sexta-feira, 17 de julho de 2015

"Michael, sente-se aqui."

...A mamãe quer te contar umas histórias do meu tempo de menina... Pega teu chocolate quente e vem aqui.
Eu tinha fama de louca no meu meio e, com felicidade, me vi cada vez mais parecida com a a sua avó. A gente sempre foi de falar muito palavrão, falar alto, beber demais, coisas que você já sabe.
Houve um dia que a mamãe adiou algumas tarefas, nas férias da faculdade de Filosofia, pra poder ir visitar sua bisavó, mãe do seu avô. Eu entrei na enfermaria e me senti acabada. No mesmo dia, tive que fazer uma carta pra uma amiga de longa data, e eu já tinha bebido um pouco, sem comer muito... Foi um dia estranhamente confuso pra mim, filho.
Sabe, eu conversei com a sua madrinha, naquele dia, e pedi desculpas pelas coisas que eu disse em relação á outras pessoas. Não tente me entender, filho... Mamãe faz coisas malucas, você sabe.
Nesse mesmo dia, eu conversei com várias pessoas, todos amigos muito queridos meus, sabe?
Nesse mesmo dia, eu senti tantas coisas ao mesmo tempo, meu amor... Michael, mamãe é muito ciumenta. E acho que sou possessiva também (risos). Nesse mesmo dia, eu me lembrei de muita coisa, tudo muito ligado em questões de amizade. Eu fui visitar sua bisavó, voltando - E aí vi muitas pessoas perturbadas na recepção daquele hospital. Todo mundo inquieto, além das expressões de dor. Depois que fiz as formalidades pra poder entrar, atravessei o corredor e senti calafrios, o ambiente de hospital é quase como um pré-mortem e isso é horrível, meu bem. A mamãe já tentou se matar algumas vezes, há muito tempo e, é como se a sensação voltasse mas de outra forma... Quando você procura a morte, é com uma aflição no peito, implorando pra que ela seja sua sanação. Lá, senti como se a morte viesse sem ao menos eu pedir... Eu não estava insatisfeita com a vida naquele tempo, não estava triste e, acabei ficando.
Michael... Muitas vezes você pode querer tirar a sua vida porque não vai estar satisfeito com as coisas e pensa que não tem saída pros seus problemas. A gente pensa ás vezes que não é bom em coisa alguma, meu amor, e pensamos que não podemos confiar em ninguém... Pode até ser que isso seja verdade mas, isso só prevalece quando você é diferente das outras pessoas. Você pode sair á noite e observar as mesas do bar, com meninas com suas amigas, os casais apaixonados e os caras trocando ideias. Todos eles muito bem entrosados, todos rindo, bebendo cerveja, fumando, com seus iphones tirando fotos para acalentar os olhos dos não privilegiados com dinheiro, amigos e disponibilidade de sair numa segunda-feira á noite. Meu filho, a vida tem dessas... No fundo, todo mundo tá sozinho. Nunca duvide disso, e nunca maltrate as pessoas, que parecem que tem tudo. No fundo, ninguém tem nada, meu amor... Morremos sozinhos, vivemos sozinhos. A diferença é que uns conseguem ser bem sucedidos na carreira, no amor, na popularidade, em alguma coisa.
Naquela época, mamãe pensava que era bem sucedida na carreira, ou melhor, que poderia ser e estava caminhando até, pra isso. Eu era muito nova mas muito infeliz e frustrada nos assuntos de relacionamento. Chegou uma época que comecei a duvidar das amizades, todas, sem exceção. Comecei a pensar seriamente na solidão, sem dramas, sabe? Mamãe sempre foi a rainha literária do drama. Digo literária pois, nunca fui de demonstrar muita coisa, a partir de certa altura da minha adolescência.
Lembrei, neste mesmo dia - de um carioca que beija mal, que eu peguei na balada um dia e ele estava doente. Ele contou pra mim o que tinha mas pediu pra que eu não contasse ao amigo dele. Me peguei pensando, amorzinho, 'por quê?' É mais importante que eu saiba? Claro que não. Na verdade, é preciso contar pra alguém, mas também é preciso não preocupar os demais. As pessoas sempre pensam que estão fazendo o certo, nessa de esconder a verdade pra não fazer outras pessoas sofrerem. No fundo eu até sabia o que o cara tava fazendo, protegendo o amigo dele, pelo menos era sua intenção. E afinal, pra que servem os amigos? Michael, não me pergunte porquê. Acho que eu também já não sei mais responder esta pergunta.
Até hoje eu choro quando entro de férias de alguma coisa. Deve ser uma vontade inconsciente de "eu quero ser igual a todo mundo". Você lembra daquela ilustração, benzinho, que eu te mostrei, das cabeças sendo cortadas por um professor em quadradinhos e uma única, ainda redonda? A mamãe ainda deseja inconscientemente ser igual á todo mundo. Eu também não gosto de escolas, primeiro, me revoltei quando me toquei finalmente que seus avós nunca dariam atenção pra minha vida acadêmica, e era algo importante pra mim e eu queria que fosse importante pra eles. Nada feito. Depois, eu acabei vendo que tudo aquilo era inútil pra mim... Eu queria aprender inglês, filosofia, língua portuguesa, história... era isso o que eu achava útil. Eu sempre odiei cálculos, fórmulas, essas imbecilidades, coisa pra quem tem paciência. Mas tudo se tornou chato, eu perdi a vontade de estudar, em tudo.
Ah, Michael... As coisas são tão difíceis quando você vê coisas que ninguém mais vê, meu amor. Eu poderia te falar sobre a música, a filosofia, alguns prazeres moderados pra não se tornarem vícios, sobre beijos, abraços, risadas, coisas que fazem bem, pelo menos pra mim. Mamãe se pegou sendo covarde e medrosa desde um tempo e, acho que nunca mais deixei de ser.
Acho que no fundo, meu amor, a gente só precisa de alguém pra conversar. Alguém diferente... Pois terão horas que você não vai ter com quem falar ou em quem confiar, e então, eu espero que sobre alguém pra você, meu amor.
Ah, e nunca se esqueça: O que você pensar em fazer, vá e faça. Se você achar que é o melhor pra você, vá e faça, meu filho. As pessoas não tem que opinar na sua vida e, se você for como a mamãe, que pensa demais, melhor ainda. Apesar de que também, mamãe já pensou de menos, pensou de mais e continuou fazendo tolices... E confesso, benzinho, que nas vezes que me diverti, a maioria pelo o que me lembro, não pensei em nada. Fui e fiz. Então, faça isso.
Ás vezes você vai achar que nada mais tem resposta, meu amor. Sendo assim, prossiga sem muitas perguntas... Ás vezes não vale a pena responder tudo, mas perguntar, sempre vale. Esteja ciente de que você nem sempre vai vencer as dúvidas, umas vão te acompanhar por toda a vida mas, na hora certa, você vai entender. Existem somente motivos, finalidades, e isso não é basicamente fundido em perguntas e respostas. E tudo na vida é assim, filho. A gente acha que compreende esse tipo de coisa mas na hora do fogo cruzado, você se esquece de refletir, de sequer se pôr em posição de aceitar, pelo contrário... Você vai quebrar a cabeça e esmurrar um milhão de facas. Isso dói, benzinho... E a verdade? Ela é como uma injeção. Você sabe que dói mas também sabe que ela é necessária e que fará bem pra você.
Lembra, benzinho, daquela injeção que você tomou e depois você adoeceu? A verdade é assim, ás vezes. Mas toda dor do undo passa, filho. A verdade, a dor, a injeção, tudo isso é necessário pra nos construir, pra nos conhecer. A vida é uma grande roda gigante... Observe: quando você estiver descendo, você vai sentir um certo medo de encostar os pés no chão mas, depois que tudo isso passar, você vai começar a subir. Pode parecer estranho mas é algo muito bom, subir, se aproximar das nuvens e olhar o céu, a cidade toda lá de cima. E assim segue, amor. Precisamos descer para poder subir.
Acho que já falei demais, não é, meu amor? Você já deve estar acostumado... Mesmo assim, chega de lorota. Vai tomar seu banho, e não venha me dizer que quer ouvir mais pois até seu chocolate esfriou.
Vai logo, moleque!

-E o vi dando risadas, voando corredor adentro rumo ao banheiro. Me dei conta, do meu eterno medo, dentro de uma lágrima quente que rasgava meu rosto. Eu não poderia permitir que a melhor parte de mim se corrompesse pelo mundo. Ele não podia nascer... não podia...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Júlia Drusila e as Referências Entendidas

Eu não sei pra quê porra eu vim aqui escrever.
Não tem absolutamente nada de novo, mas parece que eu sempre estou me desafiando a fazer coisas novas. Inclusive, forçar-me a sair do meu repouso invernal, onde a gente se recolhe, fica de boinhas e só procrastina num nível absurdo. Juro, não há nada de novo... Continuo pensando coisas ruins a meu próprio respeito, tenho conversas, aliás, diálogos épicos com Marina, ensaios que rendem boas risadas, um coração que mais apanha do que bate (porra, apaga isso, que clichê!), a vontade de escrever uma canção chamada "Joshua Eyes" e a eterna reflexão sobre o porque eu nasci, porque estou desempregada, porque eu quero morrer, etc etc etc
Não vou falar de morte. Pensar na morte é como comparar um homem tendo uma ereção. Pensa só: pessoas (loucas) como eu que buscam a morte ficam segurando esse prazer assim como o cara segura o orgasmo pra render mais. Gozar rápido é chato e, por um lado, morrer jovem também. Eu poderia usar a metáfora de um prato de mingau: A morte é um mingau que a gente vai comendo pelas beiradas, com colheres sutis... Assim como a vingança. É? A vingança é um prato que se come frio, ou pelas beiradas, não me lembro do ditado.
