobain que acabou com o meu coração. Também as músicas e livros que descobri ontem e hoje... Discografias novas, trabalhos novas e pessoas novas - e a mesma idolatria de sempre. A idolatria não é tanto para com as pessoas mas, pelo estasiamento. Acho que o mesmo com os livros.
Sabe, conversei com a Marina sobre isso, exatamente isso que me mantém viva. O descobrir. A porra da curiosidade. Eu sempre disse e sempre vou dizer que, "se a ignorância é uma benção, eu prefiro ser amaldiçoada". Imagina só - disse á ela, - quantas músicas tenho que ouvir, quantos livros tenho pra ler! Eu tenho muito a aprender, pra absorver, pra acreditar e duvidar e perguntar, e principalmente, enlouquecer. É a parte que mais me motiva, confesso.
Já estou com saudades. Hoje me olhei no espelho e comentei do nada: o melhor das paixões, quando você fica mais velha, é que você agora sabe driblar e lidar com as coisas. Só que não HAHAHAHA - E ri. E claro que não foi por nada... Eu estava pensando nele. Difícil não pensar, pois se penso algo engraçado, penso nele. Sobre ser engraçado, sobre o sorriso dele, o timbre da voz dele, essas coisas. E nada foge: o cd do Audioslave, a discografia do Queens of The Stone Age, a setlist do nosso show de hoje, a notícia de uma tese em quadrinhos entregue á universidade, fora das regras da abnt e até as coisas fúteis da internet... Quase tudo. Mas estou tranquila, pelo menos acho que estou. Me agrada pensar nele, apesar de que é involuntário, ter uma ou outra lembrança correndo pela minha cabeça vazia, ou tombada nos livros de filosofia e simpatias por demônios. Meu leão está me vigiando com ar esnobe, enquanto repousa sobre os meus livros. Folgado.
A pior parte é ele metendo a mão no meu teclado pra mostrar "olha, sua besta, aprendi a tocar in the fade pra te impressionar". Porra, logo essa? É meu ponto frágil, meu tudo. E eu perguntei pra minha mãe "por que as pessoas que não gostam de você te provocam?" e depois, esclareci quando contei da música, "e por que que ele faz isso?". Não me agradou a resposta... O colocou no patamar infantil e comum de todo e qualquer homem. Eu gosto de dizer que homens não são iguais e claro, os quais eu me apaixono, são cada um diferente. (cada um é mais filho da puta do que o outro.) O problema é que ele deixa claro, ele dá deixas de que me entende, e me lê. E que se interessa, só por curiosidade, talvez até por tédio. Não tem nada melhor pra fazer? Vá atazanar a vida da trouxa que bateu o olho nele e nooooossa!
Eu disse para Marina "isso porquê eu nem sabia que ele tocava guitarra". E o que mais me irrita é ficar pensando nas coisas que ele deve fazer. Ele sabe que eu leio os livros da franquia Assassin's Creed, acha que eu sou uma fresca por querer guardanapos pra limpar as mãos do óleo amaldiçoado do Mc'Donalds, sabe que In The Fade é minha música favorita, sabe que eu quero cantar ao menos uma música do Queens no nosso set, ele me observa e ainda me imita, de como eu passo as festas pós show "de braços cruzados, olhando um ponto fixo no chão, com cara séria" - e ele deve estar lendo isso agora mesmo, e rindo. Ou tramando alguma coisa. Pois saiba que eu não tenho coragem de reclamar de nada disso na sua cara, e eu sei que você fica me espionando pelo menos um pouquinho. E se me pedir uma cerveja, ou vou tentar te dizer "vai lá com a sua namoradinha". E se você for, vou ficar com o cu na mão, sei lá, essas coisas de gente insegura. Detesto pensar nisso, mas vivo pensando nele. Em você, seu idiota.
Se eu for falar de insegurança, era melhor eu escrever um tratado, um ensaio, algo voltado á filosofia. Se bem que dá até pra resumir: é coisa de gente burra. Que eu sou medrosa, isso acho que todo mundo já sabe, ou pelo menos isso me passa na cabeça. O que realmente me incomoda (de novo) é o que pensam de mim. Porra, eu nem sou tão importante assim, não sou icônica, não há motivo pra sentirem inveja ou algo parecido de mim. Olha, se você me inveja, desculpa mas, que merda, cara!
Voltando - Eu tenho uma mania louca de me menosprezar. Coisa de gente insegura. Pra falar a verdade, ninguém acha que eu sou medrosa... Já ouvi muita coisa a meu respeito que incluía loucura revestida de coragem. Aquela frase "você é doidinha" ou então "ah, como você é grossa", meu Deus, como isso me irrita. Sei lá. Coisa de gente chata.
Mas eu preciso ser compreensiva, afinal, eu gosto de um cara que não vê nem um décimo do que eu vejo nele. E isso é tãããão chato. Acho até que é charme teu, leão. Pára com isso, menino. Você sabe o quão incrível você é, e quão fascinante pode ser. Sinceramente, é nisso que eu te acho chato. Você me lembra meu irmão mais velho, já te disse isso. Meu irmão é o diferentão da família, o libriano, super inteligente, bonito desde o colegial e com um menosprezo a si mesmo quase alcançando o meu nível. E vocês são dois idiotas. Lindos, e idiotas.
Eu concluí hoje que não sei xingar ninguém. Disse pra Marina "eu acho ele feio e bobo".
Estávamos falando de um conhecido em comum. Mas eu acho a mesmíssima coisa de mim... Acho que "boba" não, mas no sentido de lerda. Feia e lerda. *platf* - Lembrei do tapa que ganhei na cara de uma colega da sala. "Eu te disse que iria te bater se você dissesse que era feia." - Não disse não! Mas mesma assim, ela bateu. Nossa, bater na cara é só em ocasiões estritamente íntimas. Por favor, saiba disso.
E sobre os inseguros, chatos e idiotas (todos nós somos um pouco de tudo isso), hoje recebi a melhor crítica que eu jamais poderia imaginar. Acho que o mais surpreendente é que eu fiquei feliz, e um pouco confusa porque já é a segunda vez que me falam isso. Por quê sou inteligente? "Pela forma que  você escreve, raciocina, filosofa... Você tem vocabulário, não é uma idiota, apesar que ás vezes você  gosta de parecer uma."
De uma coisa eu estou convicta: eu sou idiota e eu adoro isso. Mantém o meu lado criança ainda vivo. Eu o perdi ao longo dos anos, o evitei bravamente mas, diga-se de passagem que eu sei que minhas idiotices vão além de todas as loucuras apaixonadas que já fiz, não só pelos caras que eu estava afim, mas pelas bandas, pelos livros, pelo conhecimento de qualquer coisa. Isso mantém a chatice longe, o meu mal humor cotidiano. Exceto quando me torno uma pedra no sapato do meu enamorado. Leão, espero nunca te incomodar com nada, e se um dia o fizer, me desculpe.
Você sabe qual é a diferença entre o Kurt Cobain e eu, e todas as pessoas cronistas que escrevem da sua vida besta? O Kurt foi um sujeito corajoso e muito seguro de si e principalmente de suas palavras. Você imagina só, pensar em suicídio ou algo parecido é algo que todo mundo faz, mas escrever de tal modo... Ah meu Deus. - Palavras do diretor do longa. E é. O que eu tinha, de no máximo "eu me odeio" e ponto final, eu já rasguei e joguei fora. Atualmente, prefiro pensar no meu Leão, ouvir minhas músicas, vibrar ao saber que já consigo tocar as canções de cabeça, sem a ajuda das folhas, e ser feliz, descobrindo mais e mais demônios, e devorando coisas novas. Experimentando a vida com a colher da curiosidade. Metáfora boba, mas que descreve bem.
Teve uma coisa que passou batido na timelime da rede social azul, um vídeo palestrado que falava sobre o medo, e envolvia a questão atual da redução da maioridade penal. Mas o que me chamou foi a porra da ênfase no medo. Até parece que tem algo conversando aleatoriamente comigo sobre isso... Tipo "vai fugindo, esconde mesmo e não debata nada consigo mesma sobre o seu medo, covarde!"
Será que é necessário expor tudo? Eu sempre penso em mil coisas ao mesmo tempo. No mesmo tempo que acredito em Deus, eu acredito em demônios, e quero ser amiga dos dois. Aliás, na minha cabeça, Deus não é amigo de ninguém, mas o diabo é sacana... Não tão quanto Deus, mas é. A vida é uma ida ao mercado aonde você sozinha tem de carregar as sacolas e um litro de água sanitária tá batendo na sua perna enquanto você caminha. Eu também penso se é válido entregar o jogo assim, na cara de todo mundo, sobre tudo. Os meus sentimentos são algo super sólidos, ao contrário das minhas ações. Eu sinto muito mas demonstro errado. E nem sequer sei se o cara tá interessado, se ele tá fazendo palhaçada, ou sei lá a porra que ele tá pensando. Eu fico me importando com o que todo mundo pensa de mim, sendo que também penso que ninguém pensa em mim. Eu também sou convicta de outra coisa: estou com soluços e eu sou louca.
Eu nunca dei tantas referências em um texto como esse aqui. E só pra citar, de novo, eu vou começar a ler "Notas de um Velho Safado" ainda nessa semana, e já estou previamente assustada com o dito mais ou menos "é impossível ler e continuar o mesmo". Se eu já achava que tenho alusão bukowskianas demais, agora então, acho que fodeu.
Algo que me tomou a cabeça esses dias foram os malditos signos. Coisa de gente... Louca? Não sei. Mas é interessante. Eu acho engraçado como as coisas batem mas, ás vezes me pergunto se tem coisas que eu me prendi... Sobre verdades a qual eu me adequei e não o contrário. Mas é assim com todo e qualquer dogma. Aliás, quando você toma uma filosofia de qualquer coisa pra você, e você impõe dogmas á isso, já era. Tu fica viciado, tu quer esfregar na cara da pessoas, tu fica fazendo piadinha de "entendi a referência" de qualquer merda que tenha a ver com aquilo que você decorou na Wikipedia. Mas desconfio que eu seja meu próprio problema, e acima de tudo, minha própria solução. Eu sei que exagero demais nas coisas... Eu bebo demais, danço seus horas sem parar, começo a gritar quando converso e bebo ao menos tempo, chamo atenção mesmo sem querer, e por aí vai... E sempre me excedo em algo.
Aí eu pensei nas faltas. Sabe, quando você é realmente carente de algo. Pensei nisso porquê me perguntei "por que gosto de caras mais velhos?"
A falta, quando você diz "eu sinto falta", no meu caso, me refiro á algo que estava ali mas eu não tive como aproveitar daquilo. Meu pai é o único exemplo claro, e acho que é realmente o único exemplo que eu posso dar. Ele estava aqui sempre, mas não estava. Nunca exerceu paternidade extrema, ou pelo menos aquela que eu almejava, de brincar comigo, olhar meus cadernos e perguntar como foi meu dia na escola. Tem gente que não tem mesmo, aí não tem como requisitar. E eu acho até melhor... Não existe dor maior de querer, ver, sentir, mas não poder alcançar tal coisa. Eu sei MUITO bem o que é isso.
Você sabe quem é Júlia Drusila? A filha do Calígula. Eu e os meninos acabamos citando vez ou outra o rei pra Caligulove. É uma música foda do Eagles of Death Metal, e o rei era um doido transante que tinha umas quatro esposas. E observei que ele teve uma única filha, da quarta esposa. Júlia é filha do pecado mais delicioso dentre os sete: a luxúria. Me vi um pouco. Um criança selvagem, que gosta de arranhar. Aliás, Calígula também é virginiano. Pra variar.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A Vida Lacuna

Tenho uma leve impressão de que só abro essa telinha clara pra poder desabafar. Bem, não vou gastar meu tempo pensando nisso, tentando adivinhar qual das Beatrizes estão tentando falar algo pra vocês ou pra ela mesma... Não há tempo pra ser gasto, mas sim, investido.
E por falar em investimentos, estou conversando com um dos meus amigos sobre isso. Minha cabeça andou confusa nos últimos dias, desde a nossa ultima aula na Acrópole. O mestre pediu para que pensássemos a respeito de nós mesmos daqui há cinco anos, ou dez. E pediu também para que chegássemos mais cedo na próxima aula para uma entrevista semestral. Nada formal, só um bom bate papo sobre como estão nossos planos mediante a vida e à escola. Confesso que entrei num certo pânico silencioso.
Eu sou um tipo de pessoa que sente-se flagelada em acordar cedo, ou pior: coloco o celular pra despertar sete horas da manhã e se levanto, não sei o que faço. Eu vou dormir, e só sei pensar nas dívidas, nos livros que estou lendo, nas músicas que estou tirando, na minha estagnação vital, no meu medo excessivo, no controle que eu deixei que meu pai exercesse na minha vida e em todas as mentiras que vou contando pra mim mesma e pros outros. Imagina você que tenta seguir uma boa conduta, dentro de moral, ética e todos esses termos que ninguém mais sabe o significado, inclusive você mesmo (claro, além do porquê se Sócrates e Sêneca me conhecessem, me tratariam com um desdém nível luva de penica na cara); e então você não sabe nem o que quer da vida. Aliás, eu sei mas, não era pra ser isso, tem algo errado!
Acho que me convenci de que poderia trabalhar em qualquer coisa e estudar estritamente só o que eu escolhesse. Tá, já estou cursando filosofia numa universidade e juro por tudo que é mais verdadeiro no meu peito, que não é mais aquela velha questão de "vou me formar pra esfregar um diploma na cara do meu pai". Consigo sentir, imaginar, como seriam minhas aulas, meus seminários e palestras a respeito de tudo que eu sonho passar adiante. A educação pra mim agora é como um ideal... Me sinto até menos egoísta pois sei que darei algo meu para mais pessoas, e farei isso de todo coração.
Agora saindo da imaginação e dos meus sonhos que restaram como migalhas num pote de biscoitos - existem contas a pagar. Desde pequena eu nunca tive diretriz pra nada. Minha mãe fazia o pouco que dava por mim, já doente e também desorientada. Fui virar gente mesmo nesses vários tropeços, de não saber ir pros lugares e não manejar os próprios documentos. Só que deixei sair do controle, exatamente tudo o que fiz até agora que era pra ser pensado como prioridade. Lembra do meu salário? Eu não, só sei que gastei em baladas e mais baladas, e comida. Agora, lembra do que foi dito na penúltima aula sobre o que as pessoas buscam constantemente? Exatamente isso: prazeres temporais, mais conhecidos como vícios. E lá vou eu apresentar um seminário sobre "A vida feliz", fichando, ou seja, lendo pela segunda vez, escrevendo (o que torna a ler mais uma vez, então, terceira) e comentando, acrescentando a minha interpretação. E apanhando! Esqueci de dizer.
"Ainda não sou amigo de mim mesmo" - Disse, ainda depois de todo reconhecimento de falhas e o tentar reatar com os inimigos, pessoas que odeia, vícios que deseja e palavras que são ditas. A estagnação vital que citei agora a pouco, é disso que eu estou falando: não basta reconhecer. E ainda que tentasse não odiar, pedir perdão, reconciliar, calar-se e agir enfim, nada mudaria por dentro. Determinadas coisas faço por obrigação. Agora, separemos em categorias... "O que é essa obrigação?" - Bem, confundo o meu dever em reta ação com a ostentação de bons atos. Sabe aquele personagem de desenho animado que é caricato de vilão e acaba fazendo bondades mesmo sem querer? Sou eu. Mas, uma que eu não faço o bem visando ganhar um oscar... Porra, eu faço o que é certo, e só. Porém, ás vezes sinto que estou sendo trouxa. Aliás, o mal da humanidade atualmente é o "parar de ser trouxa". E ser trouxa é ser bonzinho? Muito prazer, meu nome é trouxa.
E também não tenho pose de vilã... Ai, meu Deus. Sou uma lesada que ri, com dezoito anos, da piada do pintinho (inclusive tô rindo pra escrever isso...). Só que o problema está justamente muito mais além de ser risonha ou atrapalhada, até mesmo sobre bater na tecla da monstra egoísta que eu carrego nos ombros. Sêneca comenta algo sobre escolher um lado para o qual tender, escolher um caminho e segui-lo, e sobretudo encontrar um método eficaz para seguir no mesmo.
Tirando o desânimo que ganhei a respeito de empregos, também juro que não sei aonde estou errando. Corrigi o currículo, entreguei em dezenas de lugares, fui em mais de duas entrevistas num só dia, apelei até pro fast food e nada. Ora é bom não ter experiência, ora é bom ter faculdade, ora sim, ora não. Já até me esqueci de lamentar que sou surda pro telemarketing e estou me tratando sozinha sobre meu ser temperamental - mas ainda quero que a minha gerente morra.
Pra falar a verdade, me deu um lampejo na cabeça e perguntei-me "o que é que você tá fazendo de errado, de ruim?" e eu ri. Não sei responder. Quero uma análise mais sincera, livre das repetições e principalmente das condenações.
Algumas pessoas comentaram comigo a respeito da adaptação, o que me rendeu uma certa tristeza por ter que pintar meu cabelo de preto. Pode parecer idiota, mas eu gostava muito do azul e não via problema, no que hoje eu evito pensar que ele está sem cor. O termo que não me deixou enlouquecer foi o que meu professor de introdução usou, fora da sala de aula, quando vinha comigo para a faculdade: "mudanças circunstanciais". E como é difícil esse ser aqui imaculado se adaptar, puta que pariu. Trabalhar em qualquer coisa não é tão fácil quanto imaginei. Tudo implica, seu curso superior, sua experiência pequena, seu comportamento, o seu cabelo. No mais fácil, não deu, no mais fácil, já tem gente demais, não precisam de mais um. E o que que é que me sobrou pra fazer? Estudar coisa de alguém normal. Cara, eu não vou consigo me imaginar no escritório, de roupa social, ou fazendo contas... Caralho, que inferno. Me sinto triste porque queria gostar disso, queria ao menos tolerar, queria me adaptar. E então acabo me apegando no que tenho que fazer por agora, mas ainda acho, que não dou o meu melhor. Tenho certeza que poderia me esforçar mais, que poderia melhorar muito mais e por quê não o faço?
A não satisfação por nada está me incomodando pra valer. Até duas semanas atrás era um motivo de orgulho, mas o que vejo acontecer é uma guerra dentro de mim cada vez mais acirrada, a cada momento que reconheço que me deixo levar - atraída pelas multidões e por todos os meus vícios, literalmente falando - e assisto a preguiça me dominar, o ódio crescer, a cara de pau de assumir os erros e "aguentar b.o's" extrapolando medidas completamente desnecessárias. E pra mim tá tudo certo. A faculdade atual já tem uns três mil por cima pra me cobrar, a anterior, cinco, já disseram que vão penhorar alguma coisa minha (não sei o quê...) e eu tô aqui, acordando cedo, estudando, bebendo café, indo dormir e voltando a acordar ás oito da noite com a disposição de quem vai correr a São Silvestre. Bacana.
Quando iniciei a escrita desse texto aqui, pensei em falar sobre o fingimento. Mas acho que não tenho o que dizer sobre isso, sobre os jogos de tudo. As pessoas fingem que não sentem saudade, que são orgulhosas e auto-suficientes; ninguém precisa de ninguém; a aparência é o ditador da moda e da vida. "A alma é quem deve saber o bem da alma" - Disse, novamente. Sêneca, eu não tenho alma... Estou quase convicta disso.
Se eu perdi minha alma, eu devia ao menos tê-la vendido por um bom preço ao diabo. Mas vamos considerar tudo isso e reescrever a sentença: a minha alma está perdida. Agora sim.
Engraçado quando eu paro pra pensar nos meus métodos que consistem inteiramente em aprender na porrada e se sair bem na média fazendo as coisas pela metade. Deveria escrever um manual, no caso, de "Como não ficar à mercê da sorte", apesar d'eu não acreditar que ela exista. As músicas que devo tocar só ficam prontas quando eu fico realmente inspirada, quando me vem uma centração inexplicável e invejável, que gostaria de ter á todo momento e não só em reflexos. Lembro-me que terminei de transpor uma música de ouvido, exatamente numa quarta-feira ás seis da manhã, e o feito ficou pra história. E hoje, a mesma coisa. Outro lampejo, peguei a partitura e a reaproveitei, parte dos acordes e de um tema: agora é tocar. Tocar, lê-se "praticar pra mãozinha obedecer aonde deve-se pressionar no teclado e não fazer merda". Praticar, lê-se "repetição".
Minha professora de piano me dizia sempre pra tocar mais devagar e eu sinto os impactos disso hoje em dia. Tento tocar mais lento e quando me pego pensando de novo, lá estou eu em ♪ = 450 (músicos vão entender). Mas as notas estão certas. Eu precisava é do gingado (imaginem, no piano, um gingado), da manha, por assim dizer. Minha vida se confunde com essas canções, o repertório já está escolhido, me falta tocar.
Eu preciso de motivação, mais do que eu já tenho, ou melhor: preciso me contentar.
"Feliz quem está contente com a sorte que tem, qualquer que seja e é amigo daquilo que tem."
O que eu vou dizer a respeito disso? Eu sei que me falta disciplina, foco, contentamento, gratidão. E daí? Ainda não sou amiga de mim mesma. E não tenho mais nada a dizer á respeito.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Os Fragmentos e meu Pai

Página em branco.
Cabeça vazia, ora vazia, ora cheia. Hora. Ela voa, a vida voa, a vida some, feito areia, escapa das mãos.
"I got things in my hands, I got my head in the sand... I got this feeling on my hands, just a thing you won't understand, look this ring on my middle finger - I want more, more of them."
A composição das linhas banais, linguagem pobre e rima tosca. Os olhos flamejados, as mesmas desculpas, uma dor estranha na cabeça. Sua péssima postura, sua gargalhada, você inteira, minha filha.
Eu tô cansada de escrever.
Que saber, eu vou levantar e me olhar no espelho, e decidir coisas como tratar todo mundo igual eu trato a mim mesma. Não é bacana? Vou espalhar ódio, ser esnobe, levantar meu nariz, tocar o foda-se, ser uma otária, uma absurdamente idiota. Mais do que eu já sou, do que esteja no lucro! Entende? Não. Ninguém nunca entende. Ninguém entenda nada, e não é só de mim não... Eu não me entendo. Ainda sou aquela que se pergunta "como posso ter tantas fotos no meu quarto, de mim mesma, e me detestar?" - Que tipo de egocêntrica é você?
Eu decidi pintar o cabelo. E sabe o que vão começar a falar? "AH, POXA, VOCÊ É TÃO DONA DE SI, VOCÊ SABE TANTO DO QUE FAZ E AGORA VAI DEIXAR SE LEVAR PELOS OUTROS? AH, QUE PENA!"
Sabe o que é isso? Coisa da minha cabeça.
O meu maldito inimigo interno tá dando risada disso que eu tô pensando. Ele se diverte quando projeta na minha cabeça, coisas como anteontem. Eu estava no escuro, derrubei tal coisa fingindo que havia algo lá, e por criancice, bati palmas, dei risadinhas, desafiei a ruindade pra que ela presenciasse o mesmo local que eu. E eu fui arrastada pela parede. E quando estive lúcida, meu coração estava na boca, e a mesma semi-aberta. Fora possuída, de novo.
Eu sou a pessoa mais ingrata, birrenta e egoísta do mundo (conte-nos uma novidade, Beatriz). Fui fazer algo lá embaixo e passei pelo espelho do banheiro, depois da descarga, e falei "eu não consigo nada que eu quero". Nossa, parabéns. Como você é ridícula... Meu Deus, você nunca tá satisfeita com nada, entende? Pára. Me deixa em paz, pelo amor de Deus. E faz alguma coisa.
Eu não te suporto. Eu não me suporto. Eu não comporto dois corpos. Eu não compreendo nada. Eu bato a perna feito louca, barata que corre pra lá e pra cá, tomando raid na cara e correndo.
Faz alguma coisa. Eu não aguento mais.
Aproveita que a merda não ta fedendo tanto, vai, larga a faculdade lá, os boletos. Vai fazer seu curso em paz, pinta essa merda de cabelo e faz tatuagem até no cú, mas esconde. Se adapta á essa merda de mundo, de sociedade. Caralho, o teu pai, o teu amor maior, o teu ídolo maior, a melhor pessoa da sua vida, a pessoa a qual sem, você não é nada, te disse:
"...os obstáculos tão aí pra serem superados. As regras estão aí pra serem quebradas! Imagina, se todo mundo fosse certinho, esse mundo seria uma bosta!"
E já não é, pai?
Em resumos, pra ele eu devo estudar. Só estudar, deixar a dívida correr e enquanto isso, rechear o currículo. Mesmo botando essas filosofia e essa banda como prioridade (põe a ironia em itálico), ele sabe e apoia os meus estudos. O estudo, em si.
Chega em casa e vai dormir. Como alguma coisa, sua maçã fuji, um chocolate, seu café, um leite, um chá, qualquer coisa, e vai dormir. Mulher nunca acorda de bom humor, e se você dorme mal e acorda mal, seu dia é um horror.
As noite são lindas, pai... Você não sabe.
Me desculpa quando eu disse que você era legal com todo mundo. Deixei sub-entendido que comigo, não. Mas pensa... Que dia eu chorei e você disse "vem aqui, deixa eu te abraçar"? Que dia?
Você vira pra mim e fala "ENGOLE ESSE CHORO, SEJA FORTE, NÃO CHORE POR NADA E NEM POR NINGUÉM, POIS NADA MERECE UMA ÚNICA LÁGRIMA SUA".
E pros outros, ele diz "chora... Pode chorar, eu tô aqui pra te consolar".
Caralho.
Essas coisas mexem comigo. Afeto.
Eu tenho que cuidar dos outros. A pessoa que parece, que mais gosta de mim, é quem tem perdas mais evidentes e sofridas. Pelo menos eu, me ponho no lugar dela e penso, "porra, os pais dele, velho..." - E eu dou, ainda que sem querer, uma segurança.
Eu tô ocupada demais tentando me esquecer dessa coisa que soa bobagenta. "Ah, pára de ser chorona, você implora carinho dos outros, nossa, você já devia ter se acostumado, todo mundo na sua família é frio." - Espera, essa última frase não tá muito certa. E é minha, não dos outros.
Olá, eu sou uma pessoa que vem de uma família onde ninguém sabe muito bem o que faz direito, onde todo mundo é acanhado pra dizer "eu te amo", onde não se valoriza festas, aniversários muito menos, só a merda da cerveja que vai beber nas datas. Venho de um lugar super crítico, onde nada é suficiente, onde você tem que ser independente em tudo, absolutamente tudo. Onde se acha feio falar palavrão, mas fala. Onde é só lembranças em fotos de quinze anos atrás, sorrisos em aparelho, pessoas no meu sofá, canecas de cerveja e moletons cinzas com brasão do Corinthians na parede.
Onde nasceu essa desgraçada, curiosa de tudo, preguiçosa que dá o braço a torcer toda vez que algo fica difícil. Nasci, entendendo a frase "depois que a Beatriz nasceu eu parei com aquela vida de bar toda noite, de cantar no karaokê e ganhar cerveja em troca de canções, e de jogar bola com a rapaziada antes de ir pra roda de samba" como "a minha vida divertida acabou depois que essa porra nasceu". Desculpa, eu não consigo entender de outro jeito.
Aonde estava meu pai então, nessa lembrança? Não culpe a minha infância... Eu não tenho lembrança que não seja pela foto da geladeira, d'ele brincando comigo, me levando pra algum lugar, eu não tenho absolutamente nada.
E eu escolhi ficar com ele e hoje eu digo categoricamente que eu não suporto ver a cara dele nos dias de semana.
Não é pra odiar uma praga dessas? Caralho, é angustiante ser esse tipo de pessoa.
Eu gasto meu tempo acreditando em besteiras tipo "eu sou virginiana com esse ascendente em leão", velho... Ainda que eu fosse de capricórnio, de câncer, do caralho que fosse, não interessa.
Eu não tenho tempo pra pensar como eu seria se eu tivesse outro corpo ou outra vida. Tenho que saber o que fazer comigo agora, dentro dessas circunstâncias aqui.
Sinto que estou repetindo coisas fazem uns meses. As mesma crônicas. Os mesmos problemas, a mesma raiva, a mesma paixão louca desenfreada, acreditando que "ele é diferente". Já é a terceira vez que você diz isso, cara.
É, eu tenho razão. Sempre é diferente. Mas eu me fodo sempre, isso é o que não muda. Porquê você não muda. Continua desleixada, hipócrita, confusa. Dá um tempo.
Você, eu tenho quase certeza que você se apaixona a torto e a direita porquê não tem mais o que fazer. Aliás, você tem um milhão de coisas pra fazer, mas prefere ficar jogada em qualquer canto, criando traça e teia de aranha na cabeça. Dorme demais, ou dorme errado, nem sei mais responder isso. Não come direito, engorda, emagrece, engorda, emagrece, mas não tá gorda e nem magra. Tá usando batonzinho, louca pra borrar a boca daquele filho da puta, que você fica xingando de graça, simplesmente porque ele é mais um que não quer absolutamente nada com você.
Filha, ás vezes nem é você. É a pessoa. Eles querem ficar em paz, de boas no canto deles. E sim, claro, existem outras mulheres, ué. Eles se apaixonam também. Não é assim? Tem gente apaixonada por você e você não quer nada com essas pessoas. E os que você gosta também não são obrigados a te corresponder. Não adianta você perguntar pro capeta, pra Deus, pra sua mãe, pro seu professor de filosofia ou pro seu melhor amigo, coisas do tipo "por que a gente não gosta de quem gosta da gente?" - Isso não tem resposta.
Vai pintar seu cabelo. Gasta essa porra desse dinheiro e esfrega na cara do seu pai com o que você gastou. É filhão, eu tô desempregada mas eu tenho que acompanhar quatro marmanjos por aí fazendo um som, tenho que arrumar um emprego, tirar xerox de livros importantes, e tudo se gasta. Até respirar é caro, nessa bosta.
Eu me perguntei, "como a gente ganha X mil reais por mês, só vivendo eu e você nessa porra, e tá nessa pendenga sempre?"
Mas meu pai, apesar de tudo que eu falo dele, ele é incrível. Ele não tem a mínima noção do quanto eu o amo e do quanto ele me influencia. Caralho, nem Sócrates, nem Clark Kent, nem Sêneca e nem ninguém... Mas Jorge Silva... Esse sim. Puta que pariu.
Ele me mostrou mais ou menos, tudo o que eu já sabia mas, como sempre né? A gente sabe das coisas mas quando alguém vem e fala pra você, você se toca. Finalmente eu consegui desengasgar daquele cururu gigantesco emperrado na garganta, e falei pra ele "É PORQUE EU NÃO SEI SE TRABALHO NUMA MERDA QUALQUER E PAGO A FACULDADE, OU SE PROSSIGO ESTUDANDO OS CURSINHOS DE GENTE NORMAL PRA ARRUMAR UM EMPREGO MENOS BOSTA. É ISSO".
E realmente, eu não sei.
Vai estudar, fia. É isso. Deixa a dívida rolar, seu nome vai pro spc mais dias, menos dias. Vão te negar emprego, com nome sujo? Mas eu preciso pagar a dívida, e não vão me deixar trabalhar, pra limpar o nome? O que? Nossa, bati a cabeça na parede e caí.
Eu já sei o que eu vou fazer. Calma, porra.
Respira. Eu já falei demais.
Eu só boto fé nisso aqui. E nas partituras que eu escrevo.
Na minha amada, amada, amada banda.
Nessa filosofia, abençoada.
No amor da minha vida, meu pai.
Minhas desculpas pelas repetições, lamentações, incoerência.
Eu devo desculpas á mim mesma.
Eu devo é mais ação também mas... Braços cruzados pelo menos essa segunda, não.