quinta-feira, 14 de maio de 2015

Beatriciando

Acho a minha capacidade de me meter em roubadas, simplesmente incrível.
Tive a alma lavada com sangue e dor nos melhores sentidos das palavras, quando desabafei uma linha do tempo com a minha nova melhor amiga. Dá medo de proferir tais palavras, já tive melhores amigas e todas foram embora, todas se afastam e eu não quero perdê-la, não quero mais perder nada, mesmo que isso seja impossível. É só um desejo, assim como agora, eu desejo umas poucas coisas, tipo, continuar respirando, continuar sem fumar, continuar suportando dores e problemas que vem a tona todos os dias, suportar essas paixões e vícios insuportáveis que só eu sei... Continuar.
Contei num rápido e trágico resumo, a minha vida a partir do segundo ano do ensino médio, aliás, este que quando entrei, fiz questão de largar a identidade de "moça estudiosa que tem tesão por quase todas as matérias" e virei uma qualquer, um peso morto que só esquentava cadeira, inicialmente fazia a galera rir mas depois, só ia pra dormir, rabiscar a contra capa das apostilas e olhar a maioria dos professores com certa repugnância e indiferença. Não me arrependo pois tenho certeza, ainda com tudo o que estudei, não aprendi nada que fosse me ajudar a ter um bom desempenho buscando bolsas integrais ou parciais na faculdade. Nosso sistema deturpa violentamente todos os jovens: nos metem numa escola com cartilhas inúteis, isso quando não nos submetem a pessoas incompetentes que, ganhando a patente de professor, estraga a qualidade de um todo. É muito fácil falar que professores passam batidos em peneiras de licenciatura, provas do estado etc. mas, quem hoje estaria disposto a estar a frente de quarenta ou sessenta filhos da puta que não estão afim de estudar? Que são peso morto, vão á escola pra dormir ou fazer a galera rir? Pois bem, eu me meti numa grande roubada e ainda vou beber do meu próprio veneno.
Não só as cartilhas e os professores (minoria incompetentes), ainda temos as tesouras mentais que, nos obrigam a seguir uma tal norma de abnt (eu não faço ideia do que isso significa até hoje), a mesma que me fodeu dois anos atrás na redação do enem. Eu posso ter ido muito mal, mais além do fato de que 2013 foi o pior ano da minha vida até agora... Eu também não tenho uma letra legível e eu senti os reflexos dessa coisa ontem, numa prova de história da filosofia. E eu também não sou nada formal. Não sei usar vírgulas, então jogo-as como se salpicasse orégano na macarronada. Eu sou um pouco italiana, tenho sangue quente e faço macarronada aos domingos, falo alto demais e me dou de falsa paulista do Bixiga que diz "porra, meu", com mão de coxinha. Eu sou informal... Eu sou essa coisa de cabelo azul transitando pela Mooca à noite mas, eu tô extremamente fadigada de associar meu rosto nas coisas. Tô cansada de ficar explicando pra minha família e pra todo mundo que me pergunta o que eu quero da vida. É um pecado hoje, na época da ansiedade sem controle e dos cigarros um atrás do outro, que você não saiba responder esse tipo de pergunta.
Até um tempo atrás, pouco até, eu sabia visar um futuro. Depois de formada no meu técnico inútil e no médio tedioso que só me serviu pra dar entrada na faculdade, me vi sem perspectivas. Tá, você quer cantar, e daí? Não existe espaço pra você em nenhuma vaga, em nenhum bar, nenhum programa idiota de tv. E todos insistem em me dizer o que é melhor pra mim. E eu também estou cansada disso.
Me sinto de certa forma em pânico. Quando você se entrega a revelia ao seu futuro incerto e já não sabe de nada, e no fundo também não quer saber. Ao notas que tive sempre dentro de mim, duas pessoas completamente diferentes, ao passar dos anos (que parecem sempre cinco ou seis, eu nunca tenho estimativa correta) elas estão cada vez mais furiosas uma com a outra e, a inércia vem como resposta de uma extremidade insana. Ou se mata ou fica quieta: praticamente refém de alguma delas.
O meu melhor quer se manifestar mas se prende á tantos fracassos e críticas desconcertantes que não se lembra mais como se reage. Estar revoltada não é mais um status, e sim uma condição a qual me aprisionei e não sei como sair.
Na aula de introdução a filosofia, nosso professor citou por meio de um texto de Alain Badiou, os princípios dos pobres coitados que decidem fazer filosofia, igual a trouxa aqui. Eu me lembro de ficar petrificada, como realmente estou por dentro, a respeito de dois desses princípios: primeiro, a revolta, meio óbvia pra mim e todo mundo que me conhece; e depois a exigência de coerência nas informações, o que consiste não só em escrever, refletir o observar tais coisas mas, também no diálogo e coesão nas informações que você quer passar. E sabe o que me deixou mais tranquila (ou mais ridiculamente em pânico, não sei dizer)? A Apologia de Sócrates e A República. Esses diálogos platônicos (god save the plato) sobre Sócrates me deixaram ou mais endeusada ou ele me soou mais humano. Vê? Há sempre isso de "ou". As duas pessoas gritam e eu preciso acatar ambas decisões, se não o caos vem a tona. Eu sei que o que acabei de dizer é mentira, pois não é caos: é mudança. Necessita-se de coragem pra mudar e eu ainda não a tenho. Enfim, Sócrates sente medo! Quando se vê atacado por Trassímeco, pela postura de bom moço enjoadinho, se vê assustado e aquilo mexeu comigo de certa forma. O meu Jesus Cristo, o meu Super Homem, é o Sócrates. E é normal que todos nós busquemos algo de humano nos heróis, assim como os deuses buscam algo de heroico em nós, meros humanos. É isso que nos aproxima dos deuses... A sabedoria e o heroísmo. E ser herói parece fácil hoje em dia, ao meu parecer de que, basta você levantar alguém que tropeçou ou ajudar o cachorrinho com uma pata quebrada. Porra, eu vejo isso como obrigação, pra ser mais exata e delicada, vejo que é o caminho natural do homem bom. É como respirar, fazer o bem ao próximo deve ser como piscar os olhos. Esperem só, logo menos, respirar também será um ato de heroísmo.
De certa forma já é, para os inertes como eu que fazem uma força absurdamente ridícula pra sair da cama.
"O esforço de certos homens para alcançar a fama, eu faço diariamente para sair da cama."
Me diz, quem foi que escreveu isso?
Meu Deus, vocês não imaginam qual é a noção disso? Não, vocês não imaginam pois estão ocupados demais com seus telefones, suas dívidas, suas paixões, seus vícios. E eu assumo que me mantenho ocupada com tudo isso, por fuga e covardia. É claro que você não sabe resolver seus problemas, não aguenta ficar uma hora que seja sem fones de ouvido ou no pleno silêncio. Abre toda hora quando possível, independente do que estiver fazendo, o porcaria da sua rede social pra ver se alguém implora pela sua atenção, ou se algo lá pode mudar a sua vida medíocre, o que você sabe que não vai acontecer - mas ainda assim, insiste. Você quer contar a mesma história da sua merda de vida pra todo mundo que você conhece, duas ou três vezes, pra sentirem pena de você. Você não suporta seu irmão, lá por dentro, pois está começando a se incrustar nessa inveja... Coisa de gente fraca e extremamente medíocre. E tá se achando agora por escrever tudo isso, também assumindo que essa porrada de ignorância não é coisa pra se bater no peito. E também não sabe quem é que está falando: se é a vagabunda inerte e escrava das fraquezas, ou se é a senhorita bom senso que te exige disciplina pra ser uma verdadeira filósofa e não só mais uma cronista revoltada com a vida que tem ao dezoito anos.