O pior é que ainda é cedo. Meu pai já está no milésimo quinto sono e eu aqui, sem aquela disposição de quem vai correr a São Silvestre mas, acordada como quem usa cocaína. Acho que, estou num after effect. Não é a toa que usei uma foto de uma raposa sentada na cadeira, olhando pro nada com cara de trouxa como perfil no Facebook. Aliás, eu já estou ficando doente de passar tanto tempo olhando pra essa tela azul maldita.
Resolvi fazer um painel no meu quarto (que também é depressivelmente azul) para escrever parte da letra de "In the Fade" em sulfite e massa corrida 2x4. E não o fiz até agora.
Consideremos que eu usei dois ou três dias e algumas horas da madrugada pra escrever esse texto, motivada pela espera do meu amigo baterista que não apareceu desde ás quatro da tarde, pela insônia amiga e pela gripe. Acho que agora eu já tenho coisas legais, muito legais pra contar.
Coisas do tipo as vezes que eu me pego pensando nas palhaçadas que aquele Senhor Olhos Verdes faz, de propósito ou não. Tipo o filme que a Aline me levou pra assistir, um documentário sobre o Kurt Cobain que acabou com o meu coração. Também as músicas e livros que descobri ontem e hoje... Discografias novas, trabalhos novas e pessoas novas - e a mesma idolatria de sempre. A idolatria não é tanto para com as pessoas mas, pelo estasiamento. Acho que o mesmo com os livros.
Sabe, conversei com a Marina sobre isso, exatamente isso que me mantém viva. O descobrir. A porra da curiosidade. Eu sempre disse e sempre vou dizer que, "se a ignorância é uma benção, eu prefiro ser amaldiçoada". Imagina só - disse á ela, - quantas músicas tenho que ouvir, quantos livros tenho pra ler! Eu tenho muito a aprender, pra absorver, pra acreditar e duvidar e perguntar, e principalmente, enlouquecer. É a parte que mais me motiva, confesso.
Já estou com saudades. Hoje me olhei no espelho e comentei do nada: o melhor das paixões, quando você fica mais velha, é que você agora sabe driblar e lidar com as coisas. Só que não HAHAHAHA - E ri. E claro que não foi por nada... Eu estava pensando nele. Difícil não pensar, pois se penso algo engraçado, penso nele. Sobre ser engraçado, sobre o sorriso dele, o timbre da voz dele, essas coisas. E nada foge: o cd do Audioslave, a discografia do Queens of The Stone Age, a setlist do nosso show de hoje, a notícia de uma tese em quadrinhos entregue á universidade, fora das regras da abnt e até as coisas fúteis da internet... Quase tudo. Mas estou tranquila, pelo menos acho que estou. Me agrada pensar nele, apesar de que é involuntário, ter uma ou outra lembrança correndo pela minha cabeça vazia, ou tombada nos livros de filosofia e simpatias por demônios. Meu leão está me vigiando com ar esnobe, enquanto repousa sobre os meus livros. Folgado.
A pior parte é ele metendo a mão no meu teclado pra mostrar "olha, sua besta, aprendi a tocar in the fade pra te impressionar". Porra, logo essa? É meu ponto frágil, meu tudo. E eu perguntei pra minha mãe "por que as pessoas que não gostam de você te provocam?" e depois, esclareci quando contei da música, "e por que que ele faz isso?". Não me agradou a resposta... O colocou no patamar infantil e comum de todo e qualquer homem. Eu gosto de dizer que homens não são iguais e claro, os quais eu me apaixono, são cada um diferente. (cada um é mais filho da puta do que o outro.) O problema é que ele deixa claro, ele dá deixas de que me entende, e me lê. E que se interessa, só por curiosidade, talvez até por tédio. Não tem nada melhor pra fazer? Vá atazanar a vida da trouxa que bateu o olho nele e nooooossa!
Eu disse para Marina "isso porquê eu nem sabia que ele tocava guitarra". E o que mais me irrita é ficar pensando nas coisas que ele deve fazer. Ele sabe que eu leio os livros da franquia Assassin's Creed, acha que eu sou uma fresca por querer guardanapos pra limpar as mãos do óleo amaldiçoado do Mc'Donalds, sabe que In The Fade é minha música favorita, sabe que eu quero cantar ao menos uma música do Queens no nosso set, ele me observa e ainda me imita, de como eu passo as festas pós show "de braços cruzados, olhando um ponto fixo no chão, com cara séria" - e ele deve estar lendo isso agora mesmo, e rindo. Ou tramando alguma coisa. Pois saiba que eu não tenho coragem de reclamar de nada disso na sua cara, e eu sei que você fica me espionando pelo menos um pouquinho. E se me pedir uma cerveja, ou vou tentar te dizer "vai lá com a sua namoradinha". E se você for, vou ficar com o cu na mão, sei lá, essas coisas de gente insegura. Detesto pensar nisso, mas vivo pensando nele. Em você, seu idiota.
Se eu for falar de insegurança, era melhor eu escrever um tratado, um ensaio, algo voltado á filosofia. Se bem que dá até pra resumir: é coisa de gente burra. Que eu sou medrosa, isso acho que todo mundo já sabe, ou pelo menos isso me passa na cabeça. O que realmente me incomoda (de novo) é o que pensam de mim. Porra, eu nem sou tão importante assim, não sou icônica, não há motivo pra sentirem inveja ou algo parecido de mim. Olha, se você me inveja, desculpa mas, que merda, cara!
Voltando - Eu tenho uma mania louca de me menosprezar. Coisa de gente insegura. Pra falar a verdade, ninguém acha que eu sou medrosa... Já ouvi muita coisa a meu respeito que incluía loucura revestida de coragem. Aquela frase "você é doidinha" ou então "ah, como você é grossa", meu Deus, como isso me irrita. Sei lá. Coisa de gente chata.
Mas eu preciso ser compreensiva, afinal, eu gosto de um cara que não vê nem um décimo do que eu vejo nele. E isso é tãããão chato. Acho até que é charme teu, leão. Pára com isso, menino. Você sabe o quão incrível você é, e quão fascinante pode ser. Sinceramente, é nisso que eu te acho chato. Você me lembra meu irmão mais velho, já te disse isso. Meu irmão é o diferentão da família, o libriano, super inteligente, bonito desde o colegial e com um menosprezo a si mesmo quase alcançando o meu nível. E vocês são dois idiotas. Lindos, e idiotas.
Eu concluí hoje que não sei xingar ninguém. Disse pra Marina "eu acho ele feio e bobo".
Estávamos falando de um conhecido em comum. Mas eu acho a mesmíssima coisa de mim... Acho que "boba" não, mas no sentido de lerda. Feia e lerda. *platf* - Lembrei do tapa que ganhei na cara de uma colega da sala. "Eu te disse que iria te bater se você dissesse que era feia." - Não disse não! Mas mesma assim, ela bateu. Nossa, bater na cara é só em ocasiões estritamente íntimas. Por favor, saiba disso.
E sobre os inseguros, chatos e idiotas (todos nós somos um pouco de tudo isso), hoje recebi a melhor crítica que eu jamais poderia imaginar. Acho que o mais surpreendente é que eu fiquei feliz, e um pouco confusa porque já é a segunda vez que me falam isso. Por quê sou inteligente? "Pela forma que  você escreve, raciocina, filosofa... Você tem vocabulário, não é uma idiota, apesar que ás vezes você  gosta de parecer uma."
De uma coisa eu estou convicta: eu sou idiota e eu adoro isso. Mantém o meu lado criança ainda vivo. Eu o perdi ao longo dos anos, o evitei bravamente mas, diga-se de passagem que eu sei que minhas idiotices vão além de todas as loucuras apaixonadas que já fiz, não só pelos caras que eu estava afim, mas pelas bandas, pelos livros, pelo conhecimento de qualquer coisa. Isso mantém a chatice longe, o meu mal humor cotidiano. Exceto quando me torno uma pedra no sapato do meu enamorado. Leão, espero nunca te incomodar com nada, e se um dia o fizer, me desculpe.
Você sabe qual é a diferença entre o Kurt Cobain e eu, e todas as pessoas cronistas que escrevem da sua vida besta? O Kurt foi um sujeito corajoso e muito seguro de si e principalmente de suas palavras. Você imagina só, pensar em suicídio ou algo parecido é algo que todo mundo faz, mas escrever de tal modo... Ah meu Deus. - Palavras do diretor do longa. E é. O que eu tinha, de no máximo "eu me odeio" e ponto final, eu já rasguei e joguei fora. Atualmente, prefiro pensar no meu Leão, ouvir minhas músicas, vibrar ao saber que já consigo tocar as canções de cabeça, sem a ajuda das folhas, e ser feliz, descobrindo mais e mais demônios, e devorando coisas novas. Experimentando a vida com a colher da curiosidade. Metáfora boba, mas que descreve bem.
Teve uma coisa que passou batido na timelime da rede social azul, um vídeo palestrado que falava sobre o medo, e envolvia a questão atual da redução da maioridade penal. Mas o que me chamou foi a porra da ênfase no medo. Até parece que tem algo conversando aleatoriamente comigo sobre isso... Tipo "vai fugindo, esconde mesmo e não debata nada consigo mesma sobre o seu medo, covarde!"
Será que é necessário expor tudo? Eu sempre penso em mil coisas ao mesmo tempo. No mesmo tempo que acredito em Deus, eu acredito em demônios, e quero ser amiga dos dois. Aliás, na minha cabeça, Deus não é amigo de ninguém, mas o diabo é sacana... Não tão quanto Deus, mas é. A vida é uma ida ao mercado aonde você sozinha tem de carregar as sacolas e um litro de água sanitária tá batendo na sua perna enquanto você caminha. Eu também penso se é válido entregar o jogo assim, na cara de todo mundo, sobre tudo. Os meus sentimentos são algo super sólidos, ao contrário das minhas ações. Eu sinto muito mas demonstro errado. E nem sequer sei se o cara tá interessado, se ele tá fazendo palhaçada, ou sei lá a porra que ele tá pensando. Eu fico me importando com o que todo mundo pensa de mim, sendo que também penso que ninguém pensa em mim. Eu também sou convicta de outra coisa: estou com soluços e eu sou louca.
Eu nunca dei tantas referências em um texto como esse aqui. E só pra citar, de novo, eu vou começar a ler "Notas de um Velho Safado" ainda nessa semana, e já estou previamente assustada com o dito mais ou menos "é impossível ler e continuar o mesmo". Se eu já achava que tenho alusão bukowskianas demais, agora então, acho que fodeu.
Algo que me tomou a cabeça esses dias foram os malditos signos. Coisa de gente... Louca? Não sei. Mas é interessante. Eu acho engraçado como as coisas batem mas, ás vezes me pergunto se tem coisas que eu me prendi... Sobre verdades a qual eu me adequei e não o contrário. Mas é assim com todo e qualquer dogma. Aliás, quando você toma uma filosofia de qualquer coisa pra você, e você impõe dogmas á isso, já era. Tu fica viciado, tu quer esfregar na cara da pessoas, tu fica fazendo piadinha de "entendi a referência" de qualquer merda que tenha a ver com aquilo que você decorou na Wikipedia. Mas desconfio que eu seja meu próprio problema, e acima de tudo, minha própria solução. Eu sei que exagero demais nas coisas... Eu bebo demais, danço seus horas sem parar, começo a gritar quando converso e bebo ao menos tempo, chamo atenção mesmo sem querer, e por aí vai... E sempre me excedo em algo.
Aí eu pensei nas faltas. Sabe, quando você é realmente carente de algo. Pensei nisso porquê me perguntei "por que gosto de caras mais velhos?"
A falta, quando você diz "eu sinto falta", no meu caso, me refiro á algo que estava ali mas eu não tive como aproveitar daquilo. Meu pai é o único exemplo claro, e acho que é realmente o único exemplo que eu posso dar. Ele estava aqui sempre, mas não estava. Nunca exerceu paternidade extrema, ou pelo menos aquela que eu almejava, de brincar comigo, olhar meus cadernos e perguntar como foi meu dia na escola. Tem gente que não tem mesmo, aí não tem como requisitar. E eu acho até melhor... Não existe dor maior de querer, ver, sentir, mas não poder alcançar tal coisa. Eu sei MUITO bem o que é isso.
Você sabe quem é Júlia Drusila? A filha do Calígula. Eu e os meninos acabamos citando vez ou outra o rei pra Caligulove. É uma música foda do Eagles of Death Metal, e o rei era um doido transante que tinha umas quatro esposas. E observei que ele teve uma única filha, da quarta esposa. Júlia é filha do pecado mais delicioso dentre os sete: a luxúria. Me vi um pouco. Um criança selvagem, que gosta de arranhar. Aliás, Calígula também é virginiano. Pra variar.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A Vida Lacuna

Tenho uma leve impressão de que só abro essa telinha clara pra poder desabafar. Bem, não vou gastar meu tempo pensando nisso, tentando adivinhar qual das Beatrizes estão tentando falar algo pra vocês ou pra ela mesma... Não há tempo pra ser gasto, mas sim, investido.
E por falar em investimentos, estou conversando com um dos meus amigos sobre isso. Minha cabeça andou confusa nos últimos dias, desde a nossa ultima aula na Acrópole. O mestre pediu para que pensássemos a respeito de nós mesmos daqui há cinco anos, ou dez. E pediu também para que chegássemos mais cedo na próxima aula para uma entrevista semestral. Nada formal, só um bom bate papo sobre como estão nossos planos mediante a vida e à escola. Confesso que entrei num certo pânico silencioso.
Eu sou um tipo de pessoa que sente-se flagelada em acordar cedo, ou pior: coloco o celular pra despertar sete horas da manhã e se levanto, não sei o que faço. Eu vou dormir, e só sei pensar nas dívidas, nos livros que estou lendo, nas músicas que estou tirando, na minha estagnação vital, no meu medo excessivo, no controle que eu deixei que meu pai exercesse na minha vida e em todas as mentiras que vou contando pra mim mesma e pros outros. Imagina você que tenta seguir uma boa conduta, dentro de moral, ética e todos esses termos que ninguém mais sabe o significado, inclusive você mesmo (claro, além do porquê se Sócrates e Sêneca me conhecessem, me tratariam com um desdém nível luva de penica na cara); e então você não sabe nem o que quer da vida. Aliás, eu sei mas, não era pra ser isso, tem algo errado!
Acho que me convenci de que poderia trabalhar em qualquer coisa e estudar estritamente só o que eu escolhesse. Tá, já estou cursando filosofia numa universidade e juro por tudo que é mais verdadeiro no meu peito, que não é mais aquela velha questão de "vou me formar pra esfregar um diploma na cara do meu pai". Consigo sentir, imaginar, como seriam minhas aulas, meus seminários e palestras a respeito de tudo que eu sonho passar adiante. A educação pra mim agora é como um ideal... Me sinto até menos egoísta pois sei que darei algo meu para mais pessoas, e farei isso de todo coração.
Agora saindo da imaginação e dos meus sonhos que restaram como migalhas num pote de biscoitos - existem contas a pagar. Desde pequena eu nunca tive diretriz pra nada. Minha mãe fazia o pouco que dava por mim, já doente e também desorientada. Fui virar gente mesmo nesses vários tropeços, de não saber ir pros lugares e não manejar os próprios documentos. Só que deixei sair do controle, exatamente tudo o que fiz até agora que era pra ser pensado como prioridade. Lembra do meu salário? Eu não, só sei que gastei em baladas e mais baladas, e comida. Agora, lembra do que foi dito na penúltima aula sobre o que as pessoas buscam constantemente? Exatamente isso: prazeres temporais, mais conhecidos como vícios. E lá vou eu apresentar um seminário sobre "A vida feliz", fichando, ou seja, lendo pela segunda vez, escrevendo (o que torna a ler mais uma vez, então, terceira) e comentando, acrescentando a minha interpretação. E apanhando! Esqueci de dizer.
"Ainda não sou amigo de mim mesmo" - Disse, ainda depois de todo reconhecimento de falhas e o tentar reatar com os inimigos, pessoas que odeia, vícios que deseja e palavras que são ditas. A estagnação vital que citei agora a pouco, é disso que eu estou falando: não basta reconhecer. E ainda que tentasse não odiar, pedir perdão, reconciliar, calar-se e agir enfim, nada mudaria por dentro. Determinadas coisas faço por obrigação. Agora, separemos em categorias... "O que é essa obrigação?" - Bem, confundo o meu dever em reta ação com a ostentação de bons atos. Sabe aquele personagem de desenho animado que é caricato de vilão e acaba fazendo bondades mesmo sem querer? Sou eu. Mas, uma que eu não faço o bem visando ganhar um oscar... Porra, eu faço o que é certo, e só. Porém, ás vezes sinto que estou sendo trouxa. Aliás, o mal da humanidade atualmente é o "parar de ser trouxa". E ser trouxa é ser bonzinho? Muito prazer, meu nome é trouxa.
E também não tenho pose de vilã... Ai, meu Deus. Sou uma lesada que ri, com dezoito anos, da piada do pintinho (inclusive tô rindo pra escrever isso...). Só que o problema está justamente muito mais além de ser risonha ou atrapalhada, até mesmo sobre bater na tecla da monstra egoísta que eu carrego nos ombros. Sêneca comenta algo sobre escolher um lado para o qual tender, escolher um caminho e segui-lo, e sobretudo encontrar um método eficaz para seguir no mesmo.
Tirando o desânimo que ganhei a respeito de empregos, também juro que não sei aonde estou errando. Corrigi o currículo, entreguei em dezenas de lugares, fui em mais de duas entrevistas num só dia, apelei até pro fast food e nada. Ora é bom não ter experiência, ora é bom ter faculdade, ora sim, ora não. Já até me esqueci de lamentar que sou surda pro telemarketing e estou me tratando sozinha sobre meu ser temperamental - mas ainda quero que a minha gerente morra.
Pra falar a verdade, me deu um lampejo na cabeça e perguntei-me "o que é que você tá fazendo de errado, de ruim?" e eu ri. Não sei responder. Quero uma análise mais sincera, livre das repetições e principalmente das condenações.
Algumas pessoas comentaram comigo a respeito da adaptação, o que me rendeu uma certa tristeza por ter que pintar meu cabelo de preto. Pode parecer idiota, mas eu gostava muito do azul e não via problema, no que hoje eu evito pensar que ele está sem cor. O termo que não me deixou enlouquecer foi o que meu professor de introdução usou, fora da sala de aula, quando vinha comigo para a faculdade: "mudanças circunstanciais". E como é difícil esse ser aqui imaculado se adaptar, puta que pariu. Trabalhar em qualquer coisa não é tão fácil quanto imaginei. Tudo implica, seu curso superior, sua experiência pequena, seu comportamento, o seu cabelo. No mais fácil, não deu, no mais fácil, já tem gente demais, não precisam de mais um. E o que que é que me sobrou pra fazer? Estudar coisa de alguém normal. Cara, eu não vou consigo me imaginar no escritório, de roupa social, ou fazendo contas... Caralho, que inferno. Me sinto triste porque queria gostar disso, queria ao menos tolerar, queria me adaptar. E então acabo me apegando no que tenho que fazer por agora, mas ainda acho, que não dou o meu melhor. Tenho certeza que poderia me esforçar mais, que poderia melhorar muito mais e por quê não o faço?
A não satisfação por nada está me incomodando pra valer. Até duas semanas atrás era um motivo de orgulho, mas o que vejo acontecer é uma guerra dentro de mim cada vez mais acirrada, a cada momento que reconheço que me deixo levar - atraída pelas multidões e por todos os meus vícios, literalmente falando - e assisto a preguiça me dominar, o ódio crescer, a cara de pau de assumir os erros e "aguentar b.o's" extrapolando medidas completamente desnecessárias. E pra mim tá tudo certo. A faculdade atual já tem uns três mil por cima pra me cobrar, a anterior, cinco, já disseram que vão penhorar alguma coisa minha (não sei o quê...) e eu tô aqui, acordando cedo, estudando, bebendo café, indo dormir e voltando a acordar ás oito da noite com a disposição de quem vai correr a São Silvestre. Bacana.
Quando iniciei a escrita desse texto aqui, pensei em falar sobre o fingimento. Mas acho que não tenho o que dizer sobre isso, sobre os jogos de tudo. As pessoas fingem que não sentem saudade, que são orgulhosas e auto-suficientes; ninguém precisa de ninguém; a aparência é o ditador da moda e da vida. "A alma é quem deve saber o bem da alma" - Disse, novamente. Sêneca, eu não tenho alma... Estou quase convicta disso.
Se eu perdi minha alma, eu devia ao menos tê-la vendido por um bom preço ao diabo. Mas vamos considerar tudo isso e reescrever a sentença: a minha alma está perdida. Agora sim.
Engraçado quando eu paro pra pensar nos meus métodos que consistem inteiramente em aprender na porrada e se sair bem na média fazendo as coisas pela metade. Deveria escrever um manual, no caso, de "Como não ficar à mercê da sorte", apesar d'eu não acreditar que ela exista. As músicas que devo tocar só ficam prontas quando eu fico realmente inspirada, quando me vem uma centração inexplicável e invejável, que gostaria de ter á todo momento e não só em reflexos. Lembro-me que terminei de transpor uma música de ouvido, exatamente numa quarta-feira ás seis da manhã, e o feito ficou pra história. E hoje, a mesma coisa. Outro lampejo, peguei a partitura e a reaproveitei, parte dos acordes e de um tema: agora é tocar. Tocar, lê-se "praticar pra mãozinha obedecer aonde deve-se pressionar no teclado e não fazer merda". Praticar, lê-se "repetição".
Minha professora de piano me dizia sempre pra tocar mais devagar e eu sinto os impactos disso hoje em dia. Tento tocar mais lento e quando me pego pensando de novo, lá estou eu em ♪ = 450 (músicos vão entender). Mas as notas estão certas. Eu precisava é do gingado (imaginem, no piano, um gingado), da manha, por assim dizer. Minha vida se confunde com essas canções, o repertório já está escolhido, me falta tocar.
Eu preciso de motivação, mais do que eu já tenho, ou melhor: preciso me contentar.
"Feliz quem está contente com a sorte que tem, qualquer que seja e é amigo daquilo que tem."
O que eu vou dizer a respeito disso? Eu sei que me falta disciplina, foco, contentamento, gratidão. E daí? Ainda não sou amiga de mim mesma. E não tenho mais nada a dizer á respeito.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Os Fragmentos e meu Pai

Página em branco.
Cabeça vazia, ora vazia, ora cheia. Hora. Ela voa, a vida voa, a vida some, feito areia, escapa das mãos.
"I got things in my hands, I got my head in the sand... I got this feeling on my hands, just a thing you won't understand, look this ring on my middle finger - I want more, more of them."
A composição das linhas banais, linguagem pobre e rima tosca. Os olhos flamejados, as mesmas desculpas, uma dor estranha na cabeça. Sua péssima postura, sua gargalhada, você inteira, minha filha.
Eu tô cansada de escrever.
Que saber, eu vou levantar e me olhar no espelho, e decidir coisas como tratar todo mundo igual eu trato a mim mesma. Não é bacana? Vou espalhar ódio, ser esnobe, levantar meu nariz, tocar o foda-se, ser uma otária, uma absurdamente idiota. Mais do que eu já sou, do que esteja no lucro! Entende? Não. Ninguém nunca entende. Ninguém entenda nada, e não é só de mim não... Eu não me entendo. Ainda sou aquela que se pergunta "como posso ter tantas fotos no meu quarto, de mim mesma, e me detestar?" - Que tipo de egocêntrica é você?
Eu decidi pintar o cabelo. E sabe o que vão começar a falar? "AH, POXA, VOCÊ É TÃO DONA DE SI, VOCÊ SABE TANTO DO QUE FAZ E AGORA VAI DEIXAR SE LEVAR PELOS OUTROS? AH, QUE PENA!"
Sabe o que é isso? Coisa da minha cabeça.
O meu maldito inimigo interno tá dando risada disso que eu tô pensando. Ele se diverte quando projeta na minha cabeça, coisas como anteontem. Eu estava no escuro, derrubei tal coisa fingindo que havia algo lá, e por criancice, bati palmas, dei risadinhas, desafiei a ruindade pra que ela presenciasse o mesmo local que eu. E eu fui arrastada pela parede. E quando estive lúcida, meu coração estava na boca, e a mesma semi-aberta. Fora possuída, de novo.
Eu sou a pessoa mais ingrata, birrenta e egoísta do mundo (conte-nos uma novidade, Beatriz). Fui fazer algo lá embaixo e passei pelo espelho do banheiro, depois da descarga, e falei "eu não consigo nada que eu quero". Nossa, parabéns. Como você é ridícula... Meu Deus, você nunca tá satisfeita com nada, entende? Pára. Me deixa em paz, pelo amor de Deus. E faz alguma coisa.
Eu não te suporto. Eu não me suporto. Eu não comporto dois corpos. Eu não compreendo nada. Eu bato a perna feito louca, barata que corre pra lá e pra cá, tomando raid na cara e correndo.
Faz alguma coisa. Eu não aguento mais.
Aproveita que a merda não ta fedendo tanto, vai, larga a faculdade lá, os boletos. Vai fazer seu curso em paz, pinta essa merda de cabelo e faz tatuagem até no cú, mas esconde. Se adapta á essa merda de mundo, de sociedade. Caralho, o teu pai, o teu amor maior, o teu ídolo maior, a melhor pessoa da sua vida, a pessoa a qual sem, você não é nada, te disse:
"...os obstáculos tão aí pra serem superados. As regras estão aí pra serem quebradas! Imagina, se todo mundo fosse certinho, esse mundo seria uma bosta!"
E já não é, pai?
Em resumos, pra ele eu devo estudar. Só estudar, deixar a dívida correr e enquanto isso, rechear o currículo. Mesmo botando essas filosofia e essa banda como prioridade (põe a ironia em itálico), ele sabe e apoia os meus estudos. O estudo, em si.
Chega em casa e vai dormir. Como alguma coisa, sua maçã fuji, um chocolate, seu café, um leite, um chá, qualquer coisa, e vai dormir. Mulher nunca acorda de bom humor, e se você dorme mal e acorda mal, seu dia é um horror.
As noite são lindas, pai... Você não sabe.
Me desculpa quando eu disse que você era legal com todo mundo. Deixei sub-entendido que comigo, não. Mas pensa... Que dia eu chorei e você disse "vem aqui, deixa eu te abraçar"? Que dia?
Você vira pra mim e fala "ENGOLE ESSE CHORO, SEJA FORTE, NÃO CHORE POR NADA E NEM POR NINGUÉM, POIS NADA MERECE UMA ÚNICA LÁGRIMA SUA".
E pros outros, ele diz "chora... Pode chorar, eu tô aqui pra te consolar".
Caralho.
Essas coisas mexem comigo. Afeto.
Eu tenho que cuidar dos outros. A pessoa que parece, que mais gosta de mim, é quem tem perdas mais evidentes e sofridas. Pelo menos eu, me ponho no lugar dela e penso, "porra, os pais dele, velho..." - E eu dou, ainda que sem querer, uma segurança.
Eu tô ocupada demais tentando me esquecer dessa coisa que soa bobagenta. "Ah, pára de ser chorona, você implora carinho dos outros, nossa, você já devia ter se acostumado, todo mundo na sua família é frio." - Espera, essa última frase não tá muito certa. E é minha, não dos outros.
Olá, eu sou uma pessoa que vem de uma família onde ninguém sabe muito bem o que faz direito, onde todo mundo é acanhado pra dizer "eu te amo", onde não se valoriza festas, aniversários muito menos, só a merda da cerveja que vai beber nas datas. Venho de um lugar super crítico, onde nada é suficiente, onde você tem que ser independente em tudo, absolutamente tudo. Onde se acha feio falar palavrão, mas fala. Onde é só lembranças em fotos de quinze anos atrás, sorrisos em aparelho, pessoas no meu sofá, canecas de cerveja e moletons cinzas com brasão do Corinthians na parede.
Onde nasceu essa desgraçada, curiosa de tudo, preguiçosa que dá o braço a torcer toda vez que algo fica difícil. Nasci, entendendo a frase "depois que a Beatriz nasceu eu parei com aquela vida de bar toda noite, de cantar no karaokê e ganhar cerveja em troca de canções, e de jogar bola com a rapaziada antes de ir pra roda de samba" como "a minha vida divertida acabou depois que essa porra nasceu". Desculpa, eu não consigo entender de outro jeito.
Aonde estava meu pai então, nessa lembrança? Não culpe a minha infância... Eu não tenho lembrança que não seja pela foto da geladeira, d'ele brincando comigo, me levando pra algum lugar, eu não tenho absolutamente nada.
E eu escolhi ficar com ele e hoje eu digo categoricamente que eu não suporto ver a cara dele nos dias de semana.
Não é pra odiar uma praga dessas? Caralho, é angustiante ser esse tipo de pessoa.
Eu gasto meu tempo acreditando em besteiras tipo "eu sou virginiana com esse ascendente em leão", velho... Ainda que eu fosse de capricórnio, de câncer, do caralho que fosse, não interessa.
Eu não tenho tempo pra pensar como eu seria se eu tivesse outro corpo ou outra vida. Tenho que saber o que fazer comigo agora, dentro dessas circunstâncias aqui.
Sinto que estou repetindo coisas fazem uns meses. As mesma crônicas. Os mesmos problemas, a mesma raiva, a mesma paixão louca desenfreada, acreditando que "ele é diferente". Já é a terceira vez que você diz isso, cara.
É, eu tenho razão. Sempre é diferente. Mas eu me fodo sempre, isso é o que não muda. Porquê você não muda. Continua desleixada, hipócrita, confusa. Dá um tempo.
Você, eu tenho quase certeza que você se apaixona a torto e a direita porquê não tem mais o que fazer. Aliás, você tem um milhão de coisas pra fazer, mas prefere ficar jogada em qualquer canto, criando traça e teia de aranha na cabeça. Dorme demais, ou dorme errado, nem sei mais responder isso. Não come direito, engorda, emagrece, engorda, emagrece, mas não tá gorda e nem magra. Tá usando batonzinho, louca pra borrar a boca daquele filho da puta, que você fica xingando de graça, simplesmente porque ele é mais um que não quer absolutamente nada com você.
Filha, ás vezes nem é você. É a pessoa. Eles querem ficar em paz, de boas no canto deles. E sim, claro, existem outras mulheres, ué. Eles se apaixonam também. Não é assim? Tem gente apaixonada por você e você não quer nada com essas pessoas. E os que você gosta também não são obrigados a te corresponder. Não adianta você perguntar pro capeta, pra Deus, pra sua mãe, pro seu professor de filosofia ou pro seu melhor amigo, coisas do tipo "por que a gente não gosta de quem gosta da gente?" - Isso não tem resposta.
Vai pintar seu cabelo. Gasta essa porra desse dinheiro e esfrega na cara do seu pai com o que você gastou. É filhão, eu tô desempregada mas eu tenho que acompanhar quatro marmanjos por aí fazendo um som, tenho que arrumar um emprego, tirar xerox de livros importantes, e tudo se gasta. Até respirar é caro, nessa bosta.
Eu me perguntei, "como a gente ganha X mil reais por mês, só vivendo eu e você nessa porra, e tá nessa pendenga sempre?"
Mas meu pai, apesar de tudo que eu falo dele, ele é incrível. Ele não tem a mínima noção do quanto eu o amo e do quanto ele me influencia. Caralho, nem Sócrates, nem Clark Kent, nem Sêneca e nem ninguém... Mas Jorge Silva... Esse sim. Puta que pariu.
Ele me mostrou mais ou menos, tudo o que eu já sabia mas, como sempre né? A gente sabe das coisas mas quando alguém vem e fala pra você, você se toca. Finalmente eu consegui desengasgar daquele cururu gigantesco emperrado na garganta, e falei pra ele "É PORQUE EU NÃO SEI SE TRABALHO NUMA MERDA QUALQUER E PAGO A FACULDADE, OU SE PROSSIGO ESTUDANDO OS CURSINHOS DE GENTE NORMAL PRA ARRUMAR UM EMPREGO MENOS BOSTA. É ISSO".
E realmente, eu não sei.
Vai estudar, fia. É isso. Deixa a dívida rolar, seu nome vai pro spc mais dias, menos dias. Vão te negar emprego, com nome sujo? Mas eu preciso pagar a dívida, e não vão me deixar trabalhar, pra limpar o nome? O que? Nossa, bati a cabeça na parede e caí.
Eu já sei o que eu vou fazer. Calma, porra.
Respira. Eu já falei demais.
Eu só boto fé nisso aqui. E nas partituras que eu escrevo.
Na minha amada, amada, amada banda.
Nessa filosofia, abençoada.
No amor da minha vida, meu pai.
Minhas desculpas pelas repetições, lamentações, incoerência.
Eu devo desculpas á mim mesma.
Eu devo é mais ação também mas... Braços cruzados pelo menos essa segunda, não.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

O Medo e a Paciência

Hoje eu quebrei um espelho. Parei de olhar pra mim mesma em busca de respostas e venho fazendo mais coisas do que pensando, claro, pisando em ovos e ainda analisando (mas não muito) o que faço. Parei de buscar entendimento sobre mim mesma. Fui meio contra-regra ao "pergunte a si mesmo o que você quer" e tô mais afim de saber o que eu preciso. Evidentemente nem tudo que eu falo, eu cumpro.
Vim pra casa com uma certeza do que era estar apaixonada, de que eu ficaria apaixonada por um longo tempo. Um paixão fixa, sabe? Como o que acontece várias vezes. Previ coisas erradas, "oh não, eu pensava que seu signo era de câncer. Acho que ainda tenho uma chance". Porra, nenhuma pessoa que eu conheço é de Gêmeos. Tá, meu professor de filosofia. E até que comparando, ambos são engraçados, atrapalhados e se importam comigo, até certo ponto. E lá vou eu, novamente, achando que sei alguma coisa da vida ou desse jogo de azar maldito que se chama amor.
Posso falar com certa prioridade, que a gente gasta tempo se perguntando o que é o tal amor que todo mundo fala, que todo mundo proíbe de falar e ás vezes até de sentir. A gente coloca ele num pedestal e só fala que é "só de mãe", só de pai, só de amigo, sei lá... Só pode falar de amor depois que casa, ou quando é um objeto, físico ou imaginário, sei lá, tantas restrições! Fora quando depois de não encontrar resposta alguma, ou simplesmente achar que é algo e não era aquilo, mandamos tudo á merda e "paramos de ser trouxas". Pois bem, eu ainda sou aquele tipo de pessoa que não ouve certas músicas pois lembro de alguém. Que bom que você já não é mais um.
Coloquei a bendita In the Fade, versão acústica daquela rádio alemã e deixei rolar no repete. Sorri, chorei, sorri de novo. Que merda é essa que tá acontecendo comigo? Puxa, de novo? Pra quê? Dá muito trabalho... Eu tenho medo de tudo e ainda me falta paciência. Sim, porquê eu queria jogar tudo no ventilador, "eu sou louca por você, seu idiota, te acho a coisa mais foda que me aconteceu aí ao longo desse mínimo tempo que te conheci e me sinto sortuda por conviver com você", maaaaaaaas, é cedo demais. E nunca que eu teria coragem de falar tudo isso. Vou falando que ele é idiota, um filho da puta, na cara dele, normal. Mas o que eu queria falar, tá muito além do que só dar tchau na hora de sair do vagão na estação Armênia.
Parece que na hora, enquanto aqueles olhos verdes super claros; aquele rostinho fofo e a textura da barba que relou nas minhas bochechas inundavam minha mente, nada mais existia. Nenhum empecilho, nenhuma bobagem, nenhuma barreira, nenhum outro cara, nenhuma outra mulher. Só que nunca, nunca nada ajuda a Super Beatriz. Nossa heroína azarada tem toneladas de kriptonita pra tirar do caminho, e das vistas desse tonto. Até de si mesma, sabe? Sinto-me como uma casa sem portas mas, com avisos de "Cuidado! Cão bravo" por todo o canto. Pára de se ver como o problema, caralho. Fala tanto que se sente mais velha, quer manter a pose pra esconder os míseros dezoito anos e tal, e fica falando besteira.
Pode ser, aliás, é isso, eu preciso amadurecer mais. Ou simplesmente amadurecer o que se deve. Depois de tudo o que aconteceu não é? Podia ao menos saber o que fazer com esse sentimento todo. Aí o que acontece: Eu olho pra ele, e fico olhando, fico hipnotizada. Meu peito explode, minha pele arrepia e uma febre interna me sufoca. Me dá medo de falar qualquer coisa, tenho que escolher as palavras cuidadosamente, pra não deixar qualquer coisa escapar, e vai xingando. Mente aqui e ali, quando não esfrega na cara, o seu fã clube de uma pessoa só, faz cartaz e dá de louca no show, no palco, na apresentação e ele fala o nome dele. "GOSTOOOSOOOO!!!", meu Deus, se controla, senhora.
Uma segunda cerveja e um suspiro longo. Platão estava inteiramente certo em descrever que a paixão era como uma doença. E realmente, se tu não sanar essa coisa, ela te devora de dentro pra fora, acaba com você. E me senti impotente, preguiçosa, derrubada. Fiquei ali a revelia no banco do ônibus, lembrando daqueles olhos verdes, da touca, da barba, das mãos, os dedos, a guitarra, aquela boca... E chorei, e sorri. Chorri.
"O que eu puder fazer pra dificultar minha vida, eu vou fazer sem hesitar" - Pensei comigo mesma, inconscientemente. Pensei quando anunciaram o ônibus pra rodoviária, o que não sobe pro meu bairro. Já pensou? Pleno feriado eu com esse trambolho de teclado com suporte, subir as ladeira da rua do táxi, o escadão, não, velho... E mais ou menos como parte de uma das milhares de conversas que eu imagino tendo com ele. E a vida é assim: eu imagino coisas, fico guardando, achando que sempre tá cedo, que isso e aquilo, e as kriptonitas se encrustam e quando eu vejo, já fodi tudo, o cara tá com outra, já brigamos, tudo acaba muito mal acabado e pronto. Fica eu aqui chorando uns meses até se apaixonar de novo. Pra chorar de amores, e chorar quando acaba, e chora quando começa, e acaba. Apelos líquidos, velha história.
O que eu precisaria fazer pra mudar? Realmente não sei. Aliás, nem sei se há algo pra mudar. Ele não é obrigado a gostar de mim e "eu devia aprender a lidar melhor com as recusas". Não tem muito o que falar. Só o que eu sinto, essa vontade imensa de ficar horas dentro dos seus braços, te ouvindo cantar as melodias graves, o teu timbre tão único quanto tuas digitais. São só desejos, efervescentes, febris, loucos... Insaciáveis. Enquanto não o consigo, mato aqui e ali, com outro e outro. Engano, minto pra mim e pros outros, tentando justificar, tentando entrar nesse jogo idiota dos relacionamentos cheios de frescuras. Eu não sei jogar. Sigo transparente, louca por ele, me sentindo uma ingrata, um lixo por não amar quem me ama. Com medo de me declarar, de ter uma conversa franca. Sem paciência de vê-lo com outras, e vira a cara, disfarça, trouxa. Pára, deixa fluir.
Deixa acontecer, sem pressa. Eu sei que é difícil, esperar por ele, pelas decisões dele, e as vontades dele. Arrisca aí quando der... Tipo aquele dia. Fica perto dele. Alimente-o e fique feliz com sua presença. Tudo é difícil, por quê algo seria fácil pra você, Bia?
"Eu estou aqui, camuflado de estrela mas você não nota - que estrela morta não pisca**."

** "Estrela Morta", Edgar.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Respostas, Cavalos Alados e tudo mais bem longe do Céu de Atenas

Os únicos barulhos que permito me acompanharem são os das cadelas latindo, da rádio Batuíra rolando e o gabinete do computador velho. Manja quando você se sente confortada por alguns segundos com alguma palavra e depois tudo volta a desmoronar? Foi o que senti de ontem pra cá.
A noção de ignorância de uma pessoa só cresce quando ela começa a estudar, a conhecer e ampliar o leque de autores, livros, conhecimento enfim. Meu professor disse que isso deveria ser normal, pois os ignorantes natos não tem noção de ignorância e pra eles tanto faz se estão ou não sabendo. E nós, que vamos conhecendo coisas e buscamos saber mais, também descobrimos que não sabemos de muita coisa, só que se esquecemos de que nunca vamos poder aprender tudo.
Ao ler Fedro, acompanhei Sócrates explicando para o garoto algo com o nosso caminho de elevação comparado com o dos deuses. Ele dizia que os cavalos alados dos deuses eram de boa raça, domados e obedientes, já os nossos, dos mero mortais... E nessa subida, os deuses encaravam sossegados, chegavam logo ao grande banquete celestial sem muitos problemas. E nós, com nossos cavalos horrivelmente descontrolados e ariscos, arriscávamos subir em meio a turbulências. Fora quem na pressa de pegar melhores lugares, de chegar primeiro, se espatifava todo, batia nos outros cavalos e se não caíam, perdiam suas penas.
Tinham coisas aleatórias, também sobre a busca do conhecimento mas eu não tô com espírito de citá-las. Tô afim de cair na porra da contradição e ficar aqui reclamando, mais uma vez. Eu nem queria sair da cama, queria um dia todo sem ninguém no meu ouvido sabe? Meu pai principalmente, queria um silêncio desses com cadelas, mpb underground e esse zumbido infernal. Não é medo lá de fora, eu só estou meio cansada. É a bendita rotina, ainda que eu não compreenda o que é que está acontecendo pois, a faculdade me faz muito bem, tô nem aí pro diploma e tô mais interessada em morrer afogada em diálogos platônicos e teses sobre "ismos". Eu queria ficar sozinha, sem muitas obrigações. Sei lá.
O meu bom senso fica conversando comigo, rudemente, já avisando as merdas que vão acontecer caso eu não continue com essa rotina de estudos... E até que eu tô levando, pelo menos estou me esforçando pra ler, e escrever lá, e não aqui. É que eu tenho vontade de meter um tiro na minha cabeça toda vez que eu não consigo ouvir o alarme tocar ás 5h da manhã, simplesmente não ouço. E também por ligar pra tanta coisa fútil... Fútil é pouco, sei lá, nem sei como descrever. Eu olho pra cara de certas pessoas e tenho vontade de esmurrar, mandar pra tudo quanto é lugar... Eu não sei a utilidade desse ódio. Acho que são coisas não devolvidas mas, eu já devia estar acostumada.
Sabe uma coisa que ainda me incomoda muito? São as pessoas me olhando da cabeça aos pés. Eu não entendo... Não deve ser só um cabelo azul ou uma roupa diferente. Meu Deus, eu tenho quase certeza absoluta que eu tenho asas de verdade, ou chifres! Eu também não sei dizer se eu sou revoltada ou se nasci numa época errada. E também já peço desculpas pela falta de eloquência nesse texto. Eu não tô afim de escrever mas eu não consigo parar.
Jogar coisas aleatórias num lugar é estranho mas, parece que fizeram isso comigo. Ás vezes, sustentar essa teoria interna de que as dificuldade vem pra você por motivo tal ou motivo qual, não é nada fácil. Nem em deus eu acredito mais, acho que são vários e não um só... Tô revivendo uma Grécia antiga e realmente eu queria viver no céu, aquele antigo céu de Atenas. "Imaginem quantas estrelas nós poderíamos ver? Não só estrelas, pensem só no que mais poderíamos ver?!" - Disse meu professor. E aquilo ficou na minha cabeça. E esse mesmo cara, perguntou aleatoriamente se valia pra gente saber explicar qual era a nossa posição como filosofo pra alguém. Não cara... Pra quê você quer saber o porquê d'eu fazer filosofia? Pouco importa o que eu faço ou deixo de fazer. Você não lê o que eu publico, pois provavelmente viria me cobrar uma porção de coisas e iria comentar do quão frescurenta eu devo ser, que eu tenho depressão e ia mandar eu meter a bala na cabeça, como é conforme a minha vontade. Porra, já foi o cúmulo ter de ouvir um negócio do tipo "só cuidado pra não se matar, todo filósofo fica louco..."
Tem uma pessoa presa dentro de mim e, isso eu sei não depois de saber que a morte liberta a alma para o conhecimento puro. Vamos lá, já que eu gosto de arrumar resposta e justificativa pra tudo, vamos colocar em pautas as coisas piores que tenho: O egoísmo. Ainda não sei justificar, não faço ideia do que seja mas, pode ser aquela história do Wilson e do House, já viram? "Você não gosta de si mesmo, mas se admira e se apega nisso". É uma ótima resposta.
E por quê me odeio? Ah, que história batida... Pula.
"E por que você não muda?" Ah, vai se foder. É fácil falar. Eu queria, ou não, não sei. Acoplei o "não sei" ao "não quero saber", ou o "não consigo" com "não quero". No fundo é isso que acontece.
Eu tô esperando um choque acontecer. Minha mãe já sonhou com carne e já viu coroa de flores então, alguém vai morrer. E daí? Depende de quem for, né? Se bem que, das duas uma (maldição de dupla opinião, socorro!): eu não vou ligar porque não vai fazer diferença nenhuma, ou eu vou morrer junto. Mas, como se eu já não me sentisse morta, né? Grande coisa.
E qual seria o choque? Percebe o quão egoísta sou? Nem sequer passa pela minha cabeça que quem pode se foder na história sou eu. Sim! Ainda mais. Posso perder um braço, uma perna, a cabeça...
E as cadelas latem. Deve ter gente chamando lá fora mas, eu nunca atendo. Não gosto de ninguém na minha casa. Não tem nada pra ninguém aqui, nem pra mim, imagine pra quem é de fora?
Penso em sextas-feiras. Em beber até cair, em dança muito sem chorar de novo na pista. Mas nunca sai como o previsto... Tá batido, eu vou, bebo duas ou três caipirinhas, uma cerveja pra misturar, danço, choro, danço, choro, alguém chega já me apertando e eu deixo, e a gente sai pra qualquer lugar, vai pro banheiro ou pra rua mesmo, transa, troca telefone mesmo sabendo que ninguém vai ligar e vai pra casa de manhã, mamado de cachaça e boquete. Seja sábado ou domingo, tanto faz. É a mesma coisa, e eu não me canso sabe por quê? As coisas previsíveis são melhores, ainda que eu não pegue ninguém, ainda que eu não fique bêbada, ainda que eu não goste da programação (o que é quase impossível, dependendo de onde vou), apesar de tudo isso, eu sei que vou voltar pra essa merda de vida medíocre pra dar satisfações ao meu pai, que vai reclamar, de novo pelo dinheiro que eu gasto, porque eu saio demais, eu bebo demais, trepo demais e não estudo. E quando estudo, "coloca essas filosofia e essa banda como prioridade". O itálico foi pra ironia, pelo alto teor de ironia.
É pedir demais? A vida que eu quero levar é tão imoral assim?! Eu só queria ter meu próprio canto, pagar minhas coisas sozinha, estudar e farrear. Cara. É demais, parece que é.
"Mas você mora com ele, tem que limpar a casa pra ele e fazer as coisas porquê é ele quem te sustenta." Mas pagar a faculdade ninguém quer, afinal, se ele conseguiu fazer duas de graça, VOCÊ É IMPRESTÁVEL porque não conseguiu. Simples. Troca a fita.
Vou confessar que pensei em coisas horríveis, tipo me prostituir (coitada) (puts, isso me fez rir, sério! sem ironia, é engraçado como eu mesma me zombo), nossa, eu tô com vergonha de ter escrito isso... Bem, de usar drogas e virar alcoólatra. Eu ri porque se assemelha com aquela ideia do dias dos namorados, que as pessoas se alugam pra tirar foto, jantar e beijar na boca pra tirar fotos... "aceito cartão de crédito" porra... Então. Comentei com uma colega usuária, sobre os preços e efeitos das drogas e não fiquei nada satisfeita. Tu paga caro pra ficar doidão por um só dia... Cadê o crack que custa barato e reduz sua vida de 70 pra 30 anos? E ainda vai pro hospital, se fode nos exames toxicológicos e ainda vai levar uma surra de sermão e porrada de todo mundo. Não. Esquece.
E sobre ser alcoólatra, acho idiota. Ah, é tão patético... Vejo pela minha mãe. Ela teve problemas com o álcool há alguns anos e eu me lembro o quão desagradável ela era. A postura toda mole parecendo uma gelatina estragada, parecia o Mick Jagger versão majin buu, realmente nojento. Fora as merdas que falava e fazia, perdemos muitas festas por causa dela e tal. Eu já falo merda o suficiente e já sou feia o bastante, se eu ficar assim, muitas vezes na semana, vou acabar me degradando, e também apanhando, e sendo cortada das festas que, é a única coisa bacana que eu tenho pra fazer fora a faculdade e a banda.
No fundo eu sei que tudo isso não vale a pena. Caralho, tô afim de apagar o que eu disse... A gente se prova demais das coisas e eu não vou me censurar em palavras. Já sou censurada de tanta coisa banal, igual a maconha. O cheiro é bom e já foram comprovados seus bens e mesmo assim, ela vai ser proibida exatamente pelo preconceito. Eu mesma sou uma idiota que não fuma pois tenho medo de viciar. Mas já parei de fumar então, só fico de tabela no cigarro (de qualquer coisa), respirado dos outros. E tudo é censurado, a prostituição, o sexo, as drogas, a violência. O álcool, o cigarro, o sexo, as brigas, ou qualquer coisa que seja demais, é imoral. Engraçado que falsa-moralidade demais é essencial pra humanidade. Todo mundo gosta de defender causas e ficar defendendo o certo e bla bla bla, vai na igreja e mata o cachorro da rua com arroz-chumbinho, não olha pro próprio rabo arrombado e fala da mina que transa com os carinhas da balada, da faculdade, da puta que me pariu. Todo mundo critica a novela das nove mas continua assistindo, fica falando dos conceitos da família tradicional brasileira, vai se foder! O que é a família tradicional brasileira? O pai de família da periferia que vê o filho mais novo apanhando dos policiais na ida e na volta da escola? Claro que nããããão! O pai tá lá na metalúrgica, ralando e suando feito um porco velho, tossindo pó de cal e a mãe se dobrando em quinze pra sustentar a faculdade do moleque mais velho, junto com ele que, também leva tapa e cassetete nas costas, enquadro pela posse de oxigênio nos pulmões e sonhos no coração. Quer descer o morro? Vem pra margem então, onde mora a mãe que não teve vida, casou criança empurrada porquê não tinha estudo e não sabia fazer nada além do serviço de casa. Olha pro pai que só sabe trabalhar, mal tem tempo pros filhos e quando olha pra eles, só sabe cobrar, cobrar cobrar e não sabe demonstrar porra nenhuma. E quem se importa com as demonstrações? A filhinha demente que é sensível demais, que acredita no amor, em histórias de amor como as das princesas e príncipes encantados. E o irmão mais velho é avulso, ele nunca se misturou, era a nata da família, o único que não teve problema com droga, com auto-estima, superou numa boa e investiu tudo isso nos estudos, e hoje é muito bem falado pelos parentes que sentem falta da presença dele. Foda-se a porra da sua família, também não me interessa como ela seja pois, vejo tanta gente bacana que se fode na mão dessas pessoas pseudo família, que exigem respeito porquê tem o nome no seu RG. O que é a família? Nada. É pretexto... É um sobrenome feio tipo "Bezerra", que herdamos sem pedir. É o que herdamos, digo em potência... Juntou a burrice da minha mãe com aquela sagacidade inútil, mais a infantilidade e arrogância barata do meu pai. Parabéns, nasceu Beatriz! Viva!
Eu falei tanta coisa que perdi o fio. Aliás, já comecei sem assunto. Mas me sinto melhor por ter colocado essas coisas pra fora. Uma vez eu li que uma das coisas que fazem mal é "falar pouco". Lá vem vocês dando risada da minha cara, "a Bia falando pouco? como assim?!" É, vai se foder.
E quem fala pouco escreve demais, desenha demais, pensa demais. A gente tem que esboçar aonde dá né? Se ninguém lê isso aqui até o final, tudo bem, eu não me importo, de coração. Mas eu, lendo Bukowski, Nietszche ou Sêneca encontrava conforto. Conforto aquele a qual eu contestei no início do texto. Esse conforto, deles, não é passageiro. Mas eu sinto medo de que caia em pretensão além de contradição. Apesar de que eu não ligo muito pras coisas, eu não devo é ligar pra nada de importante, só pras pessoas idiotas que fazem joguinhos estúpidos de dar gelo e esnobar pra consegui uma eterna atenção. E não é que dá certo?
Peço desculpas mais uma vez pela falta de sentido de tudo isso... Peço desculpas por repetir sempre as mesmas coisas. Por não saber classificar o que eu escrevo. Eu não sou filosofa, eu não sou cética, nem dogmática, nem católica, nem ateu, nem a toa, nem louca, nem sã. Eu não sou nada. Eu sou só mais uma pessoa que como todos os outros, escrevem seus erros e acertos, pra que lá na frente alguém não erre como eu errei. Mas vão errar, é claro que vão, e vão encontrar conforto nessas palavras. Tá, eu já falei disso, mas eu não consigo parar de pensar.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Beatriciando

Acho a minha capacidade de me meter em roubadas, simplesmente incrível.
Tive a alma lavada com sangue e dor nos melhores sentidos das palavras, quando desabafei uma linha do tempo com a minha nova melhor amiga. Dá medo de proferir tais palavras, já tive melhores amigas e todas foram embora, todas se afastam e eu não quero perdê-la, não quero mais perder nada, mesmo que isso seja impossível. É só um desejo, assim como agora, eu desejo umas poucas coisas, tipo, continuar respirando, continuar sem fumar, continuar suportando dores e problemas que vem a tona todos os dias, suportar essas paixões e vícios insuportáveis que só eu sei... Continuar.
Contei num rápido e trágico resumo, a minha vida a partir do segundo ano do ensino médio, aliás, este que quando entrei, fiz questão de largar a identidade de "moça estudiosa que tem tesão por quase todas as matérias" e virei uma qualquer, um peso morto que só esquentava cadeira, inicialmente fazia a galera rir mas depois, só ia pra dormir, rabiscar a contra capa das apostilas e olhar a maioria dos professores com certa repugnância e indiferença. Não me arrependo pois tenho certeza, ainda com tudo o que estudei, não aprendi nada que fosse me ajudar a ter um bom desempenho buscando bolsas integrais ou parciais na faculdade. Nosso sistema deturpa violentamente todos os jovens: nos metem numa escola com cartilhas inúteis, isso quando não nos submetem a pessoas incompetentes que, ganhando a patente de professor, estraga a qualidade de um todo. É muito fácil falar que professores passam batidos em peneiras de licenciatura, provas do estado etc. mas, quem hoje estaria disposto a estar a frente de quarenta ou sessenta filhos da puta que não estão afim de estudar? Que são peso morto, vão á escola pra dormir ou fazer a galera rir? Pois bem, eu me meti numa grande roubada e ainda vou beber do meu próprio veneno.
Não só as cartilhas e os professores (minoria incompetentes), ainda temos as tesouras mentais que, nos obrigam a seguir uma tal norma de abnt (eu não faço ideia do que isso significa até hoje), a mesma que me fodeu dois anos atrás na redação do enem. Eu posso ter ido muito mal, mais além do fato de que 2013 foi o pior ano da minha vida até agora... Eu também não tenho uma letra legível e eu senti os reflexos dessa coisa ontem, numa prova de história da filosofia. E eu também não sou nada formal. Não sei usar vírgulas, então jogo-as como se salpicasse orégano na macarronada. Eu sou um pouco italiana, tenho sangue quente e faço macarronada aos domingos, falo alto demais e me dou de falsa paulista do Bixiga que diz "porra, meu", com mão de coxinha. Eu sou informal... Eu sou essa coisa de cabelo azul transitando pela Mooca à noite mas, eu tô extremamente fadigada de associar meu rosto nas coisas. Tô cansada de ficar explicando pra minha família e pra todo mundo que me pergunta o que eu quero da vida. É um pecado hoje, na época da ansiedade sem controle e dos cigarros um atrás do outro, que você não saiba responder esse tipo de pergunta.
Até um tempo atrás, pouco até, eu sabia visar um futuro. Depois de formada no meu técnico inútil e no médio tedioso que só me serviu pra dar entrada na faculdade, me vi sem perspectivas. Tá, você quer cantar, e daí? Não existe espaço pra você em nenhuma vaga, em nenhum bar, nenhum programa idiota de tv. E todos insistem em me dizer o que é melhor pra mim. E eu também estou cansada disso.
Me sinto de certa forma em pânico. Quando você se entrega a revelia ao seu futuro incerto e já não sabe de nada, e no fundo também não quer saber. Ao notas que tive sempre dentro de mim, duas pessoas completamente diferentes, ao passar dos anos (que parecem sempre cinco ou seis, eu nunca tenho estimativa correta) elas estão cada vez mais furiosas uma com a outra e, a inércia vem como resposta de uma extremidade insana. Ou se mata ou fica quieta: praticamente refém de alguma delas.
O meu melhor quer se manifestar mas se prende á tantos fracassos e críticas desconcertantes que não se lembra mais como se reage. Estar revoltada não é mais um status, e sim uma condição a qual me aprisionei e não sei como sair.
Na aula de introdução a filosofia, nosso professor citou por meio de um texto de Alain Badiou, os princípios dos pobres coitados que decidem fazer filosofia, igual a trouxa aqui. Eu me lembro de ficar petrificada, como realmente estou por dentro, a respeito de dois desses princípios: primeiro, a revolta, meio óbvia pra mim e todo mundo que me conhece; e depois a exigência de coerência nas informações, o que consiste não só em escrever, refletir o observar tais coisas mas, também no diálogo e coesão nas informações que você quer passar. E sabe o que me deixou mais tranquila (ou mais ridiculamente em pânico, não sei dizer)? A Apologia de Sócrates e A República. Esses diálogos platônicos (god save the plato) sobre Sócrates me deixaram ou mais endeusada ou ele me soou mais humano. Vê? Há sempre isso de "ou". As duas pessoas gritam e eu preciso acatar ambas decisões, se não o caos vem a tona. Eu sei que o que acabei de dizer é mentira, pois não é caos: é mudança. Necessita-se de coragem pra mudar e eu ainda não a tenho. Enfim, Sócrates sente medo! Quando se vê atacado por Trassímeco, pela postura de bom moço enjoadinho, se vê assustado e aquilo mexeu comigo de certa forma. O meu Jesus Cristo, o meu Super Homem, é o Sócrates. E é normal que todos nós busquemos algo de humano nos heróis, assim como os deuses buscam algo de heroico em nós, meros humanos. É isso que nos aproxima dos deuses... A sabedoria e o heroísmo. E ser herói parece fácil hoje em dia, ao meu parecer de que, basta você levantar alguém que tropeçou ou ajudar o cachorrinho com uma pata quebrada. Porra, eu vejo isso como obrigação, pra ser mais exata e delicada, vejo que é o caminho natural do homem bom. É como respirar, fazer o bem ao próximo deve ser como piscar os olhos. Esperem só, logo menos, respirar também será um ato de heroísmo.
De certa forma já é, para os inertes como eu que fazem uma força absurdamente ridícula pra sair da cama.
"O esforço de certos homens para alcançar a fama, eu faço diariamente para sair da cama."
Me diz, quem foi que escreveu isso?
Meu Deus, vocês não imaginam qual é a noção disso? Não, vocês não imaginam pois estão ocupados demais com seus telefones, suas dívidas, suas paixões, seus vícios. E eu assumo que me mantenho ocupada com tudo isso, por fuga e covardia. É claro que você não sabe resolver seus problemas, não aguenta ficar uma hora que seja sem fones de ouvido ou no pleno silêncio. Abre toda hora quando possível, independente do que estiver fazendo, o porcaria da sua rede social pra ver se alguém implora pela sua atenção, ou se algo lá pode mudar a sua vida medíocre, o que você sabe que não vai acontecer - mas ainda assim, insiste. Você quer contar a mesma história da sua merda de vida pra todo mundo que você conhece, duas ou três vezes, pra sentirem pena de você. Você não suporta seu irmão, lá por dentro, pois está começando a se incrustar nessa inveja... Coisa de gente fraca e extremamente medíocre. E tá se achando agora por escrever tudo isso, também assumindo que essa porrada de ignorância não é coisa pra se bater no peito. E também não sabe quem é que está falando: se é a vagabunda inerte e escrava das fraquezas, ou se é a senhorita bom senso que te exige disciplina pra ser uma verdadeira filósofa e não só mais uma cronista revoltada com a vida que tem ao dezoito anos.
Olha só. Eu parei de fumar e estou contente com isso. Eu me livrei do maldito fantasma no ônibus do 075 e, chega, eu realmente cansei das minhas picuinhas sobre o arrastar do cadáver do Guilherme. Obrigada, por tudo o que você me fez e ensinou. Estou em paz com o Victor e obviamente eu estou totalmente insatisfeita por estar apaixonada de novo, por outro cara que... Nossa, nem vale a pena, nada, nem comentar, porquê eu já escrevi e ele certamente lê ou sabe de tudo isso. Chega de ficar bufando, reclamando, mas também não quero fingir de que está tudo bem e, a medida que o tempo vai passando, das duas uma (de novo): ou eu só estou reconhecendo o quão ignorante eu sempre fui, ou estou me deixando levar pelos kuravas de uma vez só. Eu jamais me pegaria algum momento como antes, dizendo esse tipo de coisa que eu acabei de falar no parágrafo anterior. O que tá acontecendo comigo? Minha vida parou no momento que eu estava tomando banho e quando fechei os olhos, tudo ficou em branco. Não haviam sonhos, planos, vontades, motivações, nada! E foi o que eu disse entre soluços involuntários de choro, "eu não consigo ver mais nada".
Eu deixei me levar pelo rombo que restou de uma relação superficial de quatro meses misturada á uma mente fraca, nascida de ilusões. Quando eu era pequena, achava que papai noel existia, que a fada dos dentes me deixava cinco reais por cada um que caía, que a família devia apoiar integralmente á todas as minhas boas atitudes e que os natais e páscoas eram feitos pra se sentar a mesa e conversar bastante. Eu jamais tive isso, sem excessos de maquiagem. Vivi a vida toda em meio de estranhos, ninguém conhecia ninguém, tampouco toleravam... Algo que me fez desacreditar ou desconhecer o significado da palavra "família". Em seguida, cresceram-me asas e chifres, escamas e pelos... Não sei o que me tornei, mas morri diversas vezes e, numa dessas mortes, repousei. As mortes implicaram ainda na insistência de achar uma merda de significado pra palavra, em outros vícios e o assumir desses vícios sem mera consciência. Joguei muita coisa fora, engoli muito sapo e vomitei todo meu orgulho, sem muito sucesso, claro! Pessoas que falam excessivamente a verdade só se fodem. E eu morri. Sinto como se agora e nesses últimos meses, estivesse vivendo num umbral, um purgatório. Na Terra.
A concepção de céu e inferno das pessoas se constrói mais ou menos nessa base inconsciente: o céu é lá em cima, o purgatório na Terra e o inferno, lá em embaixo em alguma dimensão. Além de tolos, egoístas... Dimensão, velho... Quem somos nós pra falar de dimensão? Nós que somos míseros pontos abandonados numa imensidão universal, que chega a arrepiar de tão fascinante. E eu tematizo tanto sobre esse céu e inferno na terra, os anjos e principalmente meus amados demônios convivendo conosco... Concateno histórias loucas, quase infantis ás vezes mas sobretudo humanas. Essa sou eu, viciada na história cristã, amante dos demônios pela revolta cristã, falando "vai com Deus" em cada despedida, viciada, viciada. Humana endemoniada? Não, meu corpo é forte demais pra isso. Mas diria, blindado: o que está não sai e o que não tem, não entra. Viciada.
Não preciso repetir, vocês sabem o que me bloqueiam... O olhar daquele cara e o sorriso dele, as idiotices dele, e ainda pior, a virilidade masculina. Inconscientemente invejada. Quem é que não sabe que a Beatriz que ter nascido homem? Vê-se fácil, percebe-se. E os deuses interviram, "você vai nascer mulher pra poder sofrer como mulher os amores não correspondidos, se fazer de coitadinha, de vítima, trabalhar mais tranquila de esforços físicos, sem prestar militância, menstruar e ter cólicas devastadoras, e eu quero ver anexar essa aparência de menino que você quer sem interferir nos relacionamentos interpessoais". Obrigada, deuses. Se eu fosse um homem, seria uma bichinha inútil, igual algumas que conheci. Juro que sim.
Sabe qual é a dúvida que mais me mata? É a de que tudo isso que eu penso sobre mim mesma é coisa da minha cabeça, se é realmente verdade, se foram os outros quem implantaram... Caralho, eu não sou só um rg escrito e assinado como b³, não sou a foto, não sou o cabelo, não sou o corpo, caralho eu não sou nada disso! Me desvinculem, por favor, eu imploro. Eu quero ficar em paz comigo mesma. Na verdade é realmente tudo culpa minha... Se eu não ligasse tanto pro que as pessoas me dizem, o que elas me disseram, no que elas fizeram pra mim, eu não seria assim. Mas me vem a segunda dúvida mortal, de que se realmente eu não tivesse adentrado a filosofia de cabeça, o que é que eu seria hoje?! Eu simplesmente não consigo imaginar, assim como não viso planos pro futuro, também não vou pra frente, olhando pra tudo o que drasticamente mudou em mim , o que chega a ser assustador. Mas não é só isso. Nunca é só isso, assim como eu não sou só isso. Eu quero gritar... Sinto-me impotente pra uma série de coisas enquanto babacas ignorantes convictos tomam o meu lugar no mundo. Eu não quero ter que concretizar a minha crença de que só serei reconhecida depois que morrer... Sentir forte essa e muitas coisas dentro de mim me deixa assustada. Eu sabia de que herdaria da minha mãe, um certo temor sobre a morte de alguém próximo, e não que iria prever o meu próprio futuro insano. Eu vou morrer nova e me tornarei um ícone inovador - será isso mera pretensão de uma adolescente fracassada e pessimista, ou um sexto ou sétimo sentido imbecil que as mulheres tem?
Sou uma ignorante fascinante, sim, brilhante até. Faço parte de mais um elo de pessoas que vai, daqui cinquenta anos ou mais, salvar, confortar ou inspirar os mesmos adolescentes desse futuro deturpado de cartilhas inúteis e professores incompetentes. Lógica sem compreensão, português sem palavras, matemáticas sem números e filosofia sem vida. Em breve. E lá estará você, com seus fones de ouvido, lendo um livro de bolso com as minhas melhores crônicas, rindo e chorando ao mesmo tempo, pensando "essa menina é louca..." assim como um dia eu fiz. E eu te desafio, a fazer a sua própria filosofia... Não se beatricie, pelo amor de Deus, isso é perigoso. Olhe pra você e todo o seu conteúdo.
Todos temos algo a oferecer, nem melhor ou pior do que ninguém, apenas único. Mas há coragem... Ou a espera de que as coisas se resolvam por si só, que você morra e descubram seus manuscritos na gaveta, coisa que você e eu temos vergonha de expor, ainda que as músicas de repetidas palavras e temas estejam em alta. Seja. Sei lá, é só isso que eu tenho pra oferecer.