Olha só. Eu parei de fumar e estou contente com isso. Eu me livrei do maldito fantasma no ônibus do 075 e, chega, eu realmente cansei das minhas picuinhas sobre o arrastar do cadáver do Guilherme. Obrigada, por tudo o que você me fez e ensinou. Estou em paz com o Victor e obviamente eu estou totalmente insatisfeita por estar apaixonada de novo, por outro cara que... Nossa, nem vale a pena, nada, nem comentar, porquê eu já escrevi e ele certamente lê ou sabe de tudo isso. Chega de ficar bufando, reclamando, mas também não quero fingir de que está tudo bem e, a medida que o tempo vai passando, das duas uma (de novo): ou eu só estou reconhecendo o quão ignorante eu sempre fui, ou estou me deixando levar pelos kuravas de uma vez só. Eu jamais me pegaria algum momento como antes, dizendo esse tipo de coisa que eu acabei de falar no parágrafo anterior. O que tá acontecendo comigo? Minha vida parou no momento que eu estava tomando banho e quando fechei os olhos, tudo ficou em branco. Não haviam sonhos, planos, vontades, motivações, nada! E foi o que eu disse entre soluços involuntários de choro, "eu não consigo ver mais nada".
Eu deixei me levar pelo rombo que restou de uma relação superficial de quatro meses misturada á uma mente fraca, nascida de ilusões. Quando eu era pequena, achava que papai noel existia, que a fada dos dentes me deixava cinco reais por cada um que caía, que a família devia apoiar integralmente á todas as minhas boas atitudes e que os natais e páscoas eram feitos pra se sentar a mesa e conversar bastante. Eu jamais tive isso, sem excessos de maquiagem. Vivi a vida toda em meio de estranhos, ninguém conhecia ninguém, tampouco toleravam... Algo que me fez desacreditar ou desconhecer o significado da palavra "família". Em seguida, cresceram-me asas e chifres, escamas e pelos... Não sei o que me tornei, mas morri diversas vezes e, numa dessas mortes, repousei. As mortes implicaram ainda na insistência de achar uma merda de significado pra palavra, em outros vícios e o assumir desses vícios sem mera consciência. Joguei muita coisa fora, engoli muito sapo e vomitei todo meu orgulho, sem muito sucesso, claro! Pessoas que falam excessivamente a verdade só se fodem. E eu morri. Sinto como se agora e nesses últimos meses, estivesse vivendo num umbral, um purgatório. Na Terra.
A concepção de céu e inferno das pessoas se constrói mais ou menos nessa base inconsciente: o céu é lá em cima, o purgatório na Terra e o inferno, lá em embaixo em alguma dimensão. Além de tolos, egoístas... Dimensão, velho... Quem somos nós pra falar de dimensão? Nós que somos míseros pontos abandonados numa imensidão universal, que chega a arrepiar de tão fascinante. E eu tematizo tanto sobre esse céu e inferno na terra, os anjos e principalmente meus amados demônios convivendo conosco... Concateno histórias loucas, quase infantis ás vezes mas sobretudo humanas. Essa sou eu, viciada na história cristã, amante dos demônios pela revolta cristã, falando "vai com Deus" em cada despedida, viciada, viciada. Humana endemoniada? Não, meu corpo é forte demais pra isso. Mas diria, blindado: o que está não sai e o que não tem, não entra. Viciada.
Não preciso repetir, vocês sabem o que me bloqueiam... O olhar daquele cara e o sorriso dele, as idiotices dele, e ainda pior, a virilidade masculina. Inconscientemente invejada. Quem é que não sabe que a Beatriz que ter nascido homem? Vê-se fácil, percebe-se. E os deuses interviram, "você vai nascer mulher pra poder sofrer como mulher os amores não correspondidos, se fazer de coitadinha, de vítima, trabalhar mais tranquila de esforços físicos, sem prestar militância, menstruar e ter cólicas devastadoras, e eu quero ver anexar essa aparência de menino que você quer sem interferir nos relacionamentos interpessoais". Obrigada, deuses. Se eu fosse um homem, seria uma bichinha inútil, igual algumas que conheci. Juro que sim.
Sabe qual é a dúvida que mais me mata? É a de que tudo isso que eu penso sobre mim mesma é coisa da minha cabeça, se é realmente verdade, se foram os outros quem implantaram... Caralho, eu não sou só um rg escrito e assinado como b³, não sou a foto, não sou o cabelo, não sou o corpo, caralho eu não sou nada disso! Me desvinculem, por favor, eu imploro. Eu quero ficar em paz comigo mesma. Na verdade é realmente tudo culpa minha... Se eu não ligasse tanto pro que as pessoas me dizem, o que elas me disseram, no que elas fizeram pra mim, eu não seria assim. Mas me vem a segunda dúvida mortal, de que se realmente eu não tivesse adentrado a filosofia de cabeça, o que é que eu seria hoje?! Eu simplesmente não consigo imaginar, assim como não viso planos pro futuro, também não vou pra frente, olhando pra tudo o que drasticamente mudou em mim , o que chega a ser assustador. Mas não é só isso. Nunca é só isso, assim como eu não sou só isso. Eu quero gritar... Sinto-me impotente pra uma série de coisas enquanto babacas ignorantes convictos tomam o meu lugar no mundo. Eu não quero ter que concretizar a minha crença de que só serei reconhecida depois que morrer... Sentir forte essa e muitas coisas dentro de mim me deixa assustada. Eu sabia de que herdaria da minha mãe, um certo temor sobre a morte de alguém próximo, e não que iria prever o meu próprio futuro insano. Eu vou morrer nova e me tornarei um ícone inovador - será isso mera pretensão de uma adolescente fracassada e pessimista, ou um sexto ou sétimo sentido imbecil que as mulheres tem?
Sou uma ignorante fascinante, sim, brilhante até. Faço parte de mais um elo de pessoas que vai, daqui cinquenta anos ou mais, salvar, confortar ou inspirar os mesmos adolescentes desse futuro deturpado de cartilhas inúteis e professores incompetentes. Lógica sem compreensão, português sem palavras, matemáticas sem números e filosofia sem vida. Em breve. E lá estará você, com seus fones de ouvido, lendo um livro de bolso com as minhas melhores crônicas, rindo e chorando ao mesmo tempo, pensando "essa menina é louca..." assim como um dia eu fiz. E eu te desafio, a fazer a sua própria filosofia... Não se beatricie, pelo amor de Deus, isso é perigoso. Olhe pra você e todo o seu conteúdo.
Todos temos algo a oferecer, nem melhor ou pior do que ninguém, apenas único. Mas há coragem... Ou a espera de que as coisas se resolvam por si só, que você morra e descubram seus manuscritos na gaveta, coisa que você e eu temos vergonha de expor, ainda que as músicas de repetidas palavras e temas estejam em alta. Seja. Sei lá, é só isso que eu tenho pra oferecer.

domingo, 10 de maio de 2015

Aquilo que eu chamo de Ódio

E obviamente, não é. Sabe o que é passar duas semanas inteiras sem vê-lo, tramar picuinhas, sair com outros caras, conhecer casas e corpos diferentes, realçar relações antigas que estão super afim de se concretizar, e aí depois de uma puta esnobação, lá vem ele. Aqueles olhos verdes descompromissados dos meus, se escondendo atrás dos óculos ray-ban exatamente iguais aos meus. Aquela barba serrada, gostosa, o bigode que dá voltinhas, as bochechas que me dão vontade de espremer a cara dele, aquela boca que há tempos eu tô afim de experimentar. Puta que pariu, eu fiquei com falta de ar! Estupido ou insano, chama do que você quiser mas, é foda essa maneira que você mexe comigo sem perceber. Ou pelo menos se você sabe, seu filho da puta, vê se manera... Eu sou mais nova que você mas sei de muito mais coisas do que eu deveria. Pode ser não mais do que você, mas sei, de muita coisa.
Tu me ignora, pede favores e some, mal fala comigo durante a semana e vem, todo cortês, uma delícia. Os olhares perdidos que ás vezes se encontram, e nessas vezes se soltam em sorrisos, e o seu sorriso... Cara. Eu nem sei o que dizer. Aí eu fico quieta, suspirando igual uma asmática sem bombinha, e fico louca de ciúme com as merda que tu fala.
Quem são essas que tão loucas pra dar pra você? Quem são essas aí? Sério?! Me poupa! Eu já te pedi e vou repetir, só pra garantir: Não me faz passar raiva nesse dia. Rapaz, te juro, eu não tô preparada pra te ver atracar com outra mulher que não seja eu.
É um inferno, ficar longe, até que eu consigo me distrair com outras pessoas, outros caras e outros rolês. Mas vai lá, a trouxa deitar antes de dormir, coloca as benditas músicas pra tocar - principalmente aquela que diz exatamente o que eu queria esfregar na tua cara: Não se preocupe, viva até morrer enquanto eu quero me afogar sem um limite nos braços de alguém. Não há nada a dizer do que eu já não saiba, então viva até morrer.
Pior é que não passa. Eu finjo que esqueço, procuro evitar mas tá sempre lá. Eu vejo esse infeliz e ficou louca! Louca de qualquer coisa, admiração, tesão, o caralho a quatro e, sei lá. Ele também finge que não vê. Mas agora aprendeu a jogar, claro, está à aproximadamente cinco ou seis casas a minha frente e usa das coisinhas que aprendeu. Tá procurando as amigas bonitas dos nossos amigos? Tá lamentando que não deu o esquema com uma ou outra? FODA-SE! Eu tô é rindo da sua cara, eu tô me rasgando por dentro, eu tô com as bochechas vermelhas e sangue nos olhos. Eu estou com ciúmes, morta, azul de ciúmes.
Quem deve estar rindo da minha cara é você também, né?
Deve estar surpreso, pelo menos ciente eu sempre te deixarei. Já que eu não tenho coragem o suficiente pra meter um beijo nessa sua boca, eu jogo umas verdades pela porta do metrô enquanto eu saio; eu peço pra você parar de cantar porquê eu sou apaixonada pela sua voz, e pelas coisas que você diz pra me fazer rir. E eu rio. De você. E você ri de mim. Não tem nada de engraçado nessa porra.
O meu jeito é explosivo, mas eu não me perdoo se levantar a voz pra você, te tratar mal ou com ignorância. Te xingar é passatempo. Eu puxo as tuas orelhas porquê eu quero o teu bem. Eu gosto de você de verdade, mas bendita a hora que eu te adicionei, pensando "olha, um vizinho cosplay de Joshua Homme". Bendita a hora que você conheceu a pessoa mais fácil de se apaixonar do universo. Meu Deus, por que eu não fico em paz? Eu tava de boa até te ver, ver esse palhaço, gorducho, dos olhos mais lindos do mundo. O mais carismático e inteligente dos meus colegas, que agora é amigo e parceiro de banda, um aluno, minha sacola plástica na cabeça, minha corda no pescoço, meu desassossego.
Eu tenho medo. Acho que você também tem. Quem não teria medo dessa doida do cabelo azul armado, de olhos intimidadores, palavreado vulgar e punhos semi-serrados? Eu tenho medo de tudo isso, sei lá, mais um "não" na minha coleção seria chato. A estante tá pesado e logo mais vai cair de tanto peso. De tanto não. Mas eu não desisto, pareço que gosto de me foder. E lá vou eu, insistindo, cercando, tendo ciúme, perguntando "como foi seu dia?" e arrumando assunto de não sei aonde. Falei do cachorro da minha prima, das crises de riso, sei lá, eu nem me lembro mais. Mas eu tento, tento e tento.
Ás vezes eu quero te mandar pra lá de São Francisco Xavier, só pra ter certeza que eu iria te buscar. Mas eu iria te buscar até na puta que pariu, eu iria. Eu tenho medo de me apaixonar, porra. Mas já foi. Eu planejei seu presente de aniversário, eu fui falar com você, pela primeira vez, já com terceiras intenções mas, eu vi que tu era diferente. Diferente até demais, mas tão diferente que eu não faço ideia do que fazer com você, além de te mandar ás vezes pra puta que pariu. Além de puxar sua orelha, além de te xingar, além de te elogiar, de te ouvir cantar, de te observar enquanto você olha vagamente pro nada ou fecha os olhos enquanto toca. Além. Você está além do meu entendimento, da minha vivência, tu é diferente e eu não sei. E daquilo que desconheço, geralmente tenho medo.
E eu tenho medo do que vai acontecer mais pra frente. Mas eu sou louca, é, essa doida de cabelo azul. Eu não desisto até chegar num ponto final de qualquer coisa, seja um poema que eu fiz pra você uns quinze dias atrás ou essa coisa que eu sinto quando eu te vejo.
Tenho medo e aí eu digo que tá cedo. É lógico... Me deixa, por favor, te conhecer.
Essas terceiras intenções, a gente deixa pr'outro dia. Enquanto isso a gente sai, vai tomar um café ou uma breja, fuma uns cigarros (mesmo eu tentando parar) e eu fico olhando, ou tentando olhar nesses olhos verdes. A gente gasta o tempo, gasta dinheiro, gasta a boca, seja pra falar, pra beijar, pra sorrir que, é o melhor que você sabe fazer... Eu gasto mais fichas nesses jogos de azar viciosos que são minhas paixões. E a gente segue do jeito que dá, quando der, quando for pra ser. Não é mais um... Você não é mais um. E já que não é, que seja diferente. Sabe, foda-se se eu estiver enganada pela milésima quarta vez... A gente sempre tá errando e dessa vez eu quero errar (ou não) com você.
Tá cedo? Não. Eu tenho medo de me apaixonar, leão... Já é tarde demais. Não me rouba mais o ar, não. Brinca direito comigo, leva embora o que restou do meu coração mas cuida direitinho, que eu quero cuidar de você também. Se você tem medo, não vai ter mais.
Já foi. Já era. Bendito dia que te conheci. Bendita hora que você conheceu a doida que tá se rasgando de felicidade por saber que influenciou em alguma coisa na tua vida. Leão...
Porra, Leão. Ás vezes sinto um ódio de você, puta que pariu.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Duas Semanas de Abril

Eu não sei como começar esse texto. Digeri tanta coisa essa semana e no pleno dia da mentira me aconteceu a melhor coisa possível. E dizer "andei pensando" é idiotice. Eu penso demais, vocês já sabem, eu amo demais, você também sabem, e suspeitam que, as ironias da vida vivem me perseguindo. Se não sabem, podem acreditar nisso agora.
São tantos tópicos! Provavelmente vou acabar esquecendo de algo, não que isso não tenha importante mas, é que meu coração já não cabe dentro de mim. E eu vou levar um mês todo pra poder acreditar em tudo o que estou sentindo, em tudo que escrevi até agora e em tudo o que tenho visto até hoje. Porra, tem gente demais achando que pode opinar sobre alguém que não conhece, me chamando de louca ou de qualquer coisa depreciativa (incitando que eu mesma me deprecio. vai entender...) por eu enxergar o bom em alguém que todo mundo detesta. Tem gente demais achando que pode me defender de mim mesma. Acham que podem me salvar, dos meus pensamentos, do que eu sinto, falando que não é amor pelo próximo e sim, falta do mesmo, á mim mesma. Todo mundo acha muita coisa, por isso, cada vez mais eu vou contando menos da minha vida pra alguém, não tem como. Só uma pessoa, aparentemente me entende, e isso porque, simplesmente ela vive o mesmo.
Engraçado, ou não, é que essas pessoas que tem forte ligação comigo, me deixam tão vidradas numa coisa que, consiste em levá-las comigo pra tentar achar a verdade, no meu caso, a felicidade. Pra mim é tudo a mesma coisa, aliás, a gente só pode ser feliz através da verdade e, eu tô falando isso com um certo pesar... Não é fácil, não seguir massa, ter que ouvir algumas coisas e ainda se saber que a culpa é minha. Claro, eu, eu e eu, tudo é eu. Claro, a vida é minha e eu que escolhi essa palhaçada toda.
Quando meu professor diz que a verdade é o que nos leva a felicidade, eu sou aquela bobona que consente com um brilho nos olhos como se fosse criança. Mas quando eu estou num péssimo momento, tipo agora, morrendo de raiva de mim e de tudo, é quase impossível dizer isso á mim mesma. Já disse, eu faço convites ás pessoas para a filosofia com um certo pesar... Filosofia é perigoso pra quem é fraco igual eu, pra quem se entrega á qualquer coisa sem pensar, pra quem não cuida mais de si. Minha visão é de que, é como um dente de leite que fica preso por uma só parte de raiz, mas tá muito perto de cair. Só que dói pra caralho, puxar ele da gengiva, e eu estou relutante quanto á essa dor.
A dor vem de todos os lugares mas, o triunfar sob ou sobre ela é prazeroso. Eu encontro muito prazer na dor e isso também não é novidade, mas comparar ingenuamente ao primeiro pensamento filosófico de que tudo vem da água, e lembrar dos apelos líquidos em meio á sala de aula, é incrível. Será que Tales de Mileto chorava tanto, bebia litros de café e cerveja, e tomava banhos longos e melancólicos  como eu? Acredito piamente que não, mas com certeza, se Nietzsche estiver certo, eu, ele e Tales pensamos em algo único, que se resuma, defina e consolida-se em unidade, una. E o que tem a ver a sua dor com o Tales e o Nietzsche, Bia? Pois bem, identifiquei os apelos líquidos do qual tanto falo por aqui, com as aulas de filosofia na faculdade. E triunfei pois, apesar de estar tudo uma merda, é ótimo quando sei que por algum motivo eu estou no caminho certo. O problema é esse dente maldito  que não quer cair e eu tô com medo de puxar, porque dói. E nisso eu fico, desde á "chorando no travesseiro até dormir" ou pior, apelando pros amigos mais próximos e mais inteligentes, aparentemente, que vão saber responder "o que é que eu faço da minha vida".
Se tem uma pessoa que é auto-depreciativa e auto-crítica, sem dúvidas, sou eu. Mas sou, num certo tipo saudável da coisa... Não adianta nada você falar mal de si mesma, reconhecendo aquele tal erro ou mal hábito e depois não se decidir se quer mudar ou continuar assim. Reconhecer é a melhor parte, a mais importante e que ninguém faz, maioria pelo menos. E quer saber? Eu tô cansada, de falar e não fazer nada. Eu vivo me repetindo que é melhor se arrepender por algo que se fez, do que não fazer e perder aquela oportunidade. Foda-se a porra da minha ansiedade! Eu quero me manter ocupada, feito uma louca, correndo de São Paulo pra Guarulhos e Arujá, levando e trazendo coisas, me ocupando, lendo e chapando de balinha pra estudar. Foda-se... Já tá tudo uma merda mesmo, e eu fico perdendo a merda do meu tempo, PRECIOSO tempo, tentando arrumar emprego e pagar a faculdade, já sabendo que a primeira coisa que eu vou fazer com o meu salário é tirar a habilitação pra moto, comprar um sintetizador pro meu teclado, alugar uma casa com a minha mãe, e foda-se a porra da faculdade! Sabe, a dívida tá batendo os 7 mil e pouco, deixa lá... Ninguém veio atrás de mim até agora, deixa. Eu não morri ainda, eu quero fazer coisas boas nessa porcaria de tempo, eu não quero dormir, quero gastar minha energia enlouquecendo na sabedoria... Eu tenho fome e sede de filosofar, de ler, e compreender enfim essa merda toda.
Sêneca que me abençoe, Satã que se prepare, pois falta muito pouco pra eu enlouquecer e simplesmente arrancar o dente com a mão, sem xilocaína. Dane-se. Eu sempre fui o tipo de pessoa que busca contrariar, esmurrar faca, levantar os dedos do meio pro ar e gritar, encher a cara no sábado a noite pra estar pontualmente no meu compromisso de domingo de manhã, seja lá qual for ele. Não me interessa... Chorar pela dívida não vai aniquilá-la, o emprego, sei lá, enquanto eu não terminar esse lixo de curso, não vai rolar, e talvez até, enquanto eu não sair da faculdade á noite. Se já tá ruim assim, o que custa piorar? Nadinha. É sempre assim, se viver já é difícil, que seja pra ser difícil, vivendo na verdade, ao menos. Isso é ser justo consigo, sei lá, é melhor.
E a verdade é que, ás vezes, pateticamente eu fico triste por ver as coisas rodando, tendo progresso, sem mim. Eu não fui convidada, não participo, não pertenço, e me desprendo cada vez mais de rótulos e, assumindo a vontade de querer me especializar no ser. Expliquei á uma colega de classe que, seria estranho no mínimo, falar pras pessoas que, não interessa o meu nome, meu sexo, minha preferência sexual, meu estado civil ou o nível de escolaridade, a cor do meu cabelo, sei lá! Não interessa. Interessa o que eu sou, o muito mais além dessa coisa toda. Cética? Não. Sou filósofa acropolitana, cronista, cantora, admiradora da artes desconhecida, dos demônios clássicos (só a galerinha do Baphomet, Mefistófeles e Samael), e eu sou complicada, sou louca SIM. E sou diferente da média. Devo ter asas ou chifres mas ainda não os vi, quem me vê passando deve notar, se espetar com os chifres ou coçar o nariz com as cócegas que minhas asas fazem.
Infelizmente não posso dizer ainda que sou alguém de atitude. Eu tenho é a língua solta e sem dúvidas isso é um problema. Mas, me diz o que não é problema na minha vida? É aonde quero chegar. Eu reconheço milhões de defeitos, e parte deles eu mantenho, parte deles eu luto todos os dias pra modificar, pra melhor, por mim. Deixo a tempestade de melancolia e drama excessivo passar, de ficar chorando pelo cara que nem sabe que eu existo, pelo pai que não me entende e não me apoia, pela mãe que não pode me dar suporte pois ela não tem estabilidade emocional, pela família enfim, desestruturada, pela falta de amigos pra se chamar de irmão, pra sair e tirar fotos patéticas, pelo fato de nunca ter vivido um relacionamento com alianças e fotos, pra se exibir pra todo mundo com alguma coisa socialmente desejável, ufa! É isso. Vou até grifar, porque nunca fui tão direta na minha vida.
Eu já excluí as culpas, agora é parar de ficar rolando e chorando em cima de um sofrimento que você sabe como resolver. As benditas dívidas, e tudo mais o que tiver, a família, o cara, os "amigos", deixa pra lá. É a minha cruz, porque eu quero carregar, tipo, dava muito bem pra largar essa porra toda no chão e chutar, caminhas sem peso nas costas e ir embora. Mas dói, tipo o dente. E sabe o que me fez refletir pra valer sobre isso? Meu celular, que tomou chuva. Eu gastei 1h tentando instalar um emulador pro whatsapp no computador e quase explodi de raiva. Foi aí que eu vi o quanto eu tava louca pois, não é a primeira vez que eu choro de raiva, porque não conseguia acessar o facebook por conta dos desligamentos do computador. Sim, eu tô muito doente.
Aí vou me tratar. Vou pra rua, ficar no ambiente onde eu sei que vou me encontrar, relaxar, curtir de boa. Volto e perco o horário do ônibus, perco o outro show, ligo pro meu pai como uma boa filha pra dar satisfação. Brigo com ele, ele briga comigo e vem me buscar, pelo menos em silêncio. Aí passa o dia seguinte de boa, quieta, na rede, lendo o livro pra prova da segunda-feira pra matéria besta, fumando uns 5 cigarro pra digerir só o primeiro capítulo. Come chocolate cremoso, em barra e fica no computador tramando maldades com as únicas melhores amigas. E respiro fundo, depois de ter chorado, falado sozinha, mandando mensagem pro idiota, que nem tem culpa de nada... Tô aqui escolhendo minha vida, o rumo dela, enquanto ouço a nata do MPB underground.
Pronto, já falei o que me afligia.

domingo, 29 de março de 2015

Poema ao Leão

Admiro tanto a sua timidez
Passaria horas com o foco em você
Te ouvindo cantar mais de uma vez.

Talvez antes de dormir eu vá rezar
Pr'eu te esquecer e parar de te atazanar
Invés de enlouquecer e te beijar.

Na alma e no nome, um leão
Repetindo a melhor canção
Pra mim, nos lábios um "não".

E parece até loucura minha
Tão precoce e rotineira essa sina
Me apaixonar por quem não me dá a mínima.

Então é grande a ironia do destino
Me levar até você, me conduzindo
Sem ao menos saber onde estou indo.

Impossível não ver meu ciúme despontando
Lembrar e rir do que tu diz, quase chorando
E pior, assumir que me pego fantasiando.

Eu me derreto quando vejo ele sorrindo
Os olhos verdes, meu Deus, como são lindos
Até mais que os meus, não tô mentindo.

Já escrevi versinhos de quatro linhas
Falei algumas bobageiras em rimas
É mais ou menos o que sinto, com draminhas.

Ainda que eu não tenha noção
Não vou negar profunda aversão
Se te notar na minha contra-mão.

Não recebe as mensagens no celular
Se algo acontece eu não posso avisar
Tipo, se a Linha Amarela parar.

E eu fico louca quando ele fala inglês
Me mostra uma porção de coisas que não sei
Eu vivo uma paixão a la Stone Age.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Homens

Meu pior pesadelo se baseia em todos os homens pelo qual me apaixonei, me obrigando a assistir uns aos outros, com outras mulheres pra no final, o meu primeiro, me violentar.
Sinto um certo tipo de adoração, percebida só agora, com certo amadurecimento. Claro, dezoito anos, serviriam pra no mínimo, se resolver em alguma coisa e, eu me resolvi comigo mesma. Chega de canção ao ódio, chega de frescura, de tortura... Que seja pra sentir dor com um tapão na cara ou um aperto de mal jeito, de propósito. Algo que facilita muito e, secretamente todo mundo faz, essa de omitir coisas: ao invés de julgar meus próprios defeitos, prefiro enaltecer a qualidade de terceiros. Os homens... Ah, os homens.
Estamos numa era arriscada onde, falar qualquer coisa vinculada á um sexo, ou até mesmo ao próprio sexo como ato sexual, é como cuspir na cara de Jesus Cristo. Hoje, todo mundo se dói por nada. Acredito piamente que seja falta de arranhões, chupões e metidas bem dadas. Pode pensar o que você quiser, falar o que quiser... Mas o vitimismo é moda, é doentio e sim, é muito chato.
E nessa linha tênue onde "eu posso falar o que eu quiser" versus "eu vou falar o que você quer ouvir", decidi dissertar sobre algumas observações, muito próximas que ficaram guardadas há alguma tempo.
Só de pensar, é algo que me dá arrepios: os jeitos específicos. Cada um tão peculiar, porém tão singular da masculinidade. Sabe? As veias pulsantes dos braços e pescoço. Curvas bem mais singelas, uma rodovia de fins para o prazer. Os pelos, os olhos, o próprio olhar... A BARBA. Ah, não, como posso citar a melhor de todas as qualidades, tão cedo... Pois é, eu não resisto. Eu não resisto á barbas, e nem á homens.
Ainda mais difícil quando a lembrança, do hálito quente contornando seu pescoço com desobediência te quebra as pernas... Falando baixinho "eu não vou calar a boca" pra debochar das tuas ordens, contra as besteiras engraçadas que dizem. Essas infantilidades, essas bobagens, tão divertidas... Nem precisa ser muito elaborado. Inventa na hora e me faz rir com uma facilidade absurda, do tipo que enrola pra me beijar por vergonha, ainda quando já se tem tudo de bandeja: minha boca, meu corpo, minha atenção, mas não. Vai teimar de inventar distração, vem me falar dos guardas da marrom que atrapalham os beijos. E me beija... E me aperta, mal posicionado no banco de uma praça que eu nunca vi, só descobri ali, no dia, antes de vê-lo e já planejei: é aqui.
E quando me lembro do carro? Dos carros... Sim. Dentro, fora, dentro e fora, não me interessa. Levando os mais novos a pecaminar na rua e os mais velhos a correrem riscos. Mete a mina pra dentro do seu carro, mete a cara na janela pra ver se não tem ninguém e o resto a gente já sabe. Os nomes que a gente não esquece, situações que afloram imaginação e pele, algumas noites antes de dormir. Me incomoda, as malditas alianças, que eu nunca vi, nenhum deles, tirar, pra me beijar.
Eu é quem cansei disso. Um disse que, não poderia encontrar mulher mais louca que eu. Outro, não disse nada, só chama meu nome, pro vácuo, sem porquê. Deve ser pra ver se eu ainda existo, se eu ainda me importo. Pois bem, se você tá lendo, eu não sei te responder mas, te juro que não é mais nada do jeito que era, uns dois meses atrás.
E é ótimo que esse tempo passe. Tantos homens, tantos ônibus, tantas viagens, tantos lugares, salas, de aula e de espera, tantos olhares... Nenhum telefone, nenhum sorriso. Somente o apreciar, mais-que silencioso. Das veias, os pelos, as mãos, os dedos, longos... Os comportamentos. Isso que eu acho mais interessante. Dos que correspondem, dos que nem sabem que eu existo e pior, dos que nem suspeitam o quanto eu os como com os olhos.
Talvez o problema fosse esse: botar a culpa em coisas, ficar choramingando, dando desculpas, sobre tudo isso. O fato é, que nessa resolução comigo mesma, eu aboli as culpas, parei de chorar e de dar desculpas. Primeiro que o que é feito por mim, só diz respeito a mim mesma. Outra que, se eu tô fazendo, ainda que eu não saiba a consequência daquilo, eu tenho que assumir a bronca, seja lá o que porra acontecer. E os outros? Meus terceiros? Eles fazem o que quiser.
Aprendi como se joga, o que ouvi todo mundo falar que era um jogo. Onde regras eram ditadas e seguidas á risca mas, eu como sempre, fazia questão de mandar tudo pelos ares. Sei lá, nunca achei que isso podia ser tratado dessa maneira. A atração não é posse, a paixão também não e o amor, menos ainda. E todos diziam "dá gelo", "ignora", "não se importe demais", "pisa, que ele gosta". Pois bem, nunca fui adepta disso. Quando eu ignoro, é porquê não há motivos pra olhar na cara do sujeito. Assim como eu dou gelo por estar farta de receber a mesma falta de atenção, assim como finalmente eu não me importo com determinado tipinho de pessoa que nunca, sequer jamais, notou a minha existência além de uma vagina descartável, que nunca notou um pingo que fosse, dos meus sentimentos. Artificialismo, é do que são feita as máscaras, e elas se diluem, em todo e qualquer apelo líquido, de preferência em ácido sulfúrico.
Aprendi como se joga. E ainda não jogo, pois pra mim não é um jogo. Sabe quando você tem que entreter uma criança e ela vem um monte de pecinhas, algo sem nexo, mas bate o pé te dizendo que é um jogo? É isso: infantilidade e falta verdade. Um conto de fadas muito forçado pra mim, que sempre bati no peito pra falar "eu sou a rainha da sinceridade", ainda que não quisesse por um tempo ser assim. Mas hoje aceitei, aceito, aliás. E faço qualquer um aceitar também. É ótimo ver meus amigos pois, os que são, realmente, já sabem como sou.
Pior é dar as deixas, o responder muito pra pouca pergunta, tipo quando me perguntam se gosto de homens mais velhos. Ah, logo ele de vinte veio falar desse tipo de coisa comigo? Nem parece, os vinte, nem parece aquela voz, aquela barba, a tatuagem, não parece nada. Essas conclusões precipitadas me fodem, e arriscam o "deixar de me foder". Foda-se a vulgaridade, o meu falar demais me irrita. E se há propaganda enganosa? Por quê você mesmo não confere?
Seria ótimo, classificar, o seu jeito de apoiar os joelhos nas minhas coxas, pra mantes minhas pernas abertas sob seu peso, ou o modo que faz peripécias de jogar pernas pro ar, segurar ali e aqui. O modo que me abraça, que amarra seu cheiro em mim e rouba, beijos, gemidos, aromas e afetos instantâneos, involuntários, logo que sinto que há uma ligeira entrega, poderia ousar até em dizer "comprometimento". Palavra forte, não é?
 Outra coisa que também aprendi ou compreendi, ou aceitei recentemente, foi sobre rótulos. Não é um título que te dá as qualidades de tal coisa, são suas ações. Parece óbvio, mas eu não posso me culpar por ser amante, se nunca consumei tais atos. E claro, eu posso muito bem me arrepender. Não gosto do que fiz, de pensar no que fiz e em novas possibilidades de repetição. O segundo lugar não me cabe, porquê eu não quero. Não é um pódio. Não é a merda de um jogo. Mas eu te pego, criança, pelos punhos, te levo pra sala e te coloco sentada no sofá: Vamos jogar.
Se não é um jogo, eu posso muito bem chamar do que eu bem entender. Eu não crio relacionamentos, mas crio vínculos. Eu viro o que você quer na sua mão, me transformo naquilo que trás a tona, sem tampões e filtros, o pior que há em mim: de mais sujo, de mais impetuoso e de mais demoníaco.
E o humano é isso, basicamente. A junção animal e divina, num só. O demoníaco, um vício em excesso, o prazer no caso, em excesso. E o homem, minha suposta adoração, ou pecado de gula mesmo... E eu, um demônio em flor, de espinhos crescidos de dentro pra fora, de alguma semente que plantaram, que misturaram com as minhas plantas e adubaram como puderam.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Seis Páginas de Análise Depois...


  • Reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo.
  • Apontar defeitos demais em si mesmo é falta de maturidade.
  • Saia dos padrões, se ele não te convém.
  • Pratique o desapego de quem não agrega nada ou agrega coisas ruins na sua vida.
  • Amar quem te fez mal não é pecado e nem humilhação.
  • Não reprima seus sentimentos bons, ou seja, aqueles que não farão mal á terceiros.
  • O sofrimento existe, e a felicidade também.
  • Falta de razão também não é pecado, afinal, tudo é ciclo: precisamos do erro para acertar, assim como a noite precisa do dia.
  • Lembre-se... Todos podem estar na filosofia, só que em níveis diferentes.
  • Não existe gosto ou preferência, quando todas as evidências apontam pra quem te faz bem (pra algo que de fato faz bem).
  • Permita-se sonhar acordada.
  • Pare de procurar a pessoa perfeita pra você. Se nem os gêmeos que são parecidos, não são iguais, imagine um outro desconhecido no mundo?
  • Desde que seus hábitos não interfiram/ tragam o mal á alguém, nenhum deles é um problema.
  • Olhe a sua volta: É fácil notar algo, uma qualidade em você, que ninguém tenha.
  • Reveja sempre seus conceitos: Se você tem um ponto fraco, estude-o.
  • Nunca generalize. Se você pensa bem, nada é 100% bom e nem 100% ruim.
  • Buscar auxílio é necessário, mas nunca se esqueça que tudo em relação á você, depende somente de você.

Após três folhas em dois dias de conversa comigo mesma, reconheci aspectos que precisava, desde muito tempo, enxergar. Com a ajuda de amigas e tendo como incentivo, a melhor delas, fora outros gatilhos, dores acumuladas e pensamentos mil, eu finalmente consegui concretizar o mínimo de respeito á mim mesma. Assim como, muito sensato um professor meu nos pediu em sala de aula, peço á você, meu leitor, que não se apoie em mim. Jamais serei a dona da verdade ou conhecedora da razão. Pode ser que você encontre algo contraditório, ou simplesmente discorde de mais da metade dos itens citados acima. E isso é bom, na verdade, ótimo.
Fiz perguntas á mim mesma, em folhas de caderno velho, com caneta roxa, porquê a preta acabou. Sabe, perdeu o sentido aquele dizer de "consigo aconselhar os outros e menos á mim". Consegue! Se bem direcionado, com as ferramentas certas, dá pra olhar pra dentro de si e, mais do que se consertar, mas se compreender. A gente tá tão acostumado á ser pra agradar, ser para chamar a atenção, ser para nos acomodar, ser para encaixar-se, que perdemos a noção total de parar um segundo pra perguntar, "quem sou eu?"
Eu ainda não sei responder. Não diria somente "sou Beatriz Bianca, tenho 18 anos e sou estudante de música e filosofia", não! Tá batido esse discurso. Ser eu. Dazein! Ou, Ser aí.
Foda é aprender termos interessantíssimos da filosofia antiga e detestar o Heidegger. Sabe, até alguns dias atrás eu usava do meu estudo, da minha escolha, pra me sentir um pouco superior. Bobagem. Curso superior em qualquer coisa, qualquer um pode ter. Aí me aparece esse cara, falando que todos estamos na filosofia de alguma forma. O quê?! É, interpreta: Em níveis diferentes. Foi o que eu citei ali em cima.
Mas aí me vem outro professor, esse mesmo que disse pra não se apoiar em qualquer coisa... Vem ele e diz "não acredite em mim ou em qualquer coisa que eu falo" (citação de alguém, não dele, que eu esqueci o nome) pois "a filosofia daqui ensina a questionar, a duvidar, e não a crer" - Palavras dele.
Me diz, se filosofia não é coisa pra maluco? Não... É simplesmente a bola de destruição, que leva tudo a baixo, pra gente construir de novo. Linkin Park me ensinou isso e eu só tive cabeça pra entender, agora.
Olhar pra mim mesma com uma trégua, sem olhos de indiferença, reprovação ou "eu te odeio" ligado no automático, foi incrível. Conversar comigo mesma é fantástico! Sabe... Esquece Deus. Eu também converso com ele mas, e eu? Porra, eu quero me ouvir. Quero saber, o que é que tá bom pra você, Beatriz? Eu tive a minha forma de fazer isso. Assim como eu rezava fumando, trocando uma ideia com Deus diretamente, sem formalidades, com lágrimas nos olhos e muitas vezes, deboche nos lábios. Eu peguei o caderno, folheei tudo o que vi no meu primeiro ano de Acrópole, com pensamentos ligados á universidade, que arregaçou as minhas expectativas. Deu nisso. Muita tinta roxa, muita palavra engasgada aqui dentro, muita unha do encravo tirada, o respirar sem aparelhos que eu tanto cansei de falar nas paredes cinzas de letras brancas.
O gatilho. Eu estou apaixonada. Por mim, pelo carinha, mas, mais por mim, e pelo o que eu descobri de mim mesma, e do mundo, que vai ser meu... Que já me pertence. Esse poder, libertador de deitar e rolar em linhas azuis de fundo branco, e escrever, no balanço incessável do ônibus que não chega nunca em casa... Escrever, de boca aberta, maravilhada, no ápice do foco e numa transe quase como um coma.
Eu finalmente aceitei tudo... Me vi sorrindo ao carrasco que, há dois anos atrás se atreveu a usar da crueldade. Eu aceitei, finalmente, aceitei. Aceitei que eu sou diferente porquê ninguém é igual a ninguém! E que lindo isso é! As diferenças, as discordâncias... Feio, é a falta de respeito para com essas discordâncias. Discorda, sim! Fala porquê e faz valer, cada palavra sua. O poder das palavras... São incríveis.
Mas o silêncio também é necessário. Pra fazer música, é preciso silêncio. Pensei até em mandar um recado ao carrasco, em prolongar o assunto com o enamorado... Mas deixa, fica quieta. Deixa ele dormir, deixa o carrasco pra lá, e deixa também o "chove e não molha" de lado. Que ele fique aí nas beiradas pois, do prato todo ele não come mais. Agora quem vai jantar, com sobremesa, entrada e saída, sou eu!
E o silêncio? Encerro por aqui. Pelo menos, esse artigo.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Primeiras Vezes

*Escrito em meados do halloween de 2014.

"Pra tudo se tem a sua primeira vez". - Era o que ele mais me disse em algumas horas, seguidas de elogios não muito pertinentes de colocar aqui. Mas vamos começar do início. Uma sexta-feira como todas as outras, ressalva que nessa, eu iria sair! E pra um lugar diferente.
O metrô era o mesmo da faculdade, a chuva também típica da cidade e o bar, lotado. Bar? É, essa chuva vai estragar meu cabelo, por quê não começar um esquenta básico? Desce uma skol pra mim, por favor.
Quantos homens... Meu Deus. Quantos olhares horrivelmente avançados pra mim... Quanta falsa gentileza, o garçom me servindo, olhando minhas pernas com cuidado pra não derramar cerveja pra fora da taça. Os caras do balcão, os caras das mesinhas lá fora e também os que estavam de pé. Cumprimentos sem nem mesmo saber quem era, ué, vou responder porque sou educada. Um deles se ofereceu a me levar até parte do caminho. Acabei a cerveja, deu um medinho por eu ter aceitado... Ele tinha namorada e estava indo pra casa dela! Ufa.
Cheguei na rua e meti um louco como de costume com o celular. É patético mas eu faço, sabe, pegar o celular e ficar conversando com o nada, com alguém da sua cabeça, aquele melhor amigo perfeito que sempre fura com você, fala que vai e nunca vem, exatamente porque não existe.
Entrei na fila, já levemente alegre, deixo de ser tímida e fico sociável... Converso com algumas pessoas, digo o meu nome e elogio o que tiver pra elogiar. Sei lá, gosto de falar bem e principalmente de ter o que falar. Falamos sobre meu cabelo, sobre meus olhos, sobre a cartola que eu comprei, sobre a marca da tinta que eu uso, sobre política, sobre homens cabeludos (que eu não gosto) e barbados (que eu amo). Entramos, não pediram meu RG e ainda o ofereci. Tudo certo... Até ganhei um brinde, um mini-caldeirão de plástico preto, tão fofo e cheio de chicletes plutonita com aquele ácido sulfúrico que borbulha na língua, uma delícia. Masquei os chicletes, sequei uma caipirinha e fui pegar meu Jägermeister, que nem o nome eu sei dizer, nem sóbria ou bêbada. Bebi, adorei, quase morri só de pôr em meus lábios. Eita.
Fiquei meia hora enrolando com a mina que queria beber e não tinha grana... Eu ia beber cerveja, ela não queria, então problema dela. Não queria fazer barriga porque ia á academia... Minha barriga tá aqui, ela não sai mesmo, então deixa. Até parece que eu ia largar minha breja por causa do corpo, que se foda o corpo. Finalmente um doido lá apareceu e ela pediu um drink gay... Não me lembro o nome mas tinha suco, vodka e campari. Tava muito gostoso, isso não podíamos negar. Ela ficou meio bravinha pois eu matei o jegamaista e não lhe dei o ultimo gole. Vai se foder, né?
Pra que o estresse? Vamos pra pista. Oomph! Dancei freneticamente "Der Neue Gott" como se não houvesse nada e nem ninguém me observando. A carteira na mão incomodava um pouco mas era o de menos. Eu não me lembro exatamente da sequência dos fatos exatamente, mas eu fui e voltei pra lá umas três vezes entre idas ao banheiro e ao bar. Até que trombei sem querer um cara bem, bem, bem cheiroso. E ainda mais a galerinha hesitou até demais quando nos olhamos e somente isso foi o bastante pra iniciar o que seria a melhor canseira do ano.
Fui pra perto dele e ele me envolveu em seus braços. Me vi logo ilhada, abraçada por um aroma amadeirado que transbordava masculinidade. Fazia tempo que não sentia esse tipo de cheiro peculiar. Os quadris se completavam, quando não pra frente, pra trás, pros lados, colados. A barba arrasava meu pescoço e não demorou muito pra que eu me entregasse... Barba, cheiro, os braços, ainda que finos, aconchegantes. A boca... Meus Deus, que boca. Maldita permissão que dera involuntariamente, dessa de correr do meu pescoço pra orelha, numa perversidade quase diabólica, sim! Ele sabia e muito bem o que estava fazendo.
E me encostando nas caixas de som, - detalhe que a bebedeira mínima já não deu a mínima se eu poderia ou não ficar surda, - levantou minha saia e tirou a meia calça do caminho. Dá-lhe mãos, dedos, gemidos como consequência. E quanto mais gemia, mais o desgraçado o fazia... Que inferno. Vamos pro carro! Mas espera, nem vi a sua cara direito... Espera aí. - E agarrei sua cabeça como se fosse uma bola de futebol, contemplada para a luz, observei. A barba, muitos traços no rosto, um olhar embriagado e um sorriso de achar graça na mina bêbada que não enxergava muita coisa. Quantos anos vocês tem? Trinta e cinco. Gozei.
Tentei estabelecer um diálogo rápido. Sempre brinquei com alguns amigos próximos e até mesmo com a minha mãe de que, eu nem pra prostituta serviria. Eu gosto de criar um pequeno vínculo... Saber um pouco daquele que daqui há alguns minutos vai tirar minha roupa e usar dos buracos do meu corpo, nada mais justo. Ele era taxista! Eu ri tanto quando vi o taxímetro e falei, pensando alto demais "um taxista gótico". Claro, super estranho. Gosta de Velvet Revolver, ou "guns sem o Axl" como ele mesmo definiu. "Você costuma trazer garotas pro seu carro?" - Perguntei, lesada. Ao dizer que não, eu retruquei que também não tinha o costume de entrar no carro de estranhos. E aquela resposta veio, bobo, me disse que "pra tudo tinha sua primeira vez".
Deixou a Kiss FM tocando no rádio do carro. Olhou pra mim depois de afrouxar o cinto das calças, como se esperasse que eu fizesse o mesmo. Desarmei o coturno (deu um trabalhão...), tirei a meia calça e o colete... O chapéu, cartola, seja lá que diabo eu comprei pra usar, depois de quase perdê-lo, deixei-o em cima do porta-luvas. Ele veio firmemente pra cima de mim, abaixou o banco e abriu minhas pernas. Que facilidade... Nunca vi alguém tão ágil, sim, pois eu gastava tempo só pra começar e ele não, mais direto ao ponto impossível. Não vi minhas unhas cravarem em suas costas, mas me dei conta de quanto eu pudia tê-lo machucado quando ele tomou minhas mãos e as posicionou atrás do encosto do banco.
Eu achava incrível a sua mobilidade... De como fazia acrobacias infinitas pra caber dentro do carro e dentro de mim. E nessas de me meter a acrobata, acabei fodendo o joelho... Banco de couro, carro quase de bacana, uma educação fora dos nossos estereótipos estabelecidos pra quem a gente conhece da zona leste de São Paulo. E lá se foram minhas energias. Gastei tudo o que tinha pra gastar, a bebedeira, suadeira, o prazer, ah, e sempre a adrenalina de correr riscos, de se entregar pra um estranho qualquer e estar á mercê de que, ele pode muito bem á qualquer instante parar num beco e te obrigar á descer... Acabou! Ele teve a educação de me deixar no metrô ás 3h40 da manhã, não sem antes estacionar (o quê? ele estacionou? que medo!) e nos deixar de frente pra um muro que escondia o matagal. Onde estávamos? Não sei, só sei que gastei a mandíbula mais uns dez minutos antes de sair e ainda recebi um "tchau, flor" de consolo. Porra, nem vai me dar seu telefone?
Aonde é que eu vou arrumar um taxista gótico, um homem experiente em número, gênero e grau, cheiroso e magricela, com vários centímetros? Digo, de altura, por favor... Aonde?
Pois bem, acredito que hajam primeiras vezes mas, coisas boas desse jeito, somente uma única vez. Assim como há primeiras pessoas, primeiros carros, primeiras fodas e primeiras boas fodas. Vulgar demais da minha parte ou não, também é a primeira vez que falo abertamente disso. Compartilho o que é bom, pra mim, e que pode ser entretenimento pra vocês. Inspirador até, quem sabe, você não busquem mais primeiras vezes?
Aquela parada de se perguntar "quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez" é real. Já se perguntou? Eu não paro pra fazer esse tipo de coisa não, digo, me perguntar. Vou lá e faço e já era. Já tentou isso. Pois tente! Pra tudo há uma primeira vez. E dessas, primeiras ações, primeiros conhecimentos, que geram outros primeiros casos, assim como não é a primeira vez que eu te enrolo tentando acabar um texto